sábado, 19 de maio de 2012
A HUMILDADE
A HUMILDADE
“Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Fl 2, 5).
Se tivesses estado presente à última ceia, terias aprendido duas lições. Terias aprendido a amar: “Dou-vos um novo mandamento. Assim como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13, 34). E terias aprendido a humildade, porque Eu teria lavado os teus pés.
A humildade não consiste em atos exteriores, ainda que estes sejam motivados por ela. A humildade é interior. É uma disposição interna de conhecer a verdade sobre si mesmo, de aceitá-la e de viver de acordo com ela. É a base sólida sobre a qual deves levantar tua vida espiritual.
Pela humildade Meus santos tornaram-se dignos do amor da Santíssima Trindade.
Aprende a humildade de Maria. Ela, a mãe do Altíssimo, a mais favorecida de Minhas criaturas, jamais se orgulhou. Reconheceu, aceitou e viveu a verdade sobre si mesma, cumprindo perfeitamente o seu dever. Apesar de saber que era bendita entre todas as mulheres da Terra, não se retirou na solidão, esperando que o mundo reconhecesse sua grandeza e viesse servi-la. Sabendo que Isabel, sua prima, estava no sexto mês de gravidez, foi imediatamente ajudá-la. E ficou com ela durante três meses. Depois, com admirável respeito, partiu, porque Isabel deveria gozar a alegria do filho de sua velhice e ser a rainha do lar. Nisto ninguém deveria interferir. Depois de ter prestado seus serviços à prima, Maria logo se retirou.
Humildade!
Aprende também a humildade de João Batista, o maior profeta dentre os filhos dos homens. Medita em seu desprendimento, em não deixar o Jordão para Me procurar e depois de Me descobrir, em não Me seguir fisicamente. “O homem não pode receber coisa alguma”, disse João, “se não lhe for dada do Céu” (Jo 3, 27). E assim, João permaneceu no Jordão cumprindo seu dever até o dia em que Herodes o lançou na prisão por dizer a verdade de Deus.
Aprende a humildade do Filho do Homem que, como criança, obedecia às suas próprias criaturas; e que disse a João, no batismo: “Convém que cumpramos toda a justiça” (Mt 3, 15). Ele pagou o tributo do templo para que ninguém se escandalizasse. Seus lábios muitas vezes repetiram a frase de obediência: para que se cumprissem as Escrituras.
Tornei-Me um ser humano, um servidor, uma criatura, não exigindo ficar imune daquilo que acontece à humanidade: viver, na Terra, entre dores. Sabendo plenamente o que este fato Me traria, jamais murmurei, muito menos Me revoltei contra os erros, as injustiças e os tormentos que Me sobrevieram.
Submeti-Me em tudo às Minhas criaturas. Insultaram-Me, chamaram-Me de louco, desprezaram-Me como o mais vil dos seres: o demônio. Prenderam-Me, açoitaram-Me, bateram-Me, zombaram de Mim e cuspiram em Mim.
Como reagirias a tais ultrajes de criaturas, cujas vidas estivessem em tuas mãos, criaturas que não pudessem mover-se e menos ainda existir sem tua vontade?
Atravessaram, com pregos, os Meus pés e as Minhas mãos. Deixaram-Me pendente do madeiro da cruz, morrendo lentamente, enquanto Minha mãe observava tudo aquilo.
Suportarias tudo isto?
Mas era vontade de Meu Pai que Eu sofresse, e por isso, era também Minha vontade.
Adão e Eva tinham somente de obedecer. Mas, apesar de todas as vantagens que lhes tinham sido apresentadas, não quiseram aceitar a supremacia do Criador.
Eu reparei seu pecado, obedecendo em todas as coisas, mesmo quando o demônio arremessava toda a sua fúria sobre Mim. Abatido, no jardim, pelos pensamentos de agonia, diante da expectativa de ter de suportar sobre Meus ombros todos os pecados da humanidade, entregue a Mim mesmo, à terrível tentação de recusar sofrer os mais horríveis tormentos, não obstante submeti-Me inteiramente. “Não se faça, contudo, a minha vontade, mas a tua” (Lc 22, 42).
Isto é humildade.
Aprende de Mim!
Do livro “Cristo Minha Vida”
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