terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fazer a Vontade de Deus...




comentário Mc 3,31-35

Outro dia alguém desabafou perto de mim "Tem muita coisa boa nesta vida, que a gente quer fazer, mais contraria a Vontade de Deus, parece que os maus, aqueles que não estão comprometidos com o Reino e nem frequentam Igreja nenhuma, são mais felizes pois fazem o que querem nesta vida"
Quando se fala na Vontade de Deus, dá-se a impressão de que Ele é um tremendo estraga-prazer, que vai contra tudo o que é bom de fazer, e a vida de Fé nesta terra até parece àquela competição de Cabo de Guerra, Deus puxa para um lado, e o Ser Humano para o outro..."
Se cristianismo fosse isso, nós cristãos seríamos os mais infelizes de todos os homens, o primeiro homem Adão e a mulher Eva, viviam na plenitude da comunhão com Deus, a finalidade para a qual Deus os criou estava em pleno acordo: eles eram objeto do amor de Deus e viviam em um paraíso, que antes de ser um lugar geográfico, é um estado de espírito do homem em sintonia com Deus Criador. Não tinham e nem preconizavam ter nenhuma ambição, tudo o que um Ser humano deseja ser nesta vida, realizando-se na plenitude do amor, nossos primeiros pais já tinham, até que.....conheceram a possibilidade do mal e fizeram opção por ele...
No evangelho de hoje estamos diante do novo Povo que vai surgindo com Jesus, este retorno á vida de comunhão com Deus vai custar a Vida do Verbo Encarnado, mas o homem, que havia se perdido em si mesmo e não mais se achava, porque diante dele só estava o Mal, agora terá a possibilidade de optar pelo Bem, este Bem que está precisamente nas palavras e ensinamentos de Jesus, que por sua vez é a Palavra de Deus.
O retorno da humanidade aquele estado de vida inicial, passa por Jesus, aliás, só Ele é o caminho que conduz ao Pai, e nem um outro. Até aí tudo bem mais, sendo o homem um ser social, essa experiência de amor e de comunhão com Deus manifestado em Jesus, só se torna possível na relação com o outro, e aí a comunidade é o lugar por excelência, que nos conduz a esse paraíso, que não está lá atrás, perdido no passado, mas está á nossa frente, motivando-nos a caminhar sempre mais, alimentados pela Esperança que um dia transbordou do coração de Deus Filho naquela cruz, e inundou toda a nossa vida, permitindo-nos sonhar, desejar e alcançar essa plenitude feliz, que é eterna...

 A comunidade de Jesus


Marcos não tem nenhuma mariologia desenvolvida, o que virá nos escritos posteriores da tradição cristã. Maria e os parentes de Jesus vão buscá-lo, pois eles também pensavam que Jesus estivesse fora de si: "E voltou para casa. E, de novo, a multidão se apinhou, a ponto de não poderem se alimentar. Quando os seus tomaram conhecimento disso, saíram para detê-lo, pois diziam: está fora de si" (Mc 3,20-21). Efetivamente, os que estão "do lado de fora" (Mc 3,31) não podem compreender a missão e a identidade de Jesus.
Tudo parece loucura. Os que ele reúne, os "que estão ao redor dele" (3,34), são os que compreendem, e para eles as palavras e os gestos de Jesus não só têm sentido, mas dão sentido à vida.
A comunidade dos discípulos é caracterizada não mais pela descendência do sangue, mas pela adesão à pessoa de Jesus Cristo, e pelo dinamismo da busca e realização da vontade de Deus.

PROCURA INÚTIL?

A procura de Jesus, por parte de sua mãe e irmãos, à primeira vista parece ter sido inconveniente e inútil. Inconveniente, por ter acontecido numa hora em que o Mestre estava rodeado por muita gente. Afastar-se, naquele momento, significava interromper o ensinamento dirigido ao povo. Inútil, por que, para ele, os laços de sangue tinham pouca importância. Logo, não havia motivo para dar-lhes um tratamento especial.
Entretanto, as coisas não foram bem assim. A chegada da mãe e dos irmãos de Jesus serviu-lhe de motivo para dar um ensinamento de extrema importância: o relacionamento entre os discípulos do Reino teria como ponto de referência a prática da vontade do Pai. Esta seria a maneira pela qual deveria articular-se o novo povo de Deus, para além de parentescos sangüíneos ou da pertença a este ou aquele povo. Doravante, a submissão à vontade do Pai, explicitada nas palavras do Filho, seria a forma de vincular-se ao Reino.
É incorreto interpretar as palavras de Jesus como uma forma de desprezo aos seus familiares. Se assim fosse, estaria indo na contramão da mais elementar piedade bíblica, a qual incluía o respeito aos genitores como algo quase sagrado, e da cultura judaica, fortemente alicerçada nas relações familiares.
Portanto, a procura de sua mãe e de seus irmãos foi de grande utilidade para Jesus, pois motivou-o a ensinar que os laços sangüíneos devem estar submetidos a algo muito mais radical e abrangente: a fidelidade a Deus.

