quarta-feira, 6 de março de 2013

A Paciência não têm limites



Comentário baseado no Evangelho de Mt 18,21-35

O pronome possessivo “meu irmão”, presente na pergunta que Pedro dirige ao Mestre  explicita que se trata das relações entre os irmãos e irmãs da comunidade. O ensinamento está portanto na vida em comunidade e não fora, a meu ver algo bem mais difícil, pois a pessoa a quem devemos perdoar não é um estranho que nos ofendeu em uma ocasião, e que depois dificilmente iremos nos encontrar com ele. Certa vez um sujeito que eu não conhecia, me derrubou da bicicleta ao empurrar-me quando eu passei pedalando perto dele. Vim embora com os cotovelos ralados e foi fácil perdoá-lo, nunca mais o vi em minha vida.
O perdão a que se refere o evangelho é para aquela pessoa que se vê todo dia e que se convive na comunidade, na pastoral, na catequese, no ministério ou no movimento. E por que é muito mais difícil de perdoá-lo ? Porque cada vez que o vemos ao nosso lado ou á nossa frente, vamos lembrar sua falta pois o nosso subconsciente armazena muito bem os detalhes da ofensa recebida. Por isso, quando dizemos “Nem me lembro mais do mal que ele, ou ela, me fez”, estamos sendo no mínimo hipócritas.
Pedro exagerou ao colocar sete, como a quantia de vezes a ser perdoada, pois, com as pessoas mais próximas do relacionamento, como esposa ou parentes, perdoar três vezes estava de muito bom tamanho para os Judeus. Jesus não se deixa levar por números dessa matemática mesquinha e miserável na relação com os irmãos e irmãs de comunidade, mas procura mostrar, através da parábola, como Deus se relaciona com o Homem nessa questão.
Nas nossas comunidades há muitos relacionamentos que têm como parâmetro essa matemática de Pedro, quantas pessoas que desistem de viver em comunidade, porque chegou no limite da sua capacidade de amar e perdoar, passou de sete vezes e preferiu cair fora porque o padre, o diácono, o ministro ou seja lá quem for, é intragável e insuportável. Essas pessoas migram para outras Paróquias ou até Igrejas, na ilusão de que vão encontrar uma comunidade perfeita, com pessoas angelicais, de relações sempre harmoniosas. Na vida conjugal e familiar, que é também a pequena comunidade, casais de relações sólidas e testemunhos estupendos na vida cristã, de repente se separam, porque um deles passou dos limites, estourando a quota estabelecida, e o outro não aguentou.
O amor de Deus, sua misericórdia e paciência para com todos nós, é eterno, infinito e sem limites. O atestado de que somos todos Filhos e filhas de Deus, não está em algum carisma prodigioso ou em coisas fantásticas que somos capazes de fazer, mas sim em amar sinceramente as pessoas com quem convivemos na Igreja e na Família, aceitando-as do jeito que elas são, com suas fraquezas e defeitos, pois... É exatamente assim que DEUS NOS AMA!

Perdoar à medida da compaixão de Deus


Como parte do "discurso eclesiológico" (Mt 18), o texto de hoje apresenta o tema dominante de todo o discurso: o perdão. Não se trata de quantificar o perdão, mas de imitar a compaixão de Deus que perdoa toda dívida . A experiência, consciência e reconhecimento de ter sido perdoado por Deus, tem para o membro da comunidade uma implicação prática: perdoar.
Nesse sentido os versículos 32b-33 resumem o ensinamento da parábola: ". eu te perdoei toda a tua dívida, porque me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?".
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ATÉ QUANDO PERDOAR?


