sexta-feira, 29 de junho de 2012

MORTIFICAÇÃO E PENITÊNCIA





O SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO
Conta-nos o Evangelho que Jesus, depois de ter repreendido severamente São Pedro, porque – cheio de um carinho mal entendido – queria afastá-Lo da Cruz (Mt 16, 23), dirigiu o olhar aos outros discípulos e lhes disse com firmeza: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24).
Lemos também no Evangelho que, certa vez, Jesus estava acompanhado de muito povo. Era o tempo em que as multidões O seguiam com um entusiasmo, e em que a fé de muitos alternava com a emotividade superficial e com o interesse. Cristo, que conhecia bem os homens e os amava, quis gravar-lhes na alma a ideia clara de que, sem tomar a Cruz, era impossível segui-Lo pelo Seu caminho, pois é caminho de amor. E assim, voltando-se para os que O cercavam, alertou-os: “Quem não carrega a sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo”. E, para deixar essa afirmação bem vincada, ilustrou-a com uma comparação: falou-lhes de um homem que, desejando construir uma torre, errou nos cálculos e não previu os meios necessários para edificar. Aconteceu o inevitável: fracassou, de modo que todos os que o viam ficavam zombando dele e diziam: “Este homem principiou a edificar, mas não pôde terminar!”. O Senhor esclareceu que assim aconteceria com aqueles que quisessem segui-Lo sem renúncia e sem Cruz (cfr. Lc 14, 25-30).
Reparemos que, nessas passagens do Evangelho, Jesus fala de algo que depende de nós. Algo que podemos fazer ou não – Se alguém quiser... -, algo que pertence, portanto, à nossa livre iniciativa.
Sempre a Cruz deve ser tomada livremente. Em primeiro lugar, a que Deus nos envia sem nós a procurarmos, ou seja, a Cruz do sofrimento inesperado, que devemos saber abraçar com fé e amor. Mas há outra Cruz santa que – com a ajuda da graça – depende totalmente da nossa decisão, da nossa generosidade, e é justamente a dos sacrifícios voluntários. Se nós queremos, sacrificamos um fim de semana para dar assistência aos pobres; se nós queremos, deixamos de ir ao cinema para visitar um doente; se nós queremos, assumimos os trabalhos mais pesados em casa. Mas ninguém nos impõe nada. Se não queremos, não fazemos nada disso.

HOMEM VELHO E HOMEM NOVO
Sacrifícios voluntários? Mortificação? Penitência? Meter na nossa vida mais “cruzes”, quando a vida já traz tantas sem que as procuremos? Por quê?
Vamos deixar que, mais uma vez, o Espírito Santo nos responda pela boca de São Paulo.
Este apóstolo serve-se com frequência de uma comparação: a imagem dos dois homens que estão sempre brigando dentro de nós: o homem velho e o homem novo. Poderíamos traduzir por “homem modelado pelos parâmetros mundanos, pagãos” e “homem modelado – conforme a imagem de Cristo – pela graça do Espírito Santo”.
Assim, escrevendo aos Efésios, o apóstolo pede-lhes: “Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê das suas ideias frívolas [...]. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelos desejos enganadores. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em justiça e santidade verdadeiras” (Ef 4, 17.22-24). É claro que está lhes propondo uma luta árdua, mediante a qual deverão arrancar – quase como se arranca a pele – o homem velho, para revestir-se do homem novo.
As mesmas ideias, mais sinteticamente expostas, encontramo-las na Carta aos Colossenses: “Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios, e vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem d’Aquele que o criou” (Cl 3, 9-10).
Um terceiro texto, dirigido aos Gálatas, completa os anteriores: “Os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências” (Gl 5, 24). Para entender o que quer dizer, é preciso ter presente que, na mesma carta, havia explicado o que é a carne e as suas concupiscências (palavra que significa aqui maus desejos), mostrando que por carne entende – como é comum em textos bíblicos – o homem egoísta, afastado da graça de Deus e mergulhado no materialismo, “cujo deus é o ventre [...] e só tem prazer no que é terreno” (Fl 3, 19).
Característica típica do homem velho é a de se deixar dominar pelos desejos da carne, que – como explica detalhadamente o apóstolo – se chamam “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdia, facções, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes” (Gl 5, 19-21).
Esta é a carne que deve ser crucificada, ou seja, mortificada, dominada e vencida com a renúncia, com o sacrifício, com a Cruz.

MEIO DE PURIFICAÇÃO
A mortificação voluntária – que faz parte essencial da luta do cristão – é um meio necessário de purificação. Santo Agostinho tem um pensamento muito profundo a este respeito. Lembra que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e que o pecado “deformou” essa imagem e apagou a semelhança. A graça de Deus, recebida no Batismo, fez-nos renascer para uma vida nova. É tarefa nossa colaborar com a graça para limpar os males que nos deformam; só assim ela nos devolverá à “forma” primeira, que é a imagem do ser de Deus (1).
Como é sugestiva esta ideia, para nos ajudar a compreender que a formação cristã não se limita ao conhecimento da verdade, da doutrina – ler, estudar, aprender -, mas exige um trabalho de purificação – de limpar, de extirpar, de endireitar, de podar o que procede do egoísmo -, para podermos “arrancar a triste máscara que forjamos com as nossas misérias” (2), e estarmos em condições de ir reproduzindo fielmente em nós os traços do nosso modelo, Jesus Cristo.
Pensemos seriamente qual é o nosso homem velho, quais são as nossas paixões e concupiscências, para assim podermos descobrir as mortificações que precisamos fazer a fim de arrancar de nós as máscaras deformantes. Não é muito difícil adivinhar. Difícil é concretizar... e fazer.
Na realidade, todos notamos em nós mesmos defeitos que nos prejudicam, hábitos, vícios de diversas espécies, que nos dominam; falhas de caráter que atrapalham o nosso trabalho; atitudes desagradáveis ou omissões no nosso relacionamento com os outros... Pois bem, é aí que deve entrar a nossa cruz, ou seja, os sacrifícios necessários para corrigir tais defeitos.