sábado, 26 de janeiro de 2013

A PALAVRA ENCARNADA





Ao visitar Nazaré, cidade onde havia se criado, Jesus foi participar de uma celebração na sua comunidade, onde sempre fazia uma leitura e depois ajudava o povo a refletir, como fazem hoje nossos ministros leigos, que celebram a Palavra.
Podemos até imaginar a alegria do chefe da sinagoga quando viu Jesus chegar, ele era muito querido na comunidade, não só por ser uma pessoa simples, mas porque falava muito bem e demonstrava uma sabedoria superior aos sacerdotes, escribas e fariseus, sua catequese era bem prática e logo cativava. Por isso, ao vê-lo entrar na comunidade, o chefe da sinagoga foi logo pedindo para que ele fizesse uma leitura, porque parece que, como acontece me nossas comunidades, naquele dia o leitor escalado não apareceu.
Jesus escolheu o livro do profeta Isaias que era o seu preferido, porque já o havia lido várias vezes e tinha a nítida impressão de que o texto falava dele.
Conforme Lucas que escreveu este evangelho de maneira ordenada e após muito estudo, por este tempo Jesus estava iniciando o seu ministério, já havia sido batizado e enfrentara com muita coragem o diabo, que no deserto tentou desviá-lo da sua missão.
A verdade é que Jesus tinha uma grande vontade de sair pelo mundo, ajudando as pessoas e falando de uma coisa que sentia em seu coração, foi com certeza por isso que naquele dia voltou à comunidade, e quando já no ambão, começou a ler o profeta Isaias, na passagem onde diz “O Espírito do senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para levar a Boa notícia aos pobres, anunciar a libertação aos cativos e aos cegos e anunciar um ano de graças do Senhor”, seu coração começou a bater mais forte, percebeu que Deus não apenas falava para ele, mas falava dele, da sua vida, da sua história e da sua missão. Ele já havia sentido muito forte a presença desse Espírito de Deus no dia do seu batismo, e no confronto com o diabo no deserto, sentiu toda a força que o espírito lhe dava.
Nessa celebração as coisas ficaram muitas claras para ele: a libertação com que tanto sonhava junto com seu povo, ia muito além de uma libertação política, a palavra tinha a força de libertar o homem também e principalmente do mal que havia no coração, e que impedia de amar a Deus e aos irmãos. A opressão e a escravidão do seu povo era conseqüência de todo esse mal que havia dentro de cada homem, não só dos opressores. Precisava dizer isso aos pobres, aos cegos e oprimidos, que um tempo novo estava começando, com essa verdade que o Pai revelara através do profeta.
Todos olhavam fixamente para ele à espera da homilia, o mesmo espírito que o havia ungido acabara de transformá-lo na palavra Viva de Deus e por isso, sentando-se como faziam os grandes Mestres, disse: “Hoje se cumpriu essa passagem que acabastes de ouvir”
Também nós cristãos freqüentamos a celebração da palavra em nossas comunidades onde as leituras, mais do que falar para nós falam de nós, pois a história de Jesus é a nossa história, também nós recebemos a graça de Deus em nosso batismo, também nós recebemos a unção do Espírito Santo, não para termos ataques de histeria e entrarmos em transe, mas para termos a mesma coragem de Jesus para cumprir a nossa missão, anunciar a boa notícia aos pobres, oferecer a palavra libertadora a quem está cego e cativo, e falar de um tempo novo onde Deus manifesta todo o seu amor ao homem que o busca.
Para que haja essa interação entre nós e a palavra, é necessário que nossas celebrações sejam bem participadas e preparadas, de maneira bem organizada pensando em todos os detalhes e aí podemos apreender com o escriba Esdras que na primeira leitura nos oferece um ótimo roteiro para celebração da palavra de Deus, onde a assembléia, tocada pela palavra, corresponde com gestos que manifestam o que está no coração, diferente da liturgia do “oba-oba”, muito usada para se atrair multidões, e que ás vezes, com tantos gestos e movimentos, acaba ficando vazia justamente por não ser uma manifestação espontânea do que se tem no coração tocado pela palavra de Deus.

Jesus interpreta Isaias


O que dá sentido ao texto de Isaías não é tanto o fato de ter sido lido por Jesus, mas de ser interpretado por ele. O narrador oferece ao leitor condições de compreender que Jesus é o enviado do texto de Isaías e que sua palavra é profética por excelência (cf. v. 21).