Conviver é uma arte. Não basta boa vontade e paciência para que o relacionamento interpessoal seja perfeito. Embora com todas as precauções, é grande a possibilidade de desentendimento entre pessoas amigas, e até mesmo entre cristãos convictos.
Entretanto, a questão não reside na ruptura, e sim, na disposição a refazer os laços de amizade rompidos. Ninguém pode garantir que uma única reconciliação seja suficiente para cimentá-los, para sempre. É possível que outras rupturas aconteçam, pelo mesmo motivo. A tendência humana é impor limites bem definidos a esta situação. "A paciência tem limite" - assim justificamos a ruptura definitiva.
O discípulo de Jesus defronta-se com a lição de perdoar, toda vez que for ofendido. É exortado a fazer frente a uma tendência humana muito forte, a de não perdoar. O motivo apresentado pelo Mestre é inquestionável: é assim que somos perdoados pelo Pai. Quem se julga tão fiel a Deus a ponto de estar seguro de jamais correr o risco de pecar? Só um insensato poderá ter tal pretensão.
Todos somos pecadores e precisamos do perdão de Deus. Da mesma forma, quando alguém precisar do nosso perdão, por respeito a Deus somos obrigados a concedê-lo. Trata-se de dar o que também recebemos.

Contrato de Exclusividade



Comentário baseado no Evangelho de Lc 4,24-30


Na Sinagoga de Nazaré, onde o evangelista Lucas faz questão de colocar Jesus no início da sua missão, o conflito com as lideranças da comunidade, acabou acontecendo porque perceberam que o Humilde Nazareno justificava a fama sobre a qual tinham ouvido falar.
Sua pregação era tocante e causava admiração nos ouvintes e além do mais, realizava prodígios, evidenciando ser mesmo um grande profeta como aqueles que o povo guardava na lembrança e no coração, por seus ditos e feitos.
Jesus percebe o que a comunidade e os seus conterrâneos querem dele: um contrato de exclusividade e ampliando a reflexão, era o que o povo Judeu também queria um Messias Libertador e Salvador, da sua raça e da sua gente.
A  Ação divina presente em Elias e Eliseu, dois profetas de renome, a favor de pessoas que não faziam parte do Povo Eleito, é lembrada por Jesus ao falar com a sua gente, enfatizando aí o caráter universal da Salvação.
A  Salvação Divina está disponível para toda humanidade, e não apenas a este ou aquele grupo, a esta ou aquela Igreja, o critério para te-la implica em uma abertura total ao Dom Salvívico que Deus oferece, a exclusividade não está em quem a recebe, mas sim naquele que a oferece: Jesus o Filho de Deus e nenhum outro! Aceitá-lo é abrir-se á Salvação, rejeitá-lo significa rejeitá-la.
A sua gente da pequena Nazaré não queria entender e aceitar essa Verdade de que Jesus é o portador da Salvação por Excelência, e quando suas palavras firmes de Profeta,  denuncia o particularismo religioso, eles se enfureceram e tentaram-no matar.
A pertença á Igreja Católica, através do Batismo, não nos dá exclusividade na Salvação pois, senão nos abrirmos á Graça Divina, diante dos “Sinais Sacramentais” que o Senhor realiza em nossa Igreja, vamos ficar na ilusão como os conterrâneos de Jesus, achando que “quem não ler na nossa cartilha, está fora da Salvação”

 Incredulidade dos concidadãos de Jesus


Nosso texto é parte do discurso programático de Jesus, na sinagoga de Nazaré (Lc 4,16-30). O versículo precedente (v. 23), no qual é dito, em forma proverbial, a incredulidade dos concidadãos de Jesus, é o que permite a citação dos fatos do Antigo Testamento.
A evocação dos fatos tirados do ciclo de Elias e Eliseu estabelece um paralelo entre Israel e Nazaré. Nazaré passa a ser o protótipo da rejeição de Jesus por Israel. Jesus é um profeta não somente porque ele se sabe enviado, mas porque é rejeitado. Eis o critério que permite verificar a autenticidade de sua vocação: "... nenhum profeta é aceito na sua própria terra" (v. 24).
O profeta é consciente das dificuldades na realização da missão, por isso é chamado a viver na confiança: "Farão guerra contra ti, mas não te vencerão, porque estou contigo para te defender, oráculo do Senhor" (Jr 1,19).
Não há nada nem ninguém que possa impedir o Senhor de continuar o seu caminho de realização da vontade do Pai: ". passando pelo meio deles, continuou o seu caminho" (v. 30).