FAZER PENITÊNCIA
A fé nos mostra o imenso valor que podem ter os padecimentos – os sofrimentos que Deus manda ou permite -, como meio de nos unirmos à Cruz de Cristo, a fim de reparar – expiar – pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo.
Também o sacrifício voluntário pode ter – e muitas vezes deve ter – uma função reparadora, de penitência pelos pecados.
O Catecismo da Igreja Católica, ao falar dos tempos e dias de penitência, cita as práticas penitenciais que são mais tradicionais na Igreja, porque o próprio Cristo se referiu a elas no Sermão da Montanha (cfr. Mt 6, 1ss), a saber: a oração, o jejum e a esmola. E frisa de modo particular o valor que tem a mortificação – o jejum e outras privações voluntárias -, como meio de reparação dos pecados (cfr. ns. 1434 e 1438).
É muito próprio do espírito de um cristão determinar-se a cumprir algumas dessas práticas penitenciais – além do jejum e da abstinência de carne prescritos pela lei da Igreja – sobretudo em dias ou períodos especialmente relacionados com a Paixão de Jesus, como são as sextas-feiras e o Tempo da Quaresma. Todo bom católico deveria definir bem, até por escrito, o seu “plano” de penitências para a Quaresma (não comer tal ou qual doce ou refrigerante, reduzir a assistência à TV, abster-nos de bebidas alcoólicas, aumentar o tempo diário de oração, dedicar mais tempo a obras sociais, fazer frequentes visitas à igreja para rezar algumas orações de joelhos, etc.).
Na realidade, porém, não deveríamos limitar-nos às obras de penitência em datas ou tempos determinados. Todos os dias deveriam estar enriquecidos – polvilhados – por algumas pequenas privações, oferecidas por amor e com alegria, como atos de reparação pelos pecados próprios e alheios, e também como exercícios de autodomínio que nos ajudassem a “converter-nos”: a ser mais senhores de nós mesmos e a mudar, a “converter-nos”, com a graça de Deus.
Em maio do ano 2000, o Papa celebrou em Fátima a beatificação dos meninos Jacinta e Francisco. Ao elevar os dois pastorinhos à glória dos altares, o Santo Padre fez questão de realçar a generosidade com que ambos, a pedido de Nossa Senhora, se entregaram à penitência “pelos pobres pecadores”. De Francisco, dizia o Papa que “suportou os grandes sofrimentos da doença que o levou à morte sem nunca se lamentar. Tudo lhe parecia pouco para consolar Jesus; morreu com um sorriso nos lábios. Grande era, no pequeno Francisco, o desejo de reparar as ofensas dos pecadores, esforçando-se por ser bom e oferecendo sacrifícios e oração. E Jacinta, sua irmã, quase dois anos mais nova que ele, vivia animada dos mesmos sentimentos”. Citava depois o Papa as palavras com que Jacinta se despediu de Francisco, pouco antes de este morrer: “Dá muitas saudades minhas a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e dize-lhes que sofro tudo quanto Eles quiserem para converter os pecadores” (3).
Como é tocante essa lição dos pequeninos, dos simples, que ouvem e entendem a voz de Deus, por meio de Maria! (cfr. Lc 10, 21). Podemos ter a certeza de que a perda do sentido da penitência, entre os cristãos, anda em paralelo com a perda do sentido do pecado, e que isto significa que enfraqueceu muito ou se perdeu o sentido do amor de Deus.
É interessante recordar que, no mesmo Ano Santo de 2000, o Santo Padre ajudou-nos a revigorar uma verdade da nossa fé que tem uma relação muito estreita com a necessidade da penitência: a doutrina das indulgências. Com elas, com efeito - ao realizar, com as devidas condições, as obras indulgenciadas - , entramos em comunhão com o tesouro do “amor, do sofrimento suportado, da pureza” de todos os nossos irmãos na fé, que deixaram atrás de si como que um “saldo” de méritos, unidos às riquezas dos méritos de Cristo, de Maria e dos santos; é um imenso tesouro que a Igreja encaminha a cada um de nós, como uma transfusão de sangue puro (4), por meio da indulgência, para a purificação da “pena temporal” devida pelos nossos pecados, ou seja, da pena que deveríamos pagar no Purgatório, por não termos expiado suficientemente os nossos pecados aqui na terra.
E esse mesmo dom da indulgência, esse tesouro de méritos e graças que “circula” no Corpo místico de Cristo, pode ser aplicado sempre às almas do Purgatório, com as quais estamos estreitamente unidos pela Comunhão dos santos. Mediante esse “intercâmbio maravilhoso de bens espirituais”, podemos auxiliar pais, parentes, amigos, conhecidos…, todos os que se encontram no estado de purificação que chamamos Purgatório, para que possam ir logo ao encontro do abraço eterno de Deus. É uma maravilhosa comunhão e ajuda mútua na penitência: na expiação e a purificação (5).

(Adaptação de um trecho do livro de F. Faus, “A sabedoria da Cruz”)

(1) Sermão 125,4
(2) São Josemaria Escrivá, Via Sacra, VI estação
(3) João Paulo II, Homilia na Beatificação, Fátima 13.05.2000
(4) Cf. São Josemaria Escrivá, Caminho, n. 544
(5) Bula Incanationis mysterium, num. 9 e 10

Deus te abençoe.
Pe. Luiz Gilderlane

quinta-feira, 28 de junho de 2012

SERMÃO SOBRE A PUREZA





Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender d’Ele o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.
Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ela nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais!
Bem-aventurados - nos diz Jesus Cristo - os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade?... São Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz: “Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpo e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma.” (I Cor 6, 15-20)
Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo...
Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!... Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus. Eu queria fazer-vos conceber desta virtude uma ideia digna de Deus, e vos mostrar, prmeiro quanto ela nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as nossas ações, e segundo o que nós devemos fazer para conservá-la.

