quarta-feira, 20 de junho de 2012

VOCÊ FALA UMA LINGUAGEM PRÓ-VIDA OU PRÓ-ABORTO? SAIBA DISTINGUIR.


Tende-se, às vezes inconscientemente, a pensar na criança no ventre materno como um ente que ainda não existe, que ainda não vive, que ainda não é pessoa. Isso é denunciado na linguagem coloquial. Pergunta-se a uma mulher grávida: “quando é que você vai ser mãe?”. Ora, se ela está grávida, ela já é mãe. A maternidade não é futura e incerta, mas presente e certa.

Quando Santa Isabel, “cheia do Espírito Santo” (Lc 1, 41) ouviu a saudação da Virgem Maria, exclamou: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc 1, 43). Note-se que ela não chamou a visitante de “futura mãe do meu Senhor”, mas de “mãe do meu Senhor”. Jesus ainda não havia nascido, mas Maria Santíssima já era sua mãe.

Às vezes ainda se pergunta a uma gestante: “Quando é que você vai ter a criança?”. Ora, durante a gravidez, a mulher já tem a criança; aliás, nunca a terá tão perto de si quanto nessa fase da vida. O nascimento fará com que aquela criança que ela já tem possa ser contemplada e carregada ao colo pelos outros. Dar à luz, em vez de ter, é entregar.
Usa-se dizer também que a gestante está “esperando neném”. Na verdade, a mulher só estava “esperando” o neném antes de engravidar. Iniciada a gravidez, o bebê já está presente. A única coisa que ela espera (como evento futuro) é o nascimento do bebê.
O mais veemente, porém, de todos os sintomas que denunciam a não consideração da vida intrauterina está em afirmações como esta: “Este bebê nasceu ontem. Só tem um dia de vida”. Ora, se ele nasceu ontem, tem cerca de nove meses de vida intrauterina e mais um dia de vida extrauterina. Mas a frase dá a entender que a vida só se iniciou quando ele nasceu.
É comum que, durante a gestação, os pais indaguem sobre o futuro do bebê: “Será que vai gostar do berço que preparamos? Qual será sua profissão? Vai crescer até que altura?”. Mas não tem cabimento perguntar: “Será que vai ser um menino?”, pois o sexo é um dado biológico presente desde a concepção. O correto seria dizer: “Será que ele é um menino?”.
Os abortistas nunca usam a palavra “criança” para designar o nascituro. Costumam dizer que o “feto” é apenas “um ente humano em potencial”. Devemos responder dizendo que “a criança por nascer” (melhor do que “feto”) já é um ente humano, mas com um grande potencial. Ela não é um ente “pré-humano” nem “subumano”. Já é verdadeiramente humana, mas tem o potencial para crescer e realizar grandes coisas, com a graça de Deus.
Os que defendem o aborto costumam dizer que, ao abortar, a gestante impediria que “viesse ao mundo” uma criança deficiente, infeliz e destinada a sofrer. Devemos responder dizendo que a criança por nascer já está no mundo, dentro do útero. Abortar significar matar essa criança que já está presente e viva.
Os defensores da vida devem tomar um cuidado especial em evitar a expressão “planejamento familiar”. Jorge Scala, em sua obra “IPPF: a multinacional da morte”, esclarece que esse termo nada mais é que um eufemismo para “controle de natalidade”, não havendo nenhuma diferença essencial entre ambos. “Planejamento familiar” é usado para designar o aborto, a esterilização e qualquer forma de anticoncepção. Isso é muito importante, pois não faltam pessoas bem intencionadas que se declaram contrárias ao “controle de natalidade”, mas favoráveis ao “planejamento familiar”. Há até católicos que dizem que a Igreja defende o “planejamento familiar natural” ou que aceita os métodos naturais de “planejamento familiar” (sic).
Essa confusão terminológica é grave. Quem lê os documentos oficiais da Igreja sobre a regulação da fecundidade nunca encontra o termo “planejamento familiar”. Pode-se em vão procurar essa expressão na encíclica “Humanae Vitae” (Paulo VI, 1968), nos documentos do Concílio Vaticano II (1962-65), na exortação apostólica “Familiaris Consortio” (João Paulo II, 1981), na encíclica “Evangelium Vitae” (João Paulo II, 1995) ou no Catecismo da Igreja Católica (1992). A expressão tampouco aparece no “Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral relacionados com a vida conjugal” (Pontifício Conselho para a Família, 1997), que trata especificamente do tema da anticoncepção.
De fato, a expressão “planejamento familiar” (”family planning”) foi empregada após a Segunda Guerra Mundial, depois de vencido e desmoralizado o nazismo, para substituir “controle de natalidade” (”birth control”). O objetivo foi, única e exclusivamente, mascarar o caráter eugenésico e coativo da anticoncepção, da esterilização e do aborto, bandeiras defendidas pela IPPF (“Federação Internacional de Planejamento Familiar”) e seus aliados. Há, no entanto, uma legião de inocentes úteis que, com a melhor das intenções, usam o termo “planejamento familiar” para designar a continência periódica praticada pelo casal quando há razões graves para espaçar a geração de filhos.
Ao contrário, o termo “paternidade responsável” é genuinamente cristão. Aparece na Encíclica “Humanae Vitae” (n.º 10, Paulo VI, 1968), e já havia sido usado implicitamente no Concílio Vaticano II (Constituição Pastoral Gaudium et Spes n.º 50-51). É empregado em praticamente todos os documentos eclesiais que tratam da procriação humana. Tem um significado positivo, de abrir-se à geração de uma prole numerosa e, excepcionalmente, quando houver razões graves, de usar da continência periódica para evitar uma nova gravidez. Esse é o ensinamento perene contido na histórica encíclica de Paulo VI: a “Humanae Vitae” (n.º 10).