 A DUREZA DE CORAÇÃO

A reação dos habitantes de Nazaré, diante da pregação de Jesus, foi de aberta rejeição. Foi tal o desprezo pelas palavras do Mestre, que eles decidiram eliminá-lo lançando-o de um precipício.
É possível imaginar a decepção de Jesus, diante da rejeição de seus conterrâneos. Ele tentou compreender a situação, rememorando as experiências de profetas do passado que, rejeitados por seu povo, foram bem acolhidos pelos estrangeiros. Assim aconteceu com Elias: num tempo de seca e fome, beneficiou uma mulher estrangeira, da terra dos sidônios. O mesmo sucedeu com Eliseu: curou da lepra um general sírio, ao passo que, em Israel, essa doença vitimava muitas pessoas.
A conclusão de Jesus foi clara: já que o povo de sua cidade insistia em não lhe dar atenção, ele sentiu-se obrigado a ir em busca de quem estivesse disposto a acolhê-lo. Aos duros de coração, no entanto, só restava o castigo.
Longe de nós seguirmos o exemplo do povo de Nazaré. Jesus quer encontrar, em nós, abertura para acolhê-lo e disponibilidade para converter-nos. Ninguém é obrigado a aceitar este convite. Entretanto, fechar-se para Jesus significa recusar a proposta de salvação que ele, em nome do Pai, veio nos trazer.


“E VÓS QUEM DIZEIS QUE EU SOU?”





Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: ‘No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?’. Responderam: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas’. Disse-lhes Jesus: ‘E vós quem dizeis que eu sou?’. Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!’.” (Mt 16, 13-16)