I – Quanto a pureza nos torna agradáveis a Deus.
Seria preciso, meus irmãos, para vos fazer compreender bem a estima que devemos ter desta incomparável virtude, para vos fazer a descrição de sua beleza, e vos fazer apreciar bem seu valor junto de Deus, seria preciso, não um homem mortal, mas um anjo do céu. Ouvindo-o, vós diríeis com admiração: Como todos os homens não estão dispostos a sacrificar tudo antes que perder uma virtude que nos une de uma maneira íntima com Deus? Procuremos, contudo, conceber dela alguma coisa, considerando que dita virtude vem do céu, que ela faz descer Jesus Cristo sobre a terra, e que eleva o homem até o céu, pela semelhança que ela dá com os anjos, e com o próprio Jesus Cristo. Dizei-me, meus irmãos, de acordo com isto, acaso não merece ela o título de preciosa virtude? Não é ela digna de toda nossa estima e de todos os sacrifícios necessários para conservá-la?
Nós dizemos que a pureza vem do céu, porque só havia o próprio Jesus Cristo que fosse capaz de no-la ensinar e nos fazer sentir todo o seu valor. Ele nos deixou o exemplo prodigioso da estima que teve desta virtude. Tendo resolvido na grandeza de sua misericórdia, resgatar o mundo, Ele tomou um corpo mortal como o nosso; mas Ele quis escolher uma Virgem por Mãe. Quem foi esta incomparável criatura, meus irmãos? Foi Maria, a mais pura entre todas e por uma graça que não foi concedida a ninguém mais, foi isenta do pecado original. Ela consagrou sua virgindade ao Bom Deus desde a idade de três anos, e oferecendo-lhe seu corpo, sua alma, ela lhe fez o sacrifício mais santo, o mais puro e o mais agradável que Deus jamais recebeu de uma criatura sobre a terra. Ela manteve este sacrifício por uma fidelidade inviolável em guardar sua pureza e em evitar tudo aquilo que pudesse mesmo de leve empanar seu brilho.
Nós vemos que a Virgem Santa fazia tanto caso desta virtude, que Ela não queria consentir em ser Mãe de Deus antes que o anjo lhe tivesse assegurado que Ela não a perderia. Mas, tendo lhe dito o anjo que, tornando-se Mãe de Deus, bem longe de perder ou empanar sua pureza de que Ela fazia tanta estima, Ela seria ainda mais pura e mais agradável a Deus, consentiu então de bom grado, a fim de dar um novo brilho a esta pureza virginal. Nós vemos ainda que Jesus Cristo escolhe um pai nutrício que era pobre, é verdade; mas ele quis que sua pureza estivesse por sobre a de todas as outras criaturas, exceto a Virgem Santa. Dentre seus discípulos, Ele distingue um, a quem Ele testemunhou uma amizade e uma confiança singulares, a quem Ele fez participante de seus maiores segredos, mas Ele toma o mais puro de todos, e que estava consagrado a Deus desde sua juventude.
Santo Ambrósio nos diz que a pureza nos eleva até o céu e nos faz deixar a terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela nos eleva por sobre a criatura corrompida e, por seus sentimentos e seus desejos, ela nos faz viver da mesma vida dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade duma alma é de um preço aos olhos de Deus maior que a dos anjos, pois que os cristãos só podem adquirir esta virtude pelos combates, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. São Cipriano acrescenta que, não somente a castidade nos torna semelhantes aos anjos, mas nos dá ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Sim, nos diz este grande santo, uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.
Quanto mais uma alma se desapega de si mesma pela resistência às suas paixões, mais ela se une a Deus; e, por um feliz retorno, mais o bom Deus se une a ela; Ele a olha, Ele a considera como sua esposa, como sua bem-amada; faz dela o objeto de suas mais caras complacências, e fixa nela sua morada para sempre.
Bem-aventurados - nos diz o Salvador - os puros de coração, porque eles verão ao bom Deus”. Segundo São Basílio, se encontramos a castidade numa alma, encontramos aí todas as outras virtudes cristãs, ela as praticará com uma grande facilidade, “porque – nos diz ele – para ser casto é preciso se impor muitos sacrifícios e fazer-se uma grande violência. Mas uma vez que alcançou tais vitórias sobre o demônio, a carne e o sangue, todo o resto lhe custa muito pouco, pois uma alma que subjuga com autoridade a este corpo sensual, vence facilmente todos os obstáculos que encontra no caminho da virtude”.
Vemos também, meus irmãos, que os cristãos castos são os mais perfeitos. Nós os vemos reservados em suas palavras, modestos em todos os seus passos, sóbrios em suas refeições, respeitosos no lugar santo e edificantes em toda sua conduta. Santo Agostinho compara aqueles que têm a grande alegria de conservar seu coração puro, aos lírios que se elevam diretamente ao céu e que difundem em seu redor um odor muito agradável; só a vista deles nos faz pensar naquela preciosa virtude. Assim a Virgem Santa inspirava a pureza a todos aqueles que a olhavam...
Bem-aventurada virtude, meus irmãos, que nos põe entre os anjos, que parece mesmo elevar-nos por sobre eles!