AS ESCRITURAS REALIZADAS


O texto do profeta Isaías, lido na sinagoga de Nazaré, foi usado por Jesus para explicar sua identidade e missão. O profeta, num contexto bem determinado da história de Israel, falara do Messias a ser enviado por Deus, com a tarefa de trazer libertação para a humanidade: libertar as vítimas da pobreza, os encarcerados, os cegos, os cativos de toda sorte de opressão; enfim, todos os que padeciam qualquer sorte de escravidão.
Ao longo dos séculos, a esperança pela vinda deste Cristo libertador foi calorosamente acalentada no coração dos oprimidos, sem, contudo, vê-la realizada.
Jesus identificou-se com a pessoa messiânica descrita pelo profeta. Sentiu-se, pois, chamado a viver o que, outrora, Isaías tinha anunciado. Sua vida deveria tomar o rumo indicado no texto profético, que também haveria de ser seu referencial inspirador. Sabia-se chamado a concretizar o projeto de Messias libertador, conforme o profeta anunciara. Por isso, colocar-se-ia a serviço de todos os deserdados deste mundo, vítimas do egoísmo, para resgatar-lhes a dignidade e inseri-los no Reino querido pelo Pai.
Ao proclamar que esse texto da Escritura havia sido nele realizado, Jesus assumia um compromisso concreto de se tornar servidor dos pobres.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Amor Humilde




Comentário do Evangelho Mc 3, 7-12

O jeito de ser de Jesus, suas palavras e suas atitudes atraem multidões, nos dias de hoje ele seria um Pop Star dos mais bem sucedidos, pois com o Ibope garantido é só trabalhar bem o marketing pessoal e o sucesso de uma carreira bem sucedida está assegurado. A multidão, as pessoas e os Fãs Clubes são como uma escada por onde o Ídolo vai subindo até galgar alturas inimagináveis como por exemplo o Rei do Rock Elvis Presley cuja atração pela sua pessoa superou até a morte e assim criaram o slogan “Elvis não morreu”, por que?
É só perguntar para as agências que exploram a marca “Elvis”, e que faturam milhões com a sua marca, as imagens de seus trejeitos e suas músicas, e com Michel Jackson está ocorrendo o mesmo. Nos anos 60 o grupo “The Beatles” teve uma ascensão tão meteórica, que se tornaram mundialmente famosos a ponto de um deles dizer o que muitos hoje ainda consideram um escândalo: "Somos mais conhecidos do que Jesus Cristo".
É necessário citar esses exemplos para compreendermos bem quem é Jesus Cristo, Ele não é um Super Star, um astro, Ele é o Filho de Deus Vivo e está preocupado com a Salvação de todas as pessoas que formam aquela multidão que o procura, não olha para as pessoas como um cifrão, e nem lhe passa no coração e na mente, algo que com certeza passou pela cabeça dos discípulos "O que podemos ganhar com isso".
Jesus quer discípulos, seguidores fiéis, pessoas que vistam a camisa do Cristianismo e perseverem até o fim, ele não quer admiradores e curiosos, Fanáticos e alienados, por isso esquivou-se da multidão em uma barca. Não deixou de atender as necessidades imediatas dos que o procuravam ávidos de uma cura, entretanto, recrimina severamente os Espíritos imundos que confessavam publicamente a sua filiação Divina.
Jesus não é o Filho de Deus por que cura e realiza prodígios atraindo multidões, mas o seu Messianismo verdadeiro irá se revelar na cruz do calvário onde ficará evidente o fracasso, a humilhação a que se submeteu nesta hora em que se revela o que Deus verdadeiramente é, o Amor oblativo, cadê as multidões ? Quando se pratica a religião do entusiasmo e da euforia, geralmente afasta-se a imagem de um Cristo sofredor pendurado em uma cruz... Qual é a nossa religião afinal?...

 Perspectiva universal da missão de Jesus


Trata-se de um sumário que, ao mesmo tempo, sintetiza e amplia a atividade de Jesus. Jerusalém não é o centro das atenções, mas a Galileia e, mais especificamente, a região do Lago de Genesaré. De todas as partes as pessoas acorrem a Jesus: da Judeia e de Jerusalém, da Idumeia e de além do Jordão, e até de Tiro e Sidônia (v. 8), além de uma grande multidão da Galileia (v. 7).
Há, aqui, uma perspectiva universal da missão de Jesus: não somente os judeus, mas também os pagãos são atraídos pela fama de Jesus. Mas o que atraía essa numerosa multidão? O nosso texto genericamente responde: "quanta coisa ele fazia" (v. 8).
Nessa expressão deve-se compreender o conjunto dos gestos e do ensinamento de Jesus. O sumário é, ainda, a ocasião de apresentar a agitação dos "espíritos imundos" que reconhecem o poder divino de Jesus pelo qual são e serão vencidos: "ele os repreendeu" (v. 12).
Aparece ainda o tema marcano do segredo messiânico (v. 12: "proibindo que manifestassem quem ele era"), que já comentamos antes.

