VOCÊ FALA UMA LINGUAGEM PRÓ-VIDA OU PRÓ-ABORTO? SAIBA DISTINGUIR.
Tende-se,
às vezes inconscientemente, a pensar na criança no ventre materno como
um ente que ainda não existe, que ainda não vive, que ainda não é
pessoa. Isso é denunciado na linguagem coloquial. Pergunta-se a uma
mulher grávida: “quando é que você vai ser mãe?”. Ora, se ela está
grávida, ela já é mãe. A maternidade não é futura e incerta, mas
presente e certa.
Quando Santa Isabel, “cheia do Espírito Santo” (Lc 1, 41) ouviu a saudação da Virgem Maria, exclamou: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc 1, 43). Note-se que ela não chamou a visitante de “futura mãe do meu Senhor”, mas de “mãe do meu Senhor”. Jesus ainda não havia nascido, mas Maria Santíssima já era sua mãe.
Às
vezes ainda se pergunta a uma gestante: “Quando é que você vai ter a
criança?”. Ora, durante a gravidez, a mulher já tem a criança; aliás,
nunca a terá tão perto de si quanto nessa fase da vida. O nascimento
fará com que aquela criança que ela já tem possa ser contemplada e
carregada ao colo pelos outros. Dar à luz, em vez de ter, é entregar.
Usa-se
dizer também que a gestante está “esperando neném”. Na verdade, a
mulher só estava “esperando” o neném antes de engravidar. Iniciada a
gravidez, o bebê já está presente. A única coisa que ela espera (como
evento futuro) é o nascimento do bebê.
O
mais veemente, porém, de todos os sintomas que denunciam a não
consideração da vida intrauterina está em afirmações como esta: “Este
bebê nasceu ontem. Só tem um dia de vida”. Ora, se ele nasceu ontem, tem
cerca de nove meses de vida intrauterina e mais um dia de vida
extrauterina. Mas a frase dá a entender que a vida só se iniciou quando
ele nasceu.
É
comum que, durante a gestação, os pais indaguem sobre o futuro do bebê:
“Será que vai gostar do berço que preparamos? Qual será sua profissão?
Vai crescer até que altura?”. Mas não tem cabimento perguntar: “Será que
vai ser um menino?”, pois o sexo é um dado biológico presente desde a
concepção. O correto seria dizer: “Será que ele é um menino?”.
Os
abortistas nunca usam a palavra “criança” para designar o nascituro.
Costumam dizer que o “feto” é apenas “um ente humano em potencial”.
Devemos responder dizendo que “a criança por nascer” (melhor do que
“feto”) já é um ente humano, mas com um grande potencial. Ela não é um
ente “pré-humano” nem “subumano”. Já é verdadeiramente humana, mas tem o
potencial para crescer e realizar grandes coisas, com a graça de Deus.
Os
que defendem o aborto costumam dizer que, ao abortar, a gestante
impediria que “viesse ao mundo” uma criança deficiente, infeliz e
destinada a sofrer. Devemos responder dizendo que a criança por nascer
já está no mundo, dentro do útero. Abortar significar matar essa criança
que já está presente e viva.
Os
defensores da vida devem tomar um cuidado especial em evitar a
expressão “planejamento familiar”. Jorge Scala, em sua obra “IPPF: a
multinacional da morte”, esclarece que esse termo nada mais é que um
eufemismo para “controle de natalidade”, não havendo nenhuma diferença
essencial entre ambos. “Planejamento familiar” é usado para designar o
aborto, a esterilização e qualquer forma de anticoncepção. Isso é muito
importante, pois não faltam pessoas bem intencionadas que se declaram
contrárias ao “controle de natalidade”, mas favoráveis ao “planejamento
familiar”. Há até católicos que dizem que a Igreja defende o
“planejamento familiar natural” ou que aceita os métodos naturais de
“planejamento familiar” (sic).