A seguir, uma pequena tabela de palavras, expressões e argumentos úteis à causa pró-aborto comparada com outras, adequadas à causa pró-vida:

LINGUAGEM PRÓ-ABORTO
LINGUAGEM PRÓ-VIDA
   Feto, embrião, concepto, produto conceptual.
   Bebê, criança, nascituro.
   Um ente humano em potencial
   Um ente humano com um grande potencial
   Ter neném, ganhar neném, tornar-se mãe.
   Dar à luz.
   Esperar neném.
   Esperar o nascimento do neném.
   Será que ele vai ser um menino?
   Será que ele é um menino?
   Parabéns à futura mamãe!
   Parabéns à mamãe!
   Ele só tem um dia de vida!
   Ele só tem um dia de nascido!
   Hoje completei 40 anos de vida.
   Hoje completei 40 anos de vida extrauterina. Hoje completei 40 anos de nascido.
   Interromper a gravidez.
   Matar a criança.
   Impedir que venha ao mundo uma criança deficiente.
   Matar uma criança deficiente que já está no mundo.
   Fazer planejamento familiar.
   Praticar a continência periódica.
   Oferecer educação sexual.
   Oferecer educação para a castidade.
   O aborto só pode ser admitido como meio para salvar a vida da gestante.
   O aborto nunca pode ser admitido, nem como fim, nem como meio. A morte do inocente pode às vezes ser tolerada como um segundo efeito de um ato bom.
   O aborto é permitido por lei em dois casos: se não há outro meio para salvar a vida da gestante e se a gravidez resulta de estupro (art. 128, Código Penal).
   O aborto é proibido por lei em todos os casos. A pena não é aplicada em dois casos, após o fato já praticado, mas não há permissão prévia para abortar.
   Um juiz pode dar autorização para abortar. Então o aborto se torna legal.
   Se um juiz der “autorização” para abortar, ele se torna coautor do crime de aborto.

Fonte: Pró-vida de Anápolis
 

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