ATRAÍDOS PELA AÇÃO DE JESUS



Para falar da atração exercida por Jesus, o Evangelho faz um elenco dos lugares de origem das multidões que assediavam o Mestre. Os locais mais próximos eram as cidades da Galiléia, especialmente as que ficavam à beira do lago. Este foi o palco privilegiado do ministério de Jesus. A fama de seus milagres e de seus ensinamentos deve ter chegado imediatamente aos ouvidos das populações daquela região. Até gente da capital da Judéia, Jerusalém, vinha ouvir o Mestre. Com que intenção?
Os judeus desprezavam os galileus. É bem possível que muitos tenham ido ver o galileu Jesus, movidos por preconceitos, quiçá com a intenção de "desmascará-lo". Também vinha gente do estrangeiro: da Iduméia, ao sul da Judéia, do outro lado do rio Jordão – a Transjordânia –, e das cidades fenícias de Tiro e Sídon. Todos estes lugares eram habitados por judeus que, sem dúvida, junto com estes pagãos também ficavam atraídos pelo que Jesus fazia.
O Mestre limitava-se a fazer o bem a todos, indistintamente. Ao se confrontar com a multidão, não fazia distinção de espécie alguma. Judeus ou pagãos, todos eram igualmente curados e libertados da opressão do mau espírito. Assim, o Reino de Deus deixava as marcas de sua eficácia na vida de todos que se aproximavam de Jesus. Excluía-se, apenas, quem a ele se dirigia com intenções escusas. O Mestre tinha o dom de fazer renascer no povo a vida e a esperança!

A HUMANIDADE DE JESUS





Às vezes, nós tememos desgastar a divindade de Jesus se nos concentramos um pouco sobre sua humanidade. Mas, não podemos esquecer que se Jesus é Deus, é também homem e homem perfeito. Portanto, não devemos ter medo de olhar a humanidade de Jesus. Façamos exatamente isto, porque é através desta humanidade que recebemos a cura de Jesus, que é Deus.
Antes de tudo, Jesus tinha os medos que nós temos. Tinha medo quando os judeus tentavam achá-LO: tinha medo! Não devemos considerá-lo com um super-homem: Ele é Deus, mas é perfeitamente homem. Nós O achamos falando na frente de todo mundo: “Tenho medo desta hora” (Marcos 14, 35; João 12, 27).
Muitas vezes, também nós sacerdotes, tentamos nos apresentar como super-homem, enquanto Jesus não faz isto. Jesus mesmo sendo Deus e Messias, se apresenta com toda a sua humanidade: “Tenho medo desta hora” e o medo era tão grande a ponto de fazer com que Ele suasse sangue. No Getsêmani, podemos achar a humanidade de Jesus no seu provar o medo. [...]
A solidão é com certeza um dos sentimentos e dos estados de ânimos mais normais e mais comuns, tanto em nós, padres, como nos leigos. Dizemo-lo muito claramente: a solidão é um estado de ânimo que todos, antes o depois, provamos e provaremos, hoje, especialmente em um mundo frenético, que corre sempre com mais pressa, que não tem tempo. De fato a o que mais dizemos é “Não tenho tempo!”.
Falta-nos tempo. Falta-nos tempo para o diálogo, falta tempo para escutar. Hoje são muitos os que reclamam de não ter ninguém a quem abrir a própria alma. Também nós, talvez, o sintamos.
Faço muitos retiros para freiras e todas reclamam da mesma coisa: “Não tenho ninguém para me comunicar, para me abrir!”, sejam elas de clausura ou de vida ativa! Os padres também: “Não tenho com quem me comunicar, o bispo não tem tempo para mim! Os superiores não têm tempo para mim e os irmãos todos entretidos nos seus afazeres”. Também no interior da família, muitas vezes, os pais não tem tempo para escutar os filhos.
E assim, nós todos sofremos a solidão. É uma realidade! Mas também Jesus sofria a solidão. E provavelmente o momento mais alto desta Sua solidão Ele o sofre no Getsêmani. Esse horto das Oliveiras nos revela, no grão maior, a figura humana, a humanidade de Jesus quando após, ter orado ao Pai, procura Pedro. Ele para a oração ao Pai para procurar Pedro! O que Pedro poderia dar-lhe? Mas Ele tinha necessidade daquele apoio. E Jesus reclama: “Então não pudeste vigiar uma hora comigo...” (Mateus 26, 40).
De novo, a humanidade de Jesus, a Sua solidão, sentida tão intensamente neste momento. [...]
A morte já está redimida, assim como o sofrimento. Jesus, quando enfrenta o sofrimento, o enfrenta quase com pânico. De verdade, suava sangue antes de poder falar: “Seja feita a Tua vontade!” (Lucas 22, 42-44). Hoje, encontramos tantas almas que enfrentam o sofrimento e o enfrentam com alguma serenidade. O sofrimento permanece, pode ser entendido, mas é enfrentado com alguma serenidade porque foi redimido através do sofrimento de Cristo!
E Jesus quer redimir o meu medo, a minha solidão, a minha tristeza, os meus sensos de culpa, a minha raiva, tudo que ainda é “uma ferida” no meu coração.
Portanto, o que nós temos que fazer? O ato de redimir de Jesus não foi somente na Cruz, mas toda a Sua vida foi redimível. De fato quando Jesus sente medo, ou quando Jesus sente solidão, etc., todos estes sentimentos humanos vividos por Ele são momentos que redimem; em todos estes momentos cumpria um ato redimível.
E os atos de Cristo são sempre atuais.
Atenção! O ato de redenção não está acabado! Tudo que Jesus fez, a remissão que Jesus nos deu, não é uma coisa histórica, mas é uma coisa que ainda esta acontecendo. Jesus, “me redimiu”, mas Jesus, “me redime hoje” não é uma coisa do passado, mais uma coisa de hoje! Portanto, Jesus, através do Seu medo, esta me salvando hoje. O que eu tenho que fazer é reconectar, conectar o meu medo como Seu medo. De fato, em outras palavras, quando eu tenho medo tenho que encontrar o Cristo com medo; quando eu vivo a solidão, eu devo encontrar o Cristo que Se sente sozinho.
Devemos viver, portanto, estes eventos de Jesus que ainda estão vivos: porque o Cristo que redime hoje, é vivo! E eu tenho que associar este meu estado de ânimo com o mesmo estado de ânimo que esteve também em Jesus.