Essa
confusão terminológica é grave. Quem lê os documentos oficiais da
Igreja sobre a regulação da fecundidade nunca encontra o termo
“planejamento familiar”. Pode-se em vão procurar essa expressão na
encíclica “Humanae Vitae” (Paulo VI, 1968), nos documentos do Concílio
Vaticano II (1962-65), na exortação apostólica “Familiaris Consortio”
(João Paulo II, 1981), na encíclica “Evangelium Vitae” (João Paulo II,
1995) ou no Catecismo da Igreja Católica (1992). A expressão tampouco
aparece no “Vade-mécum para os confessores sobre alguns temas de moral
relacionados com a vida conjugal” (Pontifício Conselho para a Família,
1997), que trata especificamente do tema da anticoncepção.
De
fato, a expressão “planejamento familiar” (”family planning”) foi
empregada após a Segunda Guerra Mundial, depois de vencido e
desmoralizado o nazismo, para substituir “controle de natalidade”
(”birth control”). O objetivo foi, única e exclusivamente, mascarar o
caráter eugenésico e coativo da anticoncepção, da esterilização e do
aborto, bandeiras defendidas pela IPPF (“Federação Internacional de
Planejamento Familiar”) e seus aliados. Há, no entanto, uma legião de
inocentes úteis que, com a melhor das intenções, usam o termo
“planejamento familiar” para designar a continência periódica praticada
pelo casal quando há razões graves para espaçar a geração de filhos.
Ao
contrário, o termo “paternidade responsável” é genuinamente cristão.
Aparece na Encíclica “Humanae Vitae” (n.º 10, Paulo VI, 1968), e já
havia sido usado implicitamente no Concílio Vaticano II (Constituição
Pastoral Gaudium et Spes n.º 50-51). É empregado em praticamente todos
os documentos eclesiais que tratam da procriação humana. Tem um
significado positivo, de abrir-se à geração de uma prole numerosa e,
excepcionalmente, quando houver razões graves, de usar da continência
periódica para evitar uma nova gravidez. Esse é o ensinamento perene
contido na histórica encíclica de Paulo VI: a “Humanae Vitae” (n.º 10).
A
seguir, uma pequena tabela de palavras, expressões e argumentos úteis à
causa pró-aborto comparada com outras, adequadas à causa pró-vida:
LINGUAGEM PRÓ-ABORTO
|
LINGUAGEM PRÓ-VIDA
|
Feto, embrião, concepto, produto conceptual.
|
Bebê, criança, nascituro.
|
Um ente humano em potencial
|
Um ente humano com um grande potencial
|
Ter neném, ganhar neném, tornar-se mãe.
|
Dar à luz.
|
Esperar neném.
|
Esperar o nascimento do neném.
|
Será que ele vai ser um menino?
|
Será que ele é um menino?
|
Parabéns à futura mamãe!
|
Parabéns à mamãe!
|
Ele só tem um dia de vida!
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Ele só tem um dia de nascido!
|
Hoje completei 40 anos de vida.
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Hoje completei 40 anos de vida extrauterina. Hoje completei 40 anos de nascido.
|
Interromper a gravidez.
|
Matar a criança.
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Impedir que venha ao mundo uma criança deficiente.
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Matar uma criança deficiente que já está no mundo.
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Fazer planejamento familiar.
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Praticar a continência periódica.
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Oferecer educação sexual.
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Oferecer educação para a castidade.
|
O aborto só pode ser admitido como meio para salvar a vida da gestante.
|
O
aborto nunca pode ser admitido, nem como fim, nem como meio. A morte do
inocente pode às vezes ser tolerada como um segundo efeito de um
ato bom.
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O aborto é permitido por lei em dois casos: se não há outro meio para
salvar a vida da gestante e se a gravidez resulta de estupro (art. 128,
Código Penal).
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O
aborto é proibido por lei em todos os casos. A pena não é aplicada em
dois casos, após o fato já praticado, mas não há permissão prévia para
abortar.
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Um juiz pode dar autorização para abortar. Então o aborto se torna legal.
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Se um juiz der “autorização” para abortar, ele se torna coautor do crime de aborto.
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Fonte: Pró-vida de Anápolis
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