É intrigante ouvir esta pergunta, porque me parece fácil a resposta. No entanto, retomando a história narrada na bíblia, consigo perceber que esta pergunta surge depois de alguns acontecimentos que intrigam o coração de Jesus.
Primeiro, os fariseus e saduceus lhe pedem um milagre para provar sua identidade, desejam lhe provar, e quando se pede uma prova, sabemos que há a possibilidade de que a pessoa seja aprovada ou reprovada, ou seja, ainda há a dúvida de que Jesus é Deus. Portanto, encontramos como primeira ofensa, a dúvida.
Segundo, os discípulos esqueceram de comprar pão. Ficaram preocupados demais com outras coisas, talvez banais, ou até muito importantes, mas esquecerem do vital, o alimento. Ficariam com fome? Os discípulos já estavam preocupados com isso. Então, Jesus lhes exorta a não se misturar com o fermento dos fariseus e saduceus que duvidam d’Ele. Tão preocupados estavam com o seu erro de não terem comprado o pão que ficam “surdos” ao que Jesus deseja realmente lhes dizer. Compreendem tudo em torno do seu próprio erro, não conseguem entender que Jesus vê além disso, os pães são importantes, mas não é vital. Os olhos de Jesus contemplam outra falta no coração dos seus discípulos e a condena, a falta de fé – “Homens de pouca fé!” – estavam talvez com medo de Jesus, medo de serem repreendidos, medo de ficarem com fome, e esqueceram-se de quem estava ao Seu lado e dos ensinamentos que já lhes havia dado.
Por este motivo, a compreensão do ensinamento de Jesus ficou deturpada, pela falta de abertura e excesso de preocupação com coisas secundárias, às vezes até importantes para nós, mas para Deus nós somos mais importantes do que o que precisamos. Mais interessa a Deus que sejamos salvos do que estejamos satisfeitos. Do mesmo jeito nossos pais fazem ao nos levar ao hospital e nos fazer, ainda crianças, tomar vacinas, gotinhas amargas, fazermos exames desconfortáveis. Ir ao hospital já é desconfortável para nós crianças, que estamos com o psicológico adaptado a “ser satisfeito”, “o mundo gira em torno de mim”, “o mundo está a meu dispor”. Assim fica muitas vezes o nosso coração diante de Deus, como corações de crianças imaturas, acreditando que o mais importante é o que achamos ser importante, e Deus deve se curvar a isso. Mas Jesus demonstra neste acontecimento que Seus olhos contempla além, e não vai permitir que sejamos enganados.
Terceiro, Jesus pergunta aos seus discípulos o que está sendo falado a seu respeito. Imaginemos agora – depois de ser posto a prova, de ver seus amigos esquecendo o que é importante, e por seu esquecimento ainda não compreender o que Ele fala – como estará o coração de Jesus? Enquanto Deus, eu não posso saber, mas como homem, posso imaginar o que Ele estava sentindo. Talvez fosse uma pergunta desabafo. Já cansado de ensinar e operar milagres, de anunciar o Reino do Céu, de perdoar, curar, libertar das opressões, ainda assim, passa por estes golpes de infidelidade e falta de fé. Talvez o coração de Jesus estivesse cheio de dúvidas: Meu serviço está gerando frutos? É isso mesmo que o Pai queria que eu fizesse? Estou conseguindo corresponder à minha missão? Tenho feito o trabalho direito? Eles estão crendo, verdadeiramente que Eu sou Deus?
Em meio a esta confusão, imagino que esta pergunta possa ter saído como um suspiro, posso ver até o semblante de Jesus, como quem se vira de uma vez, depois de um período em silêncio, caminhando com seus amigos, parando a frente deles e perguntando: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?
Nesta hora, penso que estava sobre a pergunta toda a necessidade do consolo presente no coração de Jesus. Ele precisava saber dos seus amigos se sua missão estava sendo concretizada, se estava conseguindo revelar o Pai através de si. E ninguém, depois de tantas decepções do dia, poderia lhes consolar com uma resposta sincera, mais que seus amigos.
Viver na comunidade implica nesta experiência. Nós vivemos juntos para cumprir um desejo e uma missão de Deus. Desejo de que sejamos santos e missão de que evangelizemos. Por isso caminhamos juntos. Nesta caminhada de partilha de vida, de problemas, de correções fraternas, de alegrias, conquistas e vitórias, um processo bem interessante vai acontecendo, a formação da identidade.
Ao nos confrontarmos com as pessoas entramos sempre em um processo de socialização que é natural da raça humana. Projeção, identificação, classificação e seleção. Vamos todos os dias nos deparar com pessoas e situações diferentes que vão nos mostrar quem realmente somos. Não é o “estar sozinho” que nos mostra quem somos, mas o “estar juntos”. É no confronto da minha verdade com a verdade do outro que me deparo com a diferença e a necessidade de uma transformação do que sou, para que o outro seja, e vice-versa. Na vida comunitária várias serão as situações que precisarão da minha decisão por ser melhor antes de ser “satisfeito” pessoalmente. Optar pelo bom, antes do prazeroso, optar pelo certo ante o mais fácil. É neste contato que o ruim que há em mim vai sendo dissipado, desconstruído para o que bom seja constituído em minha personalidade.
Além destes complexos processos, outros ainda se misturam, os afetos, o sentimento de amizade, o bonito processo de cativar, tornar-se responsável, lembrar do outro porque se aproxima a hora de vê-lo, criar expectativas de estar juntos, gostar de partilhar algo porque sabe-se favorecer a quem recebe. Tudo isso, Jesus viveu com os seus amigos. E depois de tanta experiência de amor, Ele sabia que ninguém melhor que eles saberiam lhe dar esta resposta.
E foi sincera, embora dolorosa a resposta que foi dada. O povo ainda tinha o coração duro, empobrecido, buscava justificar Jesus com sua razão e crendice, chamando-o de profetas já mortos.
Porém, depois de respostas dolorosas, de saber que o povo ainda não havia compreendido os sinais, Jesus precisa saber dos seus amigos, o que eles acham. Eles que tem comido, dormido, viajado, aprendido, discutido, partilhado de uma vida comum, poderiam pelo menos saber que Ele realmente era.
Então, penso eu, na esperança de uma resposta que fosse verídica, Jesus lança a pergunta aos seus amigos: “E vós quem dizeis que eu sou?”.
Neste momento, Pedro, o mais impulsivo, quase que sem pensar, mas crendo no que seus olhos viam, e seu coração contemplava, declarou, como um grande consolo ao coração de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”.
Eu imagino o quanto esta resposta deve ter soado doce no coração de Jesus, como um afago profundo em dor, como aconchego caloroso em noite de frio. Ao final de um dia repleto de solidão e sentimentos de insatisfação surge o consolo vindo daqueles que são seus amigos, e enfim, realmente O conhecem. Jesus deve ter se sentido amado na resposta vinda de Pedro, mas que representa todos os seus amigos.
Que bom, aqueles que convivem com Jesus sabem que Ele é filho do Deus vivo! Embora com suas falhas, Eles o reconhecem como Deus.
É bonito ver que no reconhecimento do outro, fruto da convivência a fé se constrói. Após a declaração de Pedro, Jesus profere uma declaração de fé e profere sobre Pedro sua missão de cuidar da fé.
É na vida comum que são revelados os corações e a vontade de Deus vai sendo construída. Na intimidade de um diálogo, na resposta a uma pergunta, no cuidado de um gesto de carinho, em um abraço na hora certa, um sorriso na chegada. Tudo isso vai compondo o bonito de viver juntos, e vai declarando que Deus se faz. Não são grandes coisas, mas as pequenas juntas que se tornam grandes. Jesus foi consolado pela declaração de Pedro e foi nesta hora que Pedro foi declarado chefe da Igreja que ainda iria se estruturar. Um ato comunitário de profissão de fé, e envio de missão, diante de todos os amigos juntos.