Trecho do livro: Cura do Mal e Libertação do Maligno, Fr. Elias Vella, OFM

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Preservar a Vida é sempre permitido...



Comentário do Evangelho – Mc 2,23-28


Sábado para o Judeu é o dia do Descanso em Deus, é voltar para ele por inteiro, concentrando a mente e o coração em Deus, Criador e Libertador do homem. Por isso todas as outras tarefas tornam-se relativas inclusive o trabalho de colher espigas. Neste dia parava tudo, antecipava-se na sexta todas as tarefas e reservava o sábado somente para Deus. Era uma prática coerente com o que se acreditava, e muito bonita também entretanto...
Deus não é mais alguém distante, que fala misteriosamente a alguns Homens como Moisés, ou se faz anunciar pela boca dos profetas, mas Deus está ali, ao lado deles, caminhando com eles, comendo com eles, dormindo com eles, é um Deus de carne e osso, o verdadeiro e esperado "Emanoel", parceiro e caminhante, peregrino com o homem. Então, porque submeter-se á práticas antigas se Jesus já está ali com eles?
E onde Jesus está, a Vida do Homem está em primeiro lugar, nenhuma norma ou lei precede a Majestosa Lei da preservação da Vida.
É isso que deve estar no centro das atenções no preceito sabático, não levando -se isso em conta, a religião torna-se um mero ritualismo, vazio e sem sentido. No centro da Religião está a Vida que Jesus nos deu. Por isso, os discípulos de Jesus, ao sentirem fome, colhem espigas mesmo sendo dia de sábado, a exemplo de Davi, o grande Rei prefiguração do Messias, que ao chegar com seus homens de um dos combates, sentiu fome e entrando no templo comeu dos pães da proposição que era consagrado a Deus.

 O sábado é dom de Deus


Uma vez mais, o sábado, e mais propriamente o descanso sabático, está no centro da controvérsia. "Por que eles (os discípulos) fazem no dia de sábado o que não é permitido?" (v. 24). Mas o que é permitido? Fazer o bem ou o mal, salvar uma vida ou perdê-la? (cf. Mc 3,4).
A cena se passa numa plantação de trigo. Segundo os fariseus, era proibido arrancar as espigas de trigo no dia de sábado. Ora, a Torá autoriza a colheita de espigas, contanto que não se utilize uma foice: "Se entras nos trigais do teu próximo, poderás arrancar espigas com as mãos, mas não farás passar a foice na messe do teu próximo" (Dt 23,26). Jesus responde à objeção recorrendo ao exemplo de Davi (1Sm 21,1-10).
A fome e a necessidade de manterem em boas condições a vida justificam a atitude de Davi. Trata-se de um exemplo de peso que justifica e ilustra a defesa de Jesus a seus discípulos. Os versículos 27 e 28, que concluem a controvérsia, lembram que o sábado é dom de Deus (Ex 16,29), tempo de recordar a escravidão e a libertação do Egito (cf. Dt 5,15). Por isso, o sábado é para o "Filho do Homem" tempo privilegiado de manifestação de seu poder salvador, poder de dar a vida, de fazer viver.

