1.1.
A
Felicidade como fruto da boa vontade
Vimos, anteriormente, que o papel da boa vontade é
tornar o homem sábio, pois este, segundo Santo Agostinho, é o único capaz de
ser feliz. A partir de então iremos abordar a felicidade como furto da boa
vontade.
Para se chegar à felicidade, o primeiro passo é a
voluntariedade. Pois a boa vontade está disponivelmente nas mãos do homem. Logo,
depende deste ser feliz ou não. Entretanto, além da voluntariedade, que é uma
boa vontade, é necessário que o homem seja bom, porque "não tornaram tais só terem
querido vida feliz, isto que os maus também o querem. Mais sim porque os justos
querem com retitude, o que os maus não o querem" ( O livre - arbítrio).[1]
Vê-se, portanto, que a retidão, a qual é uma boa vontade, juntamente com o
querer levará o homem à tão desejada felicidade. Logo, a retidão deve ser uma
constante na vida do homem que almeja a felicidade. Diante de tudo o que foi
apresentado até o presente momento, surge uma indagação: o que é felicidade na
perspectiva da boa vontade? Neste contexto felicidade é a conseqüência, a
recompensa para um homem justo, reto, submisso à razão; para um homem virtuoso.
Portanto, levar vida feliz implica viver justa e honestamente e isto acontece
quando o homem acata a boa vontade como bem crucial. Neste sentido, quem vem a
ser o homem feliz?
"É feliz o homem realmente amante de sua boa vontade e que
despreza, por causa dela, tudo o que se estima como bem, cuja perda pode
acontecer, ainda que permaneça à vontade de ser conservado” [2].
Já que a boa vontade é um pré-requisito para se alcançar à felicidade. O que o
se deve fazer para conseguir a boa vontade? Santo Agostinho diz-nos que:
"se por nossa boa vontade amamos e
abraçamos essa mesma boa vontade,
preferindo-a a todas as outras coisas,
cuja conservação não depende de nosso querer, a conseqüência será, como nos
indica a razão, que nossa alma esteja dotada de todas aquelas virtudes cuja
posse constitui precisamente a vida conforme a retidão e acima de todos os bens
passageiros da vida realiza conquista tão grande, com tanta facilidade que,
para ele, e o querer e o possuir serão
um só e mesmo ato" .[3]
"Desta maneira estaremos
adquirindo tão grande bem, o qual elevará a alma na tranqüilidade, na calma e
constância, e assim, constitui a vida que é dita feliz”.[4]
Logo, a felicidade ou vida feliz é na sua essência fruto da boa vontade.