Edgar Nogueira Lima

sábado, 2 de março de 2013

Bate-Papo Interessante...



Comentário baseado no Evangelho de Lc 15,-13.11-32


Esta parábola traz a reflexão praticamente pronta : O Filho mais novo se arrependeu e voltou a casa do Pai que o perdoou. Será? Deixemos que o Filho sem juízo nos conte nesta breve entrevista...
____Por que você voltou para a casa do Pai?
Filho Pródigo ___ Vou ser sincero, a fome apertou meu amigo, quando eu pensei que escravos e empregados na casa do meu pai, tinham pão a vontade, decidi voltar.

___Opa ! Espere um pouco, e aquele arrependimento todo que você manifestou nesse evangelho?
Filho Pródigo___Apenas um discurso para convencer o Pai de que eu estava arrependido, palavras bonitas e bem colocadas que iriam tocar no coração do meu “Velho”

___Mais uma coisinha Filho Pródigo, o que te levou a sair de casa, se lá você tinha tudo que precisava? 
Filho Pródigo___Na Casa do Pai tinha a impressão de que não era livre, eu queria aproveitar a vida, fazer tudo o que meu coração desejava gozar e desfrutar de todos os prazeres e alegrias que o mundão nos oferece. Enfim, como vocês dizem por aí “Cair na gandaia” de cabeça e ser livre...

___Deixa ver se eu entendi, as vezes nós cristãos achamos que os maus, os que não conhecem a Deus e a sua verdade, são mais felizes porque fazem muitas coisas, sem se importar com a ética, moral, doutrina da Fé e tudo mais. É a liberdade que o adolescente quer, sem a ingerência dos pais em sua vida....
Filho Pródigo ____Isso mesmo, eles tem com os pais não uma relação de amor, mas de compromisso e obrigatoriedade em fazer o que eles mandam, parecem mais empregados do que Filhos. 