SUPERANDO O LEGALISMO


Como no caso do jejum, os judeus também era exagerados no tocante ao repouso sabático. Por isso, escandalizam-se ao ver os discípulos de Jesus colher espigas de trigo para comer, enquanto atravessam um trigal em dia de sábado. O fanatismo pela observância da Lei impedia-os de fazer qualquer tipo de contemporização. Jesus ia na direção contrária, procurando mostrar-se fiel a Deus por outros caminhos, e ensinando seus discípulos a fazerem o mesmo.
Para o Mestre a finalidade da Lei era propiciar ao ser humano uma autêntica experiência de encontro com a vontade de Deus. Praticar seus preceitos de maneira puramente mecânica seria inútil. Este tipo de fidelidade exterior à vontade divina não era sinal de que a pessoa havia superado a tirania do egoísmo. Jesus pregava uma fidelidade criativa à Lei, de modo que, ao praticá-la, a pessoa pudesse atingir seu objetivo.
O Mestre apresentou dois motivos para justificar a permissão de colher espigas em dia de sábado. Em primeiro lugar, por ter acontecido coisa semelhante com o rei Davi, o qual, num dia de sábado, matou a fome com os pães consagrados que só aos sacerdotes era permitido comer. Além disso, as espigas não eram consagradas como os pães. Em segundo lugar, porque Jesus tinha autoridade, recebida do Pai, para agir como agiu. Se os discípulos estavam comendo para poder continuar a missão, por que censurá-los?

O Mestre andando em más companhias




Comentário do Evangelho de Mc 2,13-17

"Diga-me com quem andas e te direi quem és" - lembram-se deste provérbio? Na minha infância cresci ouvindo exortações dos meus pais e educadores para que evitássemos as más companhias e até confessávamos isso ao Padre porque era considerado pecado.
Quando comecei a ter uso da razão e deparei com esse evangelho, comecei a achar que tinha algo de errado, ou com a nossa formação ou com Jesus. Estar junto as pessoas desqualificadas não significa aprovar suas atitudes erradas e nem compactuar com elas, nossos pais e educadores tinham medo de que a influência do mal presente na vida dessas "pessoas" rotuladas como más companhias, acabasse nos contaminando. Mas... E o Bem presente em nós na Graça de Deus, será que não têm uma força para contagiar as pessoas com quem nos relacionamos?
Pois aí é que está o grande problema, inclusive de hoje em dia. O mal influencia a vida dos cristãos e as comunidades. Jesus, o Filho de Deus, não teme o mal presente na vida das pessoas, pois foi exatamente para isso que ele veio, para combatê-lo e eliminá-lo para sempre. Jesus não só andou com as más companhias, foi mais longe e assumiu a fragilidade humana por amor a humanidade que estava sob o domínio do mal.
Nos dias de hoje não podemos mais pensar dessa maneira, pois como discípulos e missionários de Jesus, nós temos que ter mais fé em nosso "Taco", na poderosa Graça de Deus presente em nossa vida, no poder de Deus manifestado no Espírito Santo e assim sairmos do nosso ambiente sagrado e entrarmos sem medo naquilo que muitas vezes consideramos profano, confiantes de que em Cristo somos mais que vencedores.
A casa de um Publicano cobrador de impostos não tinha nada de sagrado, ao contrário, os amigos de Levi eram todos da mesma "laia" que ele, isso é, pecadores considerados irrecuperáveis diante de Deus e dos homens. Sem a menor cerimônia Jesus vai á sua casa, o evangelista não menciona de quem partiu o convite, pode ser que tenha sido Levi, feliz da vida por ter sido convidado a ser discípulo e por isso queria comemorar, mas também pode ser que tenha partido de Jesus que nesse sentido era meio "oferecido", lembram-se da história do pequeno Zaqueuzinho?
O fato é que, quando se trata de salvar e oferecer as pessoas essa Vida totalmente Nova, Jesus de Nazaré faz de tudo e não está nem aí com certos preconceitos. Propõe, convida, chama, inclusive a "gentalha" que muitas vezes ainda continuamos a excluir em nossos tempos. Pensem um pouco... Quanta gente rotulada como má ( só porque não pertencem ao nosso grupo, igreja ou comunidade) dando por aí um testemunho maravilhoso com palavras e atitudes á favor da vida...
E ao final da reflexão deixo essa perguntinha, no mínimo provocadora: Quem são os "Enfermos" dessa história?

Jesus senta à mesa com os pecadores


É o segundo relato de vocação no evangelho de Marcos. Por que Jesus chama Mateus, um publicano, um pecador público, portanto, considerado impuro? A resposta: porque ele quis (cf. Mc 3,13). Como os quatro primeiros chamados (Mc 1,16-20), Mateus deixa tudo para seguir Jesus. A refeição oferecida em casa de Mateus a Jesus e seus discípulos, e cuja mesa é partilhada com "muitos publicanos e pecadores", é uma espécie de despedida de Mateus de sua vida anterior ao encontro com Jesus.
A partilha da mesa com os que eram considerados impuros é o que escandaliza os escribas e fariseus, e põe, para eles, em questão a identidade de Jesus. A ida de Jesus à casa de Mateus faz desmoronar um esquema religioso que exclui as pessoas da comunhão com Deus.
Jesus, assim como Deus no Antigo Testamento (Ex 15,26; Dt 32,39 etc.), se apresenta como médico que cura o ser humano das feridas profundas onde somente ele pode chegar e para as quais somente ele tem o remédio. O episódio é a ocasião em que Jesus define a sua missão: "Não é a justos que vim chamar, mas a pecadores" (v. 17).

