2.1.
A boa vontade e seu papel
Cabe-nos agora, discorrer sobre a boa vontade e seu papel. Portanto,
surge-nos um questionamento inicial: o que vem a ser a boa vontade? A boa
vontade, na concepção de Santo Agostinho, “é a vontade pela qual desejamos
viver com retidão e honestidade, para atingirmos o cume da sabedoria”.[1]
Vemos, então, que a boa vontade tem o intuito de levar o homem a ser sábio; a
se deixar guiar pela razão, evitando as paixões, que lhes desvirtuarão do
caminho rumo à felicidade, que por sua vez, constitui-se como sendo sua
finalidade maior. Logo, viver com retidão e honestidade, implica viver
ordenado, dirigido pela razão, que é a essência da boa vontade e a quem o homem
deve estar submisso. Esse, portanto, é o papel da boa vontade.
É, também, papel da boa vontade tornar-se boa. Logo, surge-nos um outro
questionamento: Como e por que a vontade deve ser boa? Com base numa reflexão
filosófica chegamos a conclusão de que o fato da vontade tornar-se boa deve-se
a graça, que é um dom de Deus, e que por sua vez, “não tem o efeito de suprimir
a vontade, mas sim de torna-la boa, pois ela se transformara em má”.[2]
Logo, pela graça a vontade torna-se boa e fica, desse modo, estabelecido a
relação vontade – graça, que resultará no bem. Pela graça a vontade torna-se
boa e por isso confirma-se nesta, pois estando inserida nela, não podendo
praticar o mal, atinge o ápice da liberdade.
Se o fim da boa vontade é fazer com que o homem seja sábio, pelo fato de
ser o único homem capaz de ser feliz, então, “depende de nossa vontade
gozarmos ou sermos privados de tão grande e verdadeiro bem”.[3]
Vê-se, assim, a boa vontade é um tesouro para o homem e esta está ao seu
alcance, basta que ele recuse as paixões, submeta-se à razão e acolha a boa
vontade. Já que a boa vontade é um tesouro, como poderemos adquiri-la? A fim de
que a possuamos é necessário que cultivemos o exercício das quatro virtudes
cardeais. Cabe-nos agora, discorrer sobre estas.
A primeira das quatro é a força, que consiste em resistir à má vontade;
em seguida vem a prudência, que é a obrigação de desejar o bem; a seguinte,
trata-se da temperança, a qual implica na moderação das paixões e por final a
justiça, que tem por finalidade dar a cada um o que lhe pertence.
Observamos, portanto, que o homem sábio, o qual é a meta da boa vontade,
é também um homem virtuoso, pois vive retamente, ou seja, possui o hábito do
bem agir, já que é submisso à razão. E este homem é o único que pode ser feliz, porque a felicidade é a
conseqüência, a recompensa para um homem virtuosos, aquele vive retamente,
porém sem esperar recompensa por isso sim porque ama a lei eterna, os bens
eternos e despreza os temporais.
“De onde se segue esta conclusão: todo
aquele que quer viver conforme a retidão e honestidade, se quiser pôr esse bem
acima de todos os bens passageiros da vida, realiza conquista tão grande, com
tanta facilidade que, para ele, o querer e o possuir serão e só mesmo ato”.[4]
Observamos então que é voluntariamente que o homem merece a felicidade
que é a recompensa de viver retamente, ou o castigo, o sofrimento, a desventura
diante de uma vida pecadora.
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