II - O amor que os Santos tinham por esta virtude
Todos os Santos fizeram o maior caso dela e preferiram perder seus bens, sua reputação e sua própria vida a descorar esta virtude.
Nós temos um belo exemplo disto na pessoa de Santa Inês. Sua formosura e suas riquezas fizeram com que, à idade de doze anos, ela fosse procurada pelo filho do prefeito da cidade de Roma. Ela lhe fez saber que estava consagrada ao bom Deus. Ela foi presa sob o pretexto de que era cristã, mas em realidade para que consentisse nos desejos do rapaz. Ela estava de tal modo unida a Deus que nem as promessas, nem as ameaças, nem a vista dos carrascos e dos instrumentos expostos diante de si para amedrontá-la, não a fizeram mudar de sentimentos. Não tendo conseguido nada dela, seus perseguidores a carregaram de cadeias, e quiseram colocar uma argola e anéis em seu pescoço e em sua mãos; eles não puderam fazê-lo, tão débeis eram suas pequenas mãos inocentes. Ela permaneceu firme em sua resolução, no meio destes lobos enraivecidos, ela ofereceu seu corpinho aos tormentos com uma coragem que espantou aos carrascos. Arrastam-na aos pés dos ídolos; mas ela confessa bem alto que só reconhece por Deus a Jesus Cristo, e que os ídolos deles não são mais que demônios. O juiz, cruel e bárbaro, vendo que não consegue nada, crê que ela será mais sensível diante da perda daquela pureza que ela estimava tanto. Ele ameaça expô-la num lugar infame; mas ela responde com firmeza; “Vós podeis fazer-me morrer, mas não podereis jamais fazer-me perder este tesouro: o próprio Jesus Cristo é zeloso deste tesouro”. O juiz, morrendo de raiva, manda conduzi-la ao lugar das torpezas infernais. Mas Jesus Cristo, que velava por ela duma maneira particular, inspira um tão grande respeito aos guardas, que eles só a olhavam com uma espécie de pavor, e manda a Seus anjos que a protejam. Os jovens que entram naquele quarto, inflamados de um fogo impuro, vendo um anjo ao lado dela, mais belo que o sol, saem dali abrasados do amor divino. Mas o filho do prefeito, mais perverso e mais corrompido que os outros, penetra no quarto onde estava santa Inês. Sem ter consideração por todas aquelas maravilhas, ele se aproxima dela na esperança de contentar seus desejos impuros; mas o anjo que guarda a jovem mártir fere o libertino que cai morto a seus pés. Rapidamente se espalha em Roma o boato de que o filho do prefeito tinha sido morto por Inês. O pai, enfurecido, vem encontrar a santa e se entrega a tudo o que seu desespero lhe pode inspirar. Ele a chama de fúria do inferno, monstro nascido para a desolação de sua vida, pois tinha feito morrer seu filho. Santa Inês lhe responde tranquilamente: “É que ele quis fazer-me violência, então o meu anjo lhe deu a morte”. O prefeito, um pouco acalmado, lhe diz: “Pois bem, pede a teu Deus para ressuscitá-lo, para que não se diga que foste tu que o mataste”. “Sem dúvida, diz-lhe a Santa, vós não mereceis esta graça; mas para que saibais que os cristãos nunca se vingam, mas, pelo contrário, eles pagam o mal com o bem, saí daqui, e eu vou pedir ao bom Deus por ele”. Então Inês se põe de joelhos, prostrada com a face em terra. Enquanto ela reza, seu anjo lhe aparece e lhe diz: “Tenha coragem”. No mesmo instante o corpo inanimado retoma a vida. O jovem ressuscitado pelas orações da Santa, se retira da casa, corre pelas ruas de Roma gritando: “Não, não, meus amigos, não há outro Deus que o dos cristãos, todos os deuses que nós adoramos não são mais que demônios que nos enganam e nos arrastam ao inferno”. Entretanto, apesar de um tão grande milagre, não deixaram de a condenar. Então o tenente do prefeito manda que se acenda um grande fogo, e faz lançá-la nele. Mas as chamas entreabrindo-se, não lhe fazem nenhum mal e queimam os idólatras que acudiram para serem espectadores de seus combates. O tenente, vendo que o fogo a respeitava e não lhe fazia nenhum mal, ordena que a firam com um golpe de espada na garganta, afim de lhe tirar a vida; mas o carrasco treme como se ele mesmo estivesse condenado à morte... Como os pais de Santa Inês chorassem a morte de sua filha, ela lhes aparece dizendo-lhes: “Não choreis minha morte, pelo contrário, alegrai-vos de eu ter adquirido uma tão grande glória no Céu”.
Estais vendo, meus irmãos, o que esta Santa sofreu para não perder sua virgindade. Formai agora ideia da estima em que deveis ter a pureza, e como o bom Deus se compraz em fazer milagres para se mostrar-se seu protetor e guardião. Como este exemplo confundirá um dia estes jovens que fazem tão pouco caso desta bela virtude! Eles jamais conheceram seu preço. O Espírito Santo tem, portanto, razão de exclamar: “Ó, como é bela esta geração casta; sua memória é eterna, e sua glória brilha diante dos homens e dos anjos!”. É certo, meus irmãos, que cada um ama seus semelhantes; também os anjos, que são espíritos puros, amam e protegem duma maneira particular as almas que imitam sua pureza.
Nós lemos na Sagrada Escritura que o anjo Rafael, que acompanhou o jovem Tobias, prestou-lhe mil serviços. Preservou-o de ser devorado por um peixe, de ser estrangulado pelo demônio. Se este jovem não tivesse sido casto, é certíssimo que o anjo não o teria acompanhado, nem lhe teria prestado tantos serviços. Com que gozo não se alegra o anjo da guarda que conduz uma alma pura!
Não há outra virtude para conservação da qual Deus faça milagres tão numerosos como os que ele pródiga em favor duma pessoa que conhece o preço da pureza e que se esforça por salvaguardá-la. Vede o que Ele fez por Santa Cecília. Nascida em Roma de pais muito ricos, ela era muito instruída na religião cristã, e seguindo a inspiração de Deus, ela Lhe consagrou sua virgindade. Seus pais, que não o sabiam, prometeram-na em casamento a Valeriano, filho de um senador da Cidade. Era, segundo o mundo, um partido bem considerado. Ela pediu a seus pais o tempo de pensá-lo. Ela passou este tempo no jejum, na oração e nas lágrimas, para obter de Deus a graça de não perder a flor daquela virtude que ela estimava mais que sua vida. O bom Deus lhe respondeu que não temesse nada e que obedecesse a seus pais; pois, não somente não perderia esta virtude, mas ainda obteria... Consentiu, pois, no matrimônio. No dia das núpcias, quando Valeriano se apresentou, ela lhe disse: “Meu caro Valeriano, eu tenho um segredo a lhe comunicar.” Ele lhe respondeu: “Qual é este segredo?”. “Eu consagrei minha virgindade a Deus e jamais homem algum me tocará, pois eu tenho um anjo que vela por minha pureza; se você atenta contra isto, você será ferido de morte”. Valeriano ficou muito surpreso com esta linguagem, porque sendo pagão, não compreendia nada de tudo isto. Ele respondeu: “Mostre-me este anjo que a guarda.” A Santa replicou: “Você não pode vê-lo porque você é pagão. Vá ter com o Papa Urbano, e peça-lhe o batismo, você em seguida verá o meu anjo”. Imediatamente ele parte. Depois de ter sido batizado pelo Papa, ele volta a encontrar sua esposa. Entrando no seu quarto, vê o anjo velando com Santa Cecília. Ele o acha tão bonito, tão brilhante de glória, que fica encantado e tocado por sua formosura. Não somente permite à sua esposa permanecer consagrada a Deus, mas ele mesmo faz voto de virgindade... Em breve eles tiveram a alegria de morrerem mártires. Estais vendo como o bom Deus toma cuidado duma pessoa que ama esta incomparável virtude e trabalha por conservá-la?
Nós lemos na vida de Santo Edmundo que, estudando em Paris, ele se encontrou com algumas pessoas que diziam tolices; ele as deixou imediatamente. Esta ação foi tão agradável a Deus, que Ele lhe apareceu sob a forma de um belo menino e o saudou com um ar muito gracioso, dizendo-lhe que com satisfação o tinha visto deixar seus companheiros que mantinham conversas licenciosas; e, para recompensá-lo, prometia que estaria sempre com ele. Além disto, Santo Edmundo teve a grande alegria de conservar sua inocência até a morte.
Quando Santa Luzia foi ao túmulo de Santa Águeda para pedir ao Bom Deus, por sua intercessão, a cura de sua mãe, Santa Águeda lhe apareceu e lhe disse que ela podia obter, por si mesma, o que ela pedia, pois que, por sua pureza, ela tinha preparado em seu coração uma habitação muito agradável ao seu Criador. Isto nos mostra que o bom Deus não pode recusar nada a quem tem a alegria de conservar puros seu corpo e sua alma...
Escutai a narração do que aconteceu a Santa Pontamiena que viveu no tempo da perseguição de Maximiano. Esta jovem era escrava dum dissoluto e libertino, que não cessava de a solicitar para o mal. Ela preferiu sofrer todas as sortes de crueldades e de suplícios a consentir nas solicitações de seu senhor infame. Este, vendo que não podia conseguir nada, em seu furor, entregou-a como cristã nas mãos do governador, a quem prometeu uma grande recompensa se a pudesse conquistar. O juiz mandou que a conduzissem ante seu tribunal, e vendo que todas as ameaças não a faziam mudar de sentimentos, fez a Santa sofrer tudo o que a raiva pôde lhe inspirar. Mas o bom Deus concedeu à jovem mártir tanta força que ela parecia ser insensível a todos os tormentos. Aquele juiz iníquo, não podendo vencer sua resistência, faz colocar sobre um fogo bem ardente uma caldeira cheia de pez, e lhe diz: “Veja o que lhe preparam se você não obedece a seu senhor”. A santa jovem responde sem se perturbar: “Eu prefiro sofrer tudo o que vosso furor puder vos inspirar a obedecer aos infames desejos de meu senhor; aliás, eu jamais teria acreditado que um juiz fosse tão injusto de me fazer obedecer aos planos de um senhor dissoluto”. O tirano, irritado por esta resposta, mandou que a lançassem na caldeira. “Ao menos mandai - diz-lhe ela - que eu seja lançada vestida. Vós vereis a força que o Deus que nós adoramos dá aos que sofrem por Ele”. Depois de três horas de suplício, Pontamiena entregou sua bela alma a seu Criador, e assim alcançou a dupla palma do martírio e da virgindade.