____E o que mudou na sua vida após a volta a casa paterna?
Filho Pródigo____Bom, confesso que não fazia ideia de quanto meu Pai me amava, imagine você que todos os dias ele ficava á minha espera. O jeito que ele me abraçou, me pos aquele manto, me deu a sandália e o cajado, tudo isso sem exigir que eu tomasse um banho, ele cobriu a minha sujeira e imundície com aquela veste. E fez uma festa inesquecível. Nesse retorno descobri algo inédito, o amor do Pai, imenso, grandioso, gratuito e incondicional. Juro que eu não sabia....

___Então nessa parábola, o foco é o Pai Infinitamente Bom e Misericordioso? 
Filho Pródigo ___Pois é, Se o Pai não me desse a liberdade de pecar, indo embora da sua casa, jamais eu saberia o quanto ele me ama. Eu sou cada um de vocês aí na Igreja de 2013, a gente vai e vem, e o Pai ali, de braços sempre abertos, nos acolhendo com imensa alegria, porque nos ama de maneira apaixonada...
O Pai misericordioso e compassivo

 
A sucessão das três parábolas de misericórdia é resposta à murmuração dos escribas e fariseus (v. 2). O protagonista da parábola dos dois filhos é o pai, misericordioso e compassivo.
O filho mais novo, depois de esbanjar tudo o que ele tinha recebido do pai, volta para a casa do pai, não por consideração a ele, propriamente, mas porque queria matar a fome (cf. vv. 6-17). Tudo o que pensa dizer e dirá ao pai é meio para alcançar o que ele efetivamente queria: matar a fome. O pai conhece seu filho, mas ele não leva em conta a sua artimanha: acolhe-o e devolve a ele a dignidade que o pecado o fizera perder (cf. vv. 20b-24).
A atitude do pai provoca a reação surpreendente do filho mais velho: a raiva e a recusa de participar da festa (cf. v. 28). O filho mais velho é convidado a entrar no coração do pai, pois "há mais alegria no céu por um pecador que se converte do que noventa e nove justos que não precisam de conversão" (cf. vv. 7.10.23-24).
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 ACOLHENDO O PECADOR


A consciência do pecado vem acompanhada do sentimento de vergonha em relação a Deus. A revolta contra o seu amor misericordioso parece não se justificar. Junto com a vergonha vem o sentimento de ingratidão. E o pecador reconhece ser uma loucura o ter-se afastado do Pai.
Sua reação costumeira: duvidar de que possa ser perdoado. Em outros termos, duvidar que Deus esteja disposto a perdoar, devido à magnitude do pecado cometido.
O Evangelho aconselha, firmemente, o pecador a voltar para o Pai, cujo rosto, revelado por Jesus, é um incentivo à essa volta confiante. Deus quer ter junto de si todos os seus filhos. E está sempre disposto a esquecer o passado, pois confia que, no futuro, tudo será melhor. Não coloca limites para o perdão, nem faz distinção entre faltas perdoáveis e faltas imperdoáveis. Tudo pode ser perdoado, quando o pecador se predispõe a voltar. 
Alegra-se, sobremaneira, com a volta de um filho pecador, pois é como se este estivesse ressuscitando, depois de experimentar a morte. Não considera o pecador como pessoa de segunda categoria, só porque se desviou do bom caminho.
Vale a pena confiar no amor misericordioso de Deus Pai.

