segunda-feira, 15 de abril de 2013

A multidão segue Jesus por causa dos sinais em favor dos doentes


Comentário baseado no Evangelho de Jo 6,1-15




O relato da multiplicação dos pães, nós o encontramos também na tradição sinótica (Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Lc 9,10-17). A multidão segue Jesus por causa dos sinais que ele realizava em favor dos doentes. O sinal, por sua própria natureza, é ambíguo; precisa sempre ser interpretado, pois remete a outra realidade, diferente daquela imediatamente percebida. Jesus denunciará a cegueira da multidão e o equívoco a que está imersa: “… vós me procurais não por terdes visto sinais, mas porque comestes pão e vos saciastes” (v. 26).
A multiplicação dos pães levou a multidão a considerar Jesus como o verdadeiro profeta, aquele que todos esperavam, desde longa data. O fato de ter alimentado uma imensa multidão, contando apenas com cinco pães de cevada e dois peixes, revelou-se como sinal inequívoco da messianidade de Jesus. Daí o desejo do povo de fazê-lo rei, na esperança de que todos os seus problemas fossem resolvidos da mesma forma eficiente e rápida, que acabavam de presenciar. Foi grande a expectativa criada em torno dele.
Todavia, Jesus não se deixou levar por tal raciocínio demasiado pragmático. O povo não havia entendido o sentido do milagre, uma vez que o consideravam apenas sob o aspecto material de superação da fome pela abundância de pão. O objetivo visado por Jesus era bem outro: ensinar a todos que a partilha fraterna é um sinal irrefutável da presença do Reino, acontecendo na história humana. Por outras palavras: a partilha é um imperativo na vida de quem aderiu ao Reino, fazendo dele o centro de sua vida. Ou seja, o milagre dependeu da postura interna de cada pessoa, e não somente da iniciativa de Jesus.
O Mestre é o verdadeiro profeta não porque multiplicou os pães de forma prodigiosa, à revelia das pessoas, e sim, porque abriu o coração humano para o amor, muito bem expresso na partilha dos bens.

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