III - Como esta virtude é pouco conhecida e apreciada no mundo
Ai, meus irmãos, como esta virtude é pouco conhecida no mundo, quão pouco nós a estimamos, quão pouco cuidado nós pomos em conservá-la, quão pouco zelo temos em pedi-la a Deus, pois que não a podemos ter de nós mesmos.
Não, nós não conhecemos esta bela e amável virtude que ganha tão facilmente o coração de Deus, que dá um tão belo brilho a todas as nossas outras boas obras, que nos eleva acima de nós mesmos, que nos faz viver sobre a terra como os anjos no céu!...
Não, meus irmãos, ela não é conhecida por este velhos infames impudicos que se arrastam, se rolam e se submergem na lama de suas torpezas, cujo coração é semelhante àqueles... sobre o alto das montanhas... queimados e abrasados por estes fogos impuros. Ai! Bem longe de procurar extingui-lo, eles não cessam de acendê-lo e abrasá-lo por seus olhares, por seus pensamentos, seus desejos e suas ações. Em que estado estará esta alma, quando aparecer diante de Deus, a Pureza mesma?
Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por esta pessoa, cujos lábios não são mais que uma abertura e um tubo de que o inferno se serve para vomitar suas impurezas sobre a terra, e que se alimenta disto como de um pão quotidiano. Ai! A alma deles não é mais que um objeto de horror para o céu e para a terra!
Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estes jovens cujos olhos e mãos estão profanados por estes olhares e... Ó DEUS, QUANTAS ALMAS ESTE PECADO ARRASTA PARA O INFERNO!...
Não, meus irmãos, esta bela virtude não é conhecida por estas moças mundanas e corrompidas que tomam tantas precauções e cuidados para atraírem sobre si os olhos do mundo; que por seus enfeites exagerados e indecentes, anunciam publicamente que são infames instrumentos de que o inferno se serve para perder as almas; estas almas que custaram tantos trabalhos, lágrimas e tormentos a Jesus Cristo!... Vede estas infelizes, e vós vereis que mil demônios circundam sua cabeça e seu coração. Ó meu Deus, como a terra pode suportar tais sequazes do inferno? Coisa mais espantosa ainda, como mães as suportam num estado indigno de uma cristã! Se eu não temesse ir longe demais, eu diria a estas mães que elas valem o mesmo que suas filhas.
Ai, este infeliz coração e estes olhos impuros não são mais que uma fonte envenenada que dá a morte a qualquer que os olha e os escuta. Como tais monstros ousam se apresentar diante de um Deus santo e tão inimigo da impureza! Ai! A vida deles não é mais que uma acumulação de banha que eles estão juntando para inflamar o fogo do inferno por toda a eternidade.
Mas, meus irmãos, deixemos uma matéria tão desagradável e tão revoltante para um cristão, cuja pureza deve imitar a de Jesus Cristo mesmo; e voltemos à nossa bela virtude da pureza que nos eleva até o céu, que nos abre o coração adorável de Jesus Cristo, e nos atrai todas as bênçãos espirituais e temporais.

São João Maria Vianney
 Deus te abençoe!
Pe. Luiz Gilderlane.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O VERDADEIRO CULPADO




Certo dia, uma senhora ligou desesperada para o Corpo de Bombeiros da sua cidade para apagar o fogo que começara repentinamente em sua casa. Como a distância da sede do Corpo de Bombeiros até a sua casa era considerável, quando os bombeiros chegaram já era tarde demais. Só havia restado um amontoado de madeira queimada e muita fumaça.
Ela, no âmago do seu desespero e chorando muito, disse:
- Toda a minha vida estava nesta casa, meus sonhos e meus projetos. Tudo virou pó! - E não contente, descarregou toda a sua amargura - A culpa é desses bombeiros incompetentes e sem coração que demoraram uma vida para chegar até aqui. Eles são os culpados por não ter sobrado nada da minha casa!
Então, um homem se aproximou daquela amargurada e triste senhora, dizendo:
- Eu sou o eletricista que fez a instalação da sua casa, lembra? - Ela assentiu com a cabeça - A senhora lembra quando eu disse que os fios que nós estávamos empregando na obra eram de má qualidade? - Outra vez ela concordou com o homem - E mesmo assim a senhora insistiu que deveriam ser aqueles fios, porque isto no final da instalação lhe traria uma economia de 75 reais. Pois é, a economia de 75 reais se tornou um prejuízo de 100 mil reais.

Moral da história: Quando algo de ruim acontece com a gente, imediatamente, começamos a culpar todo mundo a nossa volta, mas, na grande maioria das vezes, os verdadeiros culpados pelos nossos infortúnios somos nós mesmos.

A.D.

O VERDADEIRO CULPADO




Certo dia, uma senhora ligou desesperada para o Corpo de Bombeiros da sua cidade para apagar o fogo que começara repentinamente em sua casa. Como a distância da sede do Corpo de Bombeiros até a sua casa era considerável, quando os bombeiros chegaram já era tarde demais. Só havia restado um amontoado de madeira queimada e muita fumaça.
Ela, no âmago do seu desespero e chorando muito, disse:
- Toda a minha vida estava nesta casa, meus sonhos e meus projetos. Tudo virou pó! - E não contente, descarregou toda a sua amargura - A culpa é desses bombeiros incompetentes e sem coração que demoraram uma vida para chegar até aqui. Eles são os culpados por não ter sobrado nada da minha casa!
Então, um homem se aproximou daquela amargurada e triste senhora, dizendo:
- Eu sou o eletricista que fez a instalação da sua casa, lembra? - Ela assentiu com a cabeça - A senhora lembra quando eu disse que os fios que nós estávamos empregando na obra eram de má qualidade? - Outra vez ela concordou com o homem - E mesmo assim a senhora insistiu que deveriam ser aqueles fios, porque isto no final da instalação lhe traria uma economia de 75 reais. Pois é, a economia de 75 reais se tornou um prejuízo de 100 mil reais.

Moral da história: Quando algo de ruim acontece com a gente, imediatamente, começamos a culpar todo mundo a nossa volta, mas, na grande maioria das vezes, os verdadeiros culpados pelos nossos infortúnios somos nós mesmos.

A.D.
VOCÊ FALA UMA LINGUAGEM PRÓ-VIDA OU PRÓ-ABORTO? SAIBA DISTINGUIR.


Tende-se, às vezes inconscientemente, a pensar na criança no ventre materno como um ente que ainda não existe, que ainda não vive, que ainda não é pessoa. Isso é denunciado na linguagem coloquial. Pergunta-se a uma mulher grávida: “quando é que você vai ser mãe?”. Ora, se ela está grávida, ela já é mãe. A maternidade não é futura e incerta, mas presente e certa.

Quando Santa Isabel, “cheia do Espírito Santo” (Lc 1, 41) ouviu a saudação da Virgem Maria, exclamou: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc 1, 43). Note-se que ela não chamou a visitante de “futura mãe do meu Senhor”, mas de “mãe do meu Senhor”. Jesus ainda não havia nascido, mas Maria Santíssima já era sua mãe.