 DA MARGINALIZAÇÃO AO DISCIPULADO

A passagem de Jesus pela vida de Levi provocou nele uma transformação considerável. Ele saiu imediatamente da marginalização sócio-religiosa para ingressar no discipulado, ao aceitar o convite do Mestre, exigindo dele a renúncia a uma atividade odiosa aos olhos de seus contemporâneos. Doravante, Levi não seria mais um publicano, e sim um discípulo de Jesus. A opção religiosa desse discípulo teve conseqüências também no plano social.
Na percepção de Jesus, porém, a mudança na vida de Levi deu-se num nível bem diverso. A discriminação, devida à profissão de cobrador de impostos, era irrelevante para o Mestre. Este procurava colocar-se acima dos preconceitos humanos. Importava-lhe, antes, o que se passava no coração de Levi, sentado no seu local de trabalho. Embora vivendo num ambiente corrompido e corruptor, sem dúvida, ele mantinha um elevado padrão de religiosidade. Os preconceitos que recaíam sobre sua categoria profissional não foram suficientes para levá-lo a apegar-se aos bens materiais. Assim, quando Jesus passou, estava suficientemente livre para segui-lo, sem restrições.
Ninguém ficou sabendo da mudança operada na vida de Levi, além dele mesmo, e do próprio Mestre. O homem de fé viu concretizar-se o que, até então, era objeto de esperança. Seguir o Messias Jesus significava ver realizada a promessa divina. Assim, mais que uma marginalização social, Levi superou a verdadeira marginalização religiosa, ao se fazer discípulo do Reino.

NOSSOS PARALÍTICOS...



comentário do Evangelho – Mc 2,1-12

Certa ocasião, quando refletíamos esse evangelho em grupo, alguém perguntou se na casa onde Jesus estava pregando, havia elevador ou coisa parecida, se olharmos o relato em si mesmo, vamos acabar fazendo outras perguntas como, “Será que eles não podiam pedir licença para passar no meio das pessoas e entrar na casa?” e mais ainda... Seria normal que as pessoas que estavam aglomeradas á entrada, quando vissem o esforço dos quatro homens, subindo na parede com o paralítico deitado em uma cama, oferecessem ajuda, buscando uma alternativa mais fácil...
O próprio Jesus, não poderia ter dado um jeito de sair para atender o paralítico, sem precisar tanto esforço de subir e ainda ter de abrir um buraco no telhado? Fazer perguntas como essas, é muito importante para a nossa reflexão, pois vamos e convenhamos, o modo que eles encontraram para colocar o paralítico á frente de Jesus, não foi o mais fácil, aliás, correu-se até o risco de um grave acidente.
Hoje em dia a gente sabe que nossos templos existentes, ou os que estão em construção, devem ter em seu projeto, a construção de rampas, para facilitar o acesso de nossos irmãos deficientes. Mas com certeza, não é este o tema do evangelista, ele está querendo dizer alguma coisa as suas comunidades e aos cristãos do nosso tempo.
Dia desses, alguém bastante estressado dizia-me que certas pessoas só atrapalham a vida da comunidade, porque são muito radicais, geniosas, incomodam a rodos, e o tempo todo só arranjam encrencas e mais encrencas, concluindo, dão muito trabalho, são sempre do contra, enfim, chatas e duras de engolir, e que sem elas, a comunidade é uma maravilha, o conselho deveria tomar providência, ou quem sabe, o padre impor a sua autoridade.
Pessoas com essas características não caminham, e ainda dificultam a vida de quem quer caminhar: pronto, já começamos a descobrir os paralíticos e paralíticas de nossas comunidades, irmãos e irmãs que não se emendam de seus defeitos, nunca mudam o seu jeito de ser, não se convertem e precisam portanto, ser acolhidas e carregadas. Há irmãos na comunidade que a gente tem prazer de encontrar, é sempre uma alegria imensa, mas há também esses, que nos perturbam, incomodam, e a gente não fica a vontade, se estão conosco em uma reunião da pastoral ou do movimento, a troca de “farpas” será inevitável...
Há no texto duas coisas que chamam a nossa atenção, primeiro o esforço desse quarteto, subir pela parede, desfazer o telhado e descer a cama com cordas. Jesus elogia-lhes a fé, parece até que fez o milagre como retribuição a tanto esforço. Eles tinham fé em Jesus Cristo, sabiam que se o levassem diante dele, seria curado, mas por outro lado, embora o texto não cite isso, a gente percebe que o amavam muito, tiveram com ele muita paciência, sei lá quantos quilômetros tiveram que andar, carregando aquela cama que deveria ser pesada, e ainda, ao deparar com a multidão aglomerada á frente da casa, poderiam ter desistido, já tinham feito a sua parte. Mas a força do amor e da fé, fez com que não desistissem, e se preciso fosse, seriam capazes de derrubar a casa.
Os quatro são uma referência para as nossas comunidades, onde muitas vezes falta-nos o amor e a fé, para carregar nossos paralíticos e superar os obstáculos, passando por cima dos preconceitos. Nas comunidades há pessoas amorosas, pacienciosas, que aceitam conviver com todos, amando-os como eles são, sem exigências, preconceitos ou radicalismo, mas há também a turma de “nariz empinado”, como aqueles doutores da lei, que não crê em um Deus que é misericórdia, e que perdoa pecados, seguem normas e preceitos, até trabalham na comunidade, mas são extremamente exigentes com os “paralíticos”, acham-se perfeitos e não aceitam a convivência com os imperfeitos.
Jesus elimina o problema pela raiz, “Filho, teus pecados te são perdoados...”, a cura física vem em segundo plano, e se a enfermidade impede que o paralítico se aproxime de Jesus, a comunidade os carrega, possibilitando que ele também faça a experiência do Deus que perdoa, ora, se houver na comunidade intolerância, preconceitos, e ranços ocultos, como é que essas pessoas poderão experimentar o amor, o perdão e a misericórdia? Os intolerantes têm sempre um olhar extremamente crítico e severo, para com os paralíticos, e não aceitam que outras pessoas tenham por eles amor e ternura, manifestada na paciência e tolerância.
Por isso Jesus ordena – levanta-te, toma o teu leito e vai para casa. Deus nunca faz as coisas pela metade, na obra da salvação, Jesus não fez simplesmente uma reforma no ser humano, mas o transforma em uma nova criatura, na graça santificante do Batismo, fazendo com que deixe de se relacionar com Deus na religião normativa, porque crê no Deus que é todo amor e misericórdia, que perdoa pecados e os liberta com a sua santa palavra, em Jesus de Nazaré.