A bondade de Deus



Comentário baseado no Evangelho de Lc 13,1-9


Jesus sobe para Jerusalém. Essa subida é ocasião de ensinamento, por isso ela é constituída de lições que Jesus dá aos seus discípulos.
O texto do evangelho deste domingo não encontra paralelo nos outros dois sinóticos. Do ponto de vista histórico, nós não temos nenhuma informação, nem mesmo na literatura extrabíblica, dos fatos mencionados nos versículos 1 a 4. No entanto, o importante, aqui, é o valor de interpelação dos fatos, repetido duas vezes: "... se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo" (vv. 3.5).
A teoria da retribuição é ultrapassada: "Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu...? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo? . Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não" (vv. 2-5).
A morte de uns e não de outros é sinal do julgamento definitivo, sinal que precisa ser discernido: ". sabeis discernir os aspectos da terra e do céu, e por que não discernis o tempo presente?" (Lc 12,56).
São Paulo o exprime muito bem: "Esses acontecimentos se tornaram símbolos para nós, a fim de não desejarmos coisas más." (1Cor 10,6).
A morte dos galileus e dos moradores de Jerusalém são um convite à conversão e ao reconhecimento, no tempo presente, da "visita salvífica" de Deus (cf. Lc 1,68).
Os versículos 6 a 9 ilustram os versículos precedentes. A figueira é, na tradição rabínica, símbolo da Torá. Ela está plantada na vinha (cf. v. 6). O povo de Deus tem a Lei cujo fruto deveria ser a conversão. Mas ela não produziu o fruto. Será cortada? Será arrancada do meio da vinha? A parábola acentua a bondade de Deus: a maldade humana não impede Deus de ser bom.

O JULGAMENTO É CERTO!



Comentário baseado no Evangelho de Lc 13,1-9

Nesta vida tudo é discutível e negociável à exceção da morte, que irá nos acontecer mais cedo ou mais tarde, sendo que a morte nos trará o juízo de Deus. É uma verdade que não gostamos nem de pensar e que na quaresma somos convidados pela palavra de Deus a pensarmos naquele primeiro momento, em que estaremos diante de Deus, após a morte.
Sabemos que haverá um julgamento e isso significa que Deus espera algo de cada um de nós e poderíamos até afirmar que temos uma meta a ser alcançada, uma missão a ser cumprida e nesse caso, a primeira coisa a ser feita é estarmos disponíveis para Deus, mesmo que não nos julguemos capazes para tanto, como aconteceu com Moisés, conforme a primeira leitura desse domingo.
Mas essa disponibilidade deve sempre vir acompanhada de uma total confiança em Deus, alimentando em nós a esperança e a certeza de que ele caminha conosco, mesmo que às vezes a estrada seja íngreme como um deserto, e a esse respeito, o apóstolo Paulo lembra-nos, que quando falta esta confiança inabalável no Senhor que nos conduz, poderemos estar caminhando para a morte e não para a vida.
A nossa Fé deverá ser inabalável, mesmo que algo dê errado, pois como simples mortais, estamos sujeitos as imprevisibilidades desta vida que são aqueles acontecimentos que não esperamos, e que podem nos atingir ou a alguém do nosso relacionamento, como aqueles galileus, que se envolveram em um conflito com os soldados de Pilatos no templo de Jerusalém e foram brutalmente assassinados, ou como aquele grupo de trabalhadores que morreram tragicamente na queda de uma torre que estava sendo construída.
Não é Deus que provoca esses acontecimentos, para punir e castigar os pecadores, como podem pensar algumas correntes religiosas, o massacre dos galileus foi um ato de violência contra a vida, a mando de Pilatos, e a queda da torre, pelo menos naquele tempo, não foi nenhum atentado terrorista, mas um acidente de trabalho, aliás, que também merece uma reflexão, pois os acidentes de trabalho acontecem por causa de alguma falha humana ou alguma condição insegura. Porém, Deus consente estes fatos porque respeita a liberdade humana, mas a partir da tragédia, nos ensina alguma verdade que serve para a nossa edificação.
Sobre tudo o que ocorre no mundo de hoje, guerras, conflitos, chacinas, execuções, crimes hediondos até contra crianças, falamos e ouvimos muitos discursos inflamados, desde o simples cidadão até as altas celebridades que nos grandes meios de comunicação promovem debates acirrados, ao lado de uma imprensa sensacionalista onde indignados jornalistas gritam palavras de ordem, dando-se a impressão de que, por conta disso, grandes mudanças irão ocorrer. Mas ao final, tudo continua como antes até que aconteça a próxima tragédia, para sacudir a opinião pública.
Jesus não entra nessa onda, não declarou guerra contra Pilatos, que era o que muitas lideranças queriam, e nem arquitetou alguma severa punição para aplicar aos responsáveis pela queda da torre. De investigação e denúncias, o povo já está saturado, porque no final da história, os culpados sempre ficam impunes.
Jesus aproveita o fato para nos alertar sobre a urgência da nossa conversão, que se inicia quando mudamos a nossa mentalidade em relação a Deus, ele não é aquele que abençoa dando saúde e bens materiais a quem lhe obedece, e que faz cair a desgraça na cabeça de quem não o aceita, pois se fosse assim, não ocorreriam tragédias na vida de um cristão.
Ele quer que concentremos nossa atenção no presente, percebendo a cada minuto á sua vontade a nosso respeito, fazendo o reino acontecer a partir de pequenos gestos de amor e de solidariedade em nosso quotidiano, porque se deixarmos esta vida passar em branco, sem nos darmos conta de que temos uma missão a cumprir, frutificando segundo a palavra e a graça de Deus, iremos nos surpreender ao final, porque seremos semelhantes a uma árvore seca e improdutiva justo na hora da colheita.
Nesta vida Deus nos fertiliza todos os dias com a sua graça e a sua santa palavra dando-nos todas as condições para produzirmos bons frutos. Só depende de nós! E não precisa dizer o que vai acontecer com a árvore seca, que não dá nenhum fruto...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Ser! Mais importante que Ter!