Às vezes ainda se pergunta a uma gestante: “Quando é que você vai ter a criança?”. Ora, durante a gravidez, a mulher já tem a criança; aliás, nunca a terá tão perto de si quanto nessa fase da vida. O nascimento fará com que aquela criança que ela já tem possa ser contemplada e carregada ao colo pelos outros. Dar à luz, em vez de ter, é entregar.
Usa-se dizer também que a gestante está “esperando neném”. Na verdade, a mulher só estava “esperando” o neném antes de engravidar. Iniciada a gravidez, o bebê já está presente. A única coisa que ela espera (como evento futuro) é o nascimento do bebê.
O mais veemente, porém, de todos os sintomas que denunciam a não consideração da vida intrauterina está em afirmações como esta: “Este bebê nasceu ontem. Só tem um dia de vida”. Ora, se ele nasceu ontem, tem cerca de nove meses de vida intrauterina e mais um dia de vida extrauterina. Mas a frase dá a entender que a vida só se iniciou quando ele nasceu.
É comum que, durante a gestação, os pais indaguem sobre o futuro do bebê: “Será que vai gostar do berço que preparamos? Qual será sua profissão? Vai crescer até que altura?”. Mas não tem cabimento perguntar: “Será que vai ser um menino?”, pois o sexo é um dado biológico presente desde a concepção. O correto seria dizer: “Será que ele é um menino?”.
Os abortistas nunca usam a palavra “criança” para designar o nascituro. Costumam dizer que o “feto” é apenas “um ente humano em potencial”. Devemos responder dizendo que “a criança por nascer” (melhor do que “feto”) já é um ente humano, mas com um grande potencial. Ela não é um ente “pré-humano” nem “subumano”. Já é verdadeiramente humana, mas tem o potencial para crescer e realizar grandes coisas, com a graça de Deus.
Os que defendem o aborto costumam dizer que, ao abortar, a gestante impediria que “viesse ao mundo” uma criança deficiente, infeliz e destinada a sofrer. Devemos responder dizendo que a criança por nascer já está no mundo, dentro do útero. Abortar significar matar essa criança que já está presente e viva.
Os defensores da vida devem tomar um cuidado especial em evitar a expressão “planejamento familiar”. Jorge Scala, em sua obra “IPPF: a multinacional da morte”, esclarece que esse termo nada mais é que um eufemismo para “controle de natalidade”, não havendo nenhuma diferença essencial entre ambos. “Planejamento familiar” é usado para designar o aborto, a esterilização e qualquer forma de anticoncepção. Isso é muito importante, pois não faltam pessoas bem intencionadas que se declaram contrárias ao “controle de natalidade”, mas favoráveis ao “planejamento familiar”. Há até católicos que dizem que a Igreja defende o “planejamento familiar natural” ou que aceita os métodos naturais de “planejamento familiar” (sic).
Essa confusão terminológica é grave. Quem lê os documentos oficiais da Igreja sobre a regulação da fecundidade nunca encontra o termo “planejamento familiar”. Pode-se em vão procurar essa expressão na encíclica “Humanae Vitae” (Paulo VI, 1968), nos documentos do Concílio Vaticano II (1962-65), na exortação apostólica “Familiaris Consortio” (João Paulo II, 1981), na encíclica “Evangelium Vitae” (João Paulo II, 1995) ou no Catecismo da Igreja Católica (1992). A expressão tampouco aparece no “Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral relacionados com a vida conjugal” (Pontifício Conselho para a Família, 1997), que trata especificamente do tema da anticoncepção.
De fato, a expressão “planejamento familiar” (”family planning”) foi empregada após a Segunda Guerra Mundial, depois de vencido e desmoralizado o nazismo, para substituir “controle de natalidade” (”birth control”). O objetivo foi, única e exclusivamente, mascarar o caráter eugenésico e coativo da anticoncepção, da esterilização e do aborto, bandeiras defendidas pela IPPF (“Federação Internacional de Planejamento Familiar”) e seus aliados. Há, no entanto, uma legião de inocentes úteis que, com a melhor das intenções, usam o termo “planejamento familiar” para designar a continência periódica praticada pelo casal quando há razões graves para espaçar a geração de filhos.
Ao contrário, o termo “paternidade responsável” é genuinamente cristão. Aparece na Encíclica “Humanae Vitae” (n.º 10, Paulo VI, 1968), e já havia sido usado implicitamente no Concílio Vaticano II (Constituição Pastoral Gaudium et Spes n.º 50-51). É empregado em praticamente todos os documentos eclesiais que tratam da procriação humana. Tem um significado positivo, de abrir-se à geração de uma prole numerosa e, excepcionalmente, quando houver razões graves, de usar da continência periódica para evitar uma nova gravidez. Esse é o ensinamento perene contido na histórica encíclica de Paulo VI: a “Humanae Vitae” (n.º 10).

A seguir, uma pequena tabela de palavras, expressões e argumentos úteis à causa pró-aborto comparada com outras, adequadas à causa pró-vida:

LINGUAGEM PRÓ-ABORTO
LINGUAGEM PRÓ-VIDA
   Feto, embrião, concepto, produto conceptual.
   Bebê, criança, nascituro.
   Um ente humano em potencial
   Um ente humano com um grande potencial
   Ter neném, ganhar neném, tornar-se mãe.
   Dar à luz.
   Esperar neném.
   Esperar o nascimento do neném.
   Será que ele vai ser um menino?
   Será que ele é um menino?
   Parabéns à futura mamãe!
   Parabéns à mamãe!
   Ele só tem um dia de vida!
   Ele só tem um dia de nascido!
   Hoje completei 40 anos de vida.
   Hoje completei 40 anos de vida extrauterina. Hoje completei 40 anos de nascido.
   Interromper a gravidez.
   Matar a criança.
   Impedir que venha ao mundo uma criança deficiente.
   Matar uma criança deficiente que já está no mundo.
   Fazer planejamento familiar.
   Praticar a continência periódica.
   Oferecer educação sexual.
   Oferecer educação para a castidade.
   O aborto só pode ser admitido como meio para salvar a vida da gestante.
   O aborto nunca pode ser admitido, nem como fim, nem como meio. A morte do inocente pode às vezes ser tolerada como um segundo efeito de um ato bom.
   O aborto é permitido por lei em dois casos: se não há outro meio para salvar a vida da gestante e se a gravidez resulta de estupro (art. 128, Código Penal).
   O aborto é proibido por lei em todos os casos. A pena não é aplicada em dois casos, após o fato já praticado, mas não há permissão prévia para abortar.
   Um juiz pode dar autorização para abortar. Então o aborto se torna legal.
   Se um juiz der “autorização” para abortar, ele se torna coautor do crime de aborto.

Fonte: Pró-vida de Anápolis
 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Borboleta e o Cavalinho


A Borboleta e o Cavalinho


"Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar." Sl 41:9

Esta é a história de duas criaturas de Deus que viviam numa floresta distante há muitos anos atrás. Eram elas, um cavalinho e uma borboleta. Na verdade, não tinham praticamente nada em comum, mas em certo momento de suas vidas se aproximaram e criaram um elo.

A borboleta era livre, voava por todos os cantos da floresta enfeitando a paisagem. Já o cavalinho, tinha grandes limitações, não era bicho solto que pudesse viver entregue á natureza. Nele, certa vez, foi colocado um cabresto por alguém que visitou a floresta e a partir daí sua liberdade foi cortada. A borboleta, no entanto, embora tivesse a amizade de muitos outros animais e a liberdade de voar por toda a floresta gostava de fazer companhia ao cavalinho, agradava-lhe ficar ao seu lado e não era por pena, era por companheirismo, afeição, dedicação e carinho. Assim, todos os dias, ia visitá-lo e lá chegando levava sempre um coice, depois então um sorriso. Entre um e outro ela optava por esquecer o coice e guardar dentro do seu coração o sorriso. Sempre o cavalinho insistia com a borboleta que lhe ajudasse a carregar o seu cabresto por causa do seu enorme peso. Ela, muito carinhosamente, tentava de todas as formas ajudá-lo, mas isso nem sempre era possível por ser ela uma criaturinha tão frágil.
Os anos se passaram e numa manhã de verão a borboleta não apareceu para visitar o seu companheiro. Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto. E vieram outras manhãs e mais outras e milhares de outras, até que chegou o inverno e o cavalinho sentiu-se só e finalmente percebeu a ausência da borboleta. Resolveu então sair do seu canto e procurar por ela.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou. Cansado se deitou embaixo de uma árvore. Logo em seguida um elefante se aproximou e lhe perguntou quem era ele e o que fazia por ali.