Dificuldades da missão


Com o texto de hoje tem início o que chamamos, no evangelho de Marcos, as "controvérsias galileanas" (Mc 2,1-3,6), que devem ser compreendidas como disputas, dificuldades e oposições com as quais Jesus se deparou na realização de sua missão.
Em geral, as dificuldades provinham da interpretação e da consequente prática da Lei. Quem pode perdoar os pecados, a não ser Deus? Os escribas têm razão, pois "só Deus pode perdoar pecados". Jesus, no entanto, não disse outra coisa ao afirmar ao paralítico "os teus pecados são perdoados". O passivo divino revela que o sujeito da ação de perdoar é Deus. Mas como parte da aliança nova, em que a lei será posta no fundo do ser e escrita no coração (cf. Jr 31,33), está o perdão de toda culpa (Jr 31,34).
Jesus sente-se investido desse poder. A fé dos quatro homens que carregavam o paralítico provoca a reação de Jesus. Eles parecem representar os discípulos, cuja missão é conduzir as pessoas ao Senhor e suplicar por elas. Deus é bom para com todos.

SOB O PESO DO PECADO

A insistência sobre o tema do perdão dos pecados chama a atenção, na cena da cura do homem paralítico. Assim que Jesus o vê descer através de um buraco aberto no teto, declara que seus pecados estão perdoados. Esta declaração provoca alguns escribas que estavam por perto. Para eles, a palavra do Mestre soava como uma verdadeira usurpação de algo reservado exclusivamente a Deus. Portanto, Jesus era um blasfemo!
A maneira como ele rebate a maledicência dos escribas é significativa: cura o paralítico para provar que "o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar os pecados". O gesto poderoso de cura parece insignificante diante do poder maior de perdoar os pecados. E Jesus, de certo modo, parece sentir-se mais feliz por perdoar os pecados do que por curar. Por quê?
O perdão dos pecados tem, também, uma função terapêutica. Trata-se da cura do ser humano na dimensão mais profunda de sua existência, ali onde acontece seu relacionamento com Deus. Sendo esta dimensão invisível aos olhos, as pessoas tendem a se preocupar mais com as dimensões aparentes de sua vida, buscando a cura quando algo não está bem no âmbito corporal. Jesus vê além, preocupando-se por libertar quem pena sob o peso do pecado, mais do que sob o peso da doença. O primeiro é muito mais grave. Permanecer no pecado significa viver afastado de Deus e correr o risco de ser condenado. Este é o motivo por que o Mestre, antes de mais nada, que ver o ser humano liberto de seus pecados.