sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Felicidade como fruto da boa vontade

1.1.              A Felicidade como fruto da boa vontade

Vimos, anteriormente, que o papel da boa vontade é tornar o homem sábio, pois este, segundo Santo Agostinho, é o único capaz de ser feliz. A partir de então iremos abordar a felicidade como furto da boa vontade.
Para se chegar à felicidade, o primeiro passo é a voluntariedade. Pois a boa vontade está disponivelmente nas mãos do homem. Logo, depende deste ser feliz ou não. Entretanto, além da voluntariedade, que é uma boa vontade, é necessário que o homem seja bom, porque "não tornaram tais só terem querido vida feliz, isto que os maus também o querem. Mais sim porque os justos querem com retitude, o que os maus não o querem" ( O livre - arbítrio).[1] Vê-se, portanto, que a retidão, a qual é uma boa vontade, juntamente com o querer levará o homem à tão desejada felicidade. Logo, a retidão deve ser uma constante na vida do homem que almeja a felicidade. Diante de tudo o que foi apresentado até o presente momento, surge uma indagação: o que é felicidade na perspectiva da boa vontade? Neste contexto felicidade é a conseqüência, a recompensa para um homem justo, reto, submisso à razão; para um homem virtuoso. Portanto, levar vida feliz implica viver justa e honestamente e isto acontece quando o homem acata a boa vontade como bem crucial. Neste sentido, quem vem a ser o homem feliz?
"É feliz o homem realmente amante de sua boa vontade e que despreza, por causa dela, tudo o que se estima como bem, cuja perda pode acontecer, ainda que permaneça à vontade de ser conservado” [2]. Já que a boa vontade é um pré-requisito para se alcançar à felicidade. O que o se deve fazer para conseguir a boa vontade? Santo Agostinho diz-nos que:

"se por nossa boa vontade amamos e abraçamos essa mesma boa vontade, preferindo-a  a todas as outras coisas, cuja conservação não depende de nosso querer, a conseqüência será, como nos indica a razão, que nossa alma esteja dotada de todas aquelas virtudes cuja posse constitui precisamente a vida conforme a retidão e acima de todos os bens passageiros da vida realiza conquista tão grande, com tanta facilidade que, para ele, e  o querer e o possuir serão um só e mesmo ato" .[3]
 "Desta maneira estaremos adquirindo tão grande bem, o qual elevará a alma na tranqüilidade, na calma e constância, e assim, constitui a vida que é dita feliz”.[4] Logo, a felicidade ou vida feliz é na sua essência fruto da boa vontade.


[1]
[2] Ibid. pg. I, 28, 60
[3] Ibid. pg. I, 29, 61
[4] Ibid. pg. I, 29, 61

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