- Eu sou o cavalinho do cabresto e estou a procura de uma borboleta que sumiu.
- Ah, é você então o famoso cavalinho?

- Famoso, eu?

- É que eu tive uma grande amiga que me disse que também era sua amiga e falava muito bem de você.

- Mas afinal, qual borboleta que você está procurando?

- É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando todos os animais amigos.

- Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando. Não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo.

- Morreu? Como foi isso?
- Dizem que ela conhecia, aqui na floresta, um cavalinho, assim como você e todos os dias quando ela ia visitá-lo, ele dava-lhe um coice. Ela sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam a ela quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou a ninguém. Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só ia falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã e era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento.

- Não chore meu amigo, sei o quanto você deve estar sofrendo. Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas entenda, foram tantos os coices que ela recebeu desse outro cavalinho, que ela acabou perdendo as asinhas, depois ficou muito doente, triste e sucumbiu e morreu.

- E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

- Não, todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: Não perturbem meu amigo com coisas pequenas, ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver. Carrega no seu dorso um cabresto, então será cansativo demais pra ele vir até aqui."

"ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão." Gl 5:1

Que o Senhor nos abençõe.

Graça e Paz!!!
Pe. Luiz Gilderlane

Oração matinal rezando com todos os internautas,




Oração matinal rezando com todos os internautas,
a Oração do bem-aventurado Alberione:

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo Amém!

A vós, Espírito santificador consagra a minha vontade;
guiai-me na vontade de Deus.

Leio, na Bíblia, o texto do dia: (Mt 15,1-2.10-14).

A pureza legal dos fariseus e escribas pretendia medir
o valor de uma doutrina e sua prática.
Sobre isto eles questionam Jesus.
Jesus se serve deste questionamento para
expor com clareza o seu ensinamento.
"O que torna alguém impuro não é o que entra pela boca,
mas o que sai da boca, isso é que o torna impuro".
Isto deixou indignados os fariseus, como perceberam
os discípulos. E o Mestre diz que eles "são cegos guiando cegos".
Oração

Pai, aproxima-me de Jesus de quem brota a salvação e a vida,
para que eu possa ser curado do egoísmo que me impede
de fazer o bem ao próximo. A partir da prática de Jesus, vou viver hoje
com coerência cristã e rejeitar toda hipocrisia.
Bênção

Que Deus todo poderoso repouse sobre teus ombros
e proteja todos os teus passos.

Que o Filho de Maria habite em teu Coração
e que o Espírito Santo se derrame sobre nós Amém!
Deus te abençoe!
Pe. Luiz Gilderlane

tristeza...

Por mais que lhe falem da tristeza...
prossiga Sorrindo.
Por mais que lhe demonstrem rancor...
prossiga Perdoando.
Por mais que lhe tragam decepções...
prossiga Confiando.
Por mais que o ameacem de fracasso...
prossiga apostando na Vitória.
Por mais que lhe apontem erros...
prossiga com os seus Acertos.

O amor e o tempo


O amor e o tempo

Em uma ilha moravam a Alegria, a Tristeza, a Riqueza, a Vaidade, a Sabedoria e o Amor.

Um dia, avisaram ao Amor que a ilha seria inundada e logo cuidou de avisar a todos.

Todos correram para os seus barcos, buscando local mais alto e mais seguro. Somente o Amor desejou ficar mais um pouquinho naquela ilha que tanto amava e que iria desaparecer.
Só quando a ilha já estava sendo inundada foi que o Amor se deu conta do perigo e para pedir ajuda.

A Riqueza vinha passandono seu barco suntuoso e o Amor pediu:
-Leva-me contigo, Riqueza.

A Riqueza respondeu:
-Não posso. Meu barco está cheio de ouro e prata. Não tem lugar para ti.

Daqui a pouco, se aproximou a Vaidade.

E o Amor suplicou:
-Vaidade, salva-me, por favor!

E a Vaidade respondeu:
-Não posso. Tu estás molhado e vais molhar o meu barco.

Logo após veio a Tristeza, remando seu pesado e escuro barco.

E o Amor implorou aflito:
-Tristeza, ajuda-me!

A Tristeza respondeu:
-Não posso. Estou triste demais. Preciso ficar sozinha.

Em seguida passou a Alegria que nem notou a angústia do Amor.
O Amor já estava se afogando quando se aproximou da ilha um velhinho remando um barco muito antigo.O velhinho disse para o Amor:
-Sobe Amor. Vou te levar pra um local seguro.
O Amor subiu no barco.

Quando chegou no monte onde já estavam os demais sentimentos, alegre e feliz.
Desceu rápido para abraçar a todos e se esqueceu de agradecer ao seu benfeitor. O velhinho seguiu adiante remando tranquilo o seu velho barco.
Só então o Amor perguntou a Sabedoria, que a tudo observava sorrindo:

-Sabedoria, que é aquele velhinho tão calmo e humilde que me salvou.
E a Sabedoria, serena como sempre, respondeu:

-Aquele velhinho é o Tempo. Só o Tempo é capaz de fazer nascer, entender e salvar o Amor.

Escrito por: Jennifer

Que Deus ...

Nem tudo é fácil





É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. 

É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. 

É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. 

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. 

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. 

É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo. 

Se você errou, peça desculpas... 

É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado? 

Se alguém errou com você, perdoa-o... 

É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? 

Se você sente algo, diga... 

É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar 

alguém que queira escutar? 

Se alguém reclama de você, ouça... 

É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o...

É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz? 

Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível 

Precisamos acreditar, ter fé e lutar 

para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos, 

realidade!!!
Cecília Meireles


Deus te abençoe!!
Pe. Luiz Gilderlane

terça-feira, 12 de junho de 2012

Arquidiocese de Fortaleza




DATAS IMPORTANTES

1607 - Chegada dos primeiros missionários jesuítas. Padre Francisco Pinto e padre Luís Figueira. 1608 - Fundação do primeiro aldeamento missionário da Ibiapaba - Aldeia de São Lourenço e martírio do padre Francisco Pinto.

1611 - Chegada do padre Baltazar João Correia junto com a expedição de Martim Soares Moreno.

1649 - Estabelecimento de uma missão protestante, aos cuidados do pastor inglês Tomás Kemp durante a segunda tentativa de ocupação holandesa.

1654 - Martírio do pastor Tomás Kemp na revolta indígena que sucedeu a expulsão da Companhia das Índias Ocidentais do Recife.

1656 - Os jesuítas Pedro Pedrosa e Antonio Ribeiro retomam a evangelização dos índios do Ceará. Seu principal objetivo era apagar qualquer traço da influência protestante entre os índios. 1660 - O padre Antônio Vieira visita pessoalmente a Ibiapaba.