            Lucas 16,19-31


Não se pode ler esse evangelho sob a ótica de alguma ideologia humana, pois se corre o risco de interpretar que os ricos vão para o inferno e os pobres para o céu. O evangelista, ao refletir com as suas comunidades não estava nenhum pouco preocupado com a questão social, mas sim com algo que é muito mais importante: a abertura que damos a Deus, a sua palavra, a sua Salvação e á sua Graça Santificante.
O pobre Lázaro não têm muitos méritos para ir ao céu, aqui chamado de seio de Abraão, é um homem extremamente carente e que vive de esmolas, não fala que ele era bom, juto, amável, que frequentava comunidade. O Rico, que nem nome tem, curte a sua riqueza esbanjando seus bens, regalando-se com banquetes todos os dias. O evangelho nem menciona que o rico passava indiferente pelo esmoleiro chamado Lázaro. Talvez isso até ocorresse, já que Lázaro esmolava no portão da entrada do Palácio do Rico.
Parece que o pobre entrou nesse evangelho como “âncora”, para que o evangelista possa falar do pecado do rico, que, confiando unicamente em sua riqueza, apostou nela todas as suas fichas e nunca sentiu necessidade de se abrir á Deus e a tudo o que ele nos oferece. Só na outra vida é que “caiu a ficha”, pois descobre (tarde demais, diga-se de passagem) que há algo mais importante do que a riqueza: a Salvação que vem unicamente pela Graça, sua sede terrível mostra que ele não a tinha e imagina ingenuamente que poderá tê-la,e que um “pouquinho” já será suficiente. O tal que se banqueteava na fartura, agora se contenta com uma minúscula gotinha de água da Salvação. Tarde demais...
O fato de não ter-se aberto á Salvação ainda em vida, criou um abismo entre ele e Deus e consequentemente com as pessoas, isolando-se em um terrível egocentrismo, o mesmo mal que hoje em dia corroe a alma e o coração de muitos.
Quem se abre a Graça de Deus e a sua Salvação, irá se relacionar com ele porque o descobrirá nos mais carentes. Essa é a verdadeira religião, á que nos leva a Deus, passando antes pelo próximo. O resto é a Religião da Mentira que leva a pessoa ao mesmo lugar de tormento onde foi parar aquele Ricaço. Daí, qualquer arrependimento será inútil, porque como dizia minha saudosa mãe “A Inês já é morta”.