1758 - A Companhia de Jesus é expulsa do Brasil por ordem do Marquês de Pombal. As aldeias jesuítas do Ceará, entre elas os atuais bairros de Parangaba, Messejana, e as cidades de Caucaia, Viçosa, Baturité entre outras, passam à categoria de Vilas Reais.

1853 - Lei Geral nº 693 autoriza o governo imperial a solicitar da Santa Sé a criação do bispado do Ceará, desmembrado do bispado de Olinda.

1859 - O padre Luís Antônio dos Santos é nomeado primeiro bispo do Ceará. 1861 - Instalação do bispado e posse do primeiro bispo.

1864 - Fundação do Seminário da Prainha.

1870 - A Igreja do Ceará participa, pela primeira vez, de um Concílio Ecumênico, na pessoa de dom Luís Antonio dos Santos (Concílio Vaticano I)

1881 - Chegada do missionário presbiteriano, Rev. De Lacy Wordlaw.

1889 - Acontecem os primeiros fenômenos religiosos em Juazeiro envolvendo o padre Cícero Romão Batista.

1914 - Elevação da diocese do Ceará à categoria de arquidiocese. Criação da diocese do Crato. 1915 - Criação da diocese de Sobral.

1938 - Criação da diocese de Limoeiro.

1961 - Criação da diocese de Iguatu.

1964 - Criação da diocese de Crateús.

1971 - Criação das dioceses de Quixadá, Tianguá e Itapipoca.

1973 - Nomeação de dom Aloísio Lorscheider para arcebispo de Fortaleza.

1976 - Dom Aloísio é criado e publicado cardeal pelo papa Paulo VI

1978 - Dom Aloísio é o primeiro bispo do Ceará a participar de dois conclaves.

1980 - O papa João Paulo II visita o Ceará.

1995 - Dom Aloísio pede transferência para a arquidiocese de Aparecida por motivos de saúde. 1996 - Dom Cláudio Hummes é nomeado arcebispo de Fortaleza.

1998 - Dom Cláudio é transferido para a arquidiocese de São Paulo.

1999 - Nomeação de dom José Antônio.

DADOS COMPLEMENTARES

Situação geográfica

A Arquidiocese de Fortaleza está situada no Centro Norte do Ceará. Limites:

Oceano Atlântico, e Dioceses de Limoeiro do Norte (Ce), Sobral (Ce) e Itapipoca (Ce).MunicípiosAcarape, Aquiraz, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Beberibe, Canindé, Caridade, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Guaramiranga, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Morada Nova, Mulungu, Ocara, Pacajus, Pacatuba, Pacoti, Palmácia, Poranga, Pindoretama, Redenção, São Gonçalo do Amarante.

Superfície15.349,6 Km2

População3.273.975 hab (IBGE 1999)

Densidade Demográfica213,3 hab/km2

segunda-feira, 11 de junho de 2012

JEJUM, O ALIMENTO QUE SACIA A FOME DE DEUS




Até há alguns anos, todos os católicos aprendiam, quando crianças, os cinco mandamentos da Igreja. Um deles tem a seguinte formulação: “Jejuar e abster-se de carne conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Escrevi “até há alguns anos”, porque após as reformas litúrgicas acontecidas na segunda metade do século passado, a situação não ficou sempre clara na mente de muitos católicos. A maioria que ainda acredita no valor da penitência, pensa que os dias de jejum e abstinência de carne foram reduzidos a apenas dois: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. Jejum, para quem está entre os 18 e os 60 anos; abstinência, para os que superaram os catorze anos.
Contudo, não é bem isso que prescreve o Código de Direito Canônico, sancionado pelo Papa João Paulo II, em 1983: “Os dias e tempos penitenciais, em toda a Igreja, são todas as sextas-feiras do ano e o tempo de Quaresma” (Cân. 1250).
Em 1986, a “Legislação Complementar” ao Código de Direito Canônico, redigida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, retomou e detalhou a orientação dada pela Santa Sé: “Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação, nestes dias, na Sagrada Liturgia”.
Qual o sentido e o valor de normas como estas, em pleno século XXI? A resposta é simples: aumenta cada vez mais o número de médicos e psicólogos que olham para o jejum e a abstinência como uma das melhores terapias para a saúde física e mental. Não apenas a obesidade, mas principalmente a ansiedade e a depressão crescem e matam quando se tenta superar o vazio existencial pelos três ídolos da modernidade: o ter, o prazer e o poder.
Quem realiza o ser humano é sempre e somente o amor, o qual, quando verdadeiro, vem de Deus, é gratuito, busca o bem da pessoa amada e liberta quem o vive. Em contrapartida, ele não passa de uma máscara se não se percorre um caminho de conversão e santidade. É precisamente esta a função da penitência, do jejum e da abstinência. Com eles, o que se verifica é um salto de qualidade na vida da pessoa, libertando-a das amarras e dos pesos que a impedem de captar os apelos de Deus e dos irmãos. Se o alimento sacia a fome do corpo; o jejum sacia a fome da alma.
Como toda disciplina, o autodomínio na comida e na bebida acaba sendo também uma vitória sobre a cultura do consumo e do materialismo – que, aliás, não é de hoje, se já o salmista a detectava em seu tempo: “Não dura muito tempo o homem rico e poderoso; é semelhante ao gado gordo que se abate. Este é o fim do que espera estultamente, o fim daqueles que se alegram com sua sorte: são um rebanho recolhido ao cemitério, e a própria morte é o pastor que os apascenta; são empurrados e deslizam para o abismo” (Sl 49, 13-15).
O verdadeiro jejum, porém, vai muito além... da comida e da bebida. Se “a lei e os profetas se resumem no amor a Deus e ao próximo” (Mt 22, 40), para o jejum não é diferente. É o que assevera o próprio Deus, através do profeta Isaías: “O jejum que prefiro é este: acabar com as prisões injustas, libertar os oprimidos, romper com a escravidão, repartir o pão com o faminto, acolher os pobres e peregrinos, vestir os nus e não se fechar à própria gente. Se assim você fizer, a sua luz brilhará como a aurora, suas feridas sararão rapidamente, e quando você invocar o Senhor, ele o atenderá; você pedirá socorro e ele dirá: Eis-me aqui.” (Is 58, 6-9)
Para acolher e viver o amor de Deus, o coração precisa estar limpo e livre. É esse o papel que Santo Agostinho atribui ao jejum: “O vazio precisa ficar cheio. Você conseguirá se encher de bens se se esvaziar do mal. Suponha que Deus queira enchê-lo de mel. Se você estiver cheio de vinagre, onde ficará o mel? É preciso jogar fora o conteúdo do jarro e limpá-lo, ainda que com esforço, esfregando-o, para que possa servir a outro fim. Pode ser mel, ouro, vinho, tudo o que dissermos e quisermos, mas, no fundo, há sempre uma realidade indizível, que se chama Deus. Dizendo Deus, o que dissemos? Esta única sílaba é toda a nossa expectativa. Tudo o que conseguimos dizer, fica sempre aquém da realidade. Dilatemo-nos para Ele, e Ele, quando vier, encher-nos-á. Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é.

D. Redovino Rizzardo, cs

 Deus te abençoe!
Pe. Luiz Gilderlane.