Às vezes, nós tememos desgastar a divindade de Jesus se nos concentramos um pouco sobre sua humanidade. Mas, não podemos esquecer que se Jesus é Deus, é também homem e homem perfeito. Portanto, não devemos ter medo de olhar a humanidade de Jesus. Façamos exatamente isto, porque é através desta humanidade que recebemos a cura de Jesus, que é Deus.
Antes de tudo, Jesus tinha os medos que nós temos. Tinha medo quando os judeus tentavam achá-LO: tinha medo! Não devemos considerá-lo com um super-homem: Ele é Deus, mas é perfeitamente homem. Nós O achamos falando na frente de todo mundo: “Tenho medo desta hora” (Marcos 14, 35; João 12, 27).
Muitas vezes, também nós sacerdotes, tentamos nos apresentar como super-homem, enquanto Jesus não faz isto. Jesus mesmo sendo Deus e Messias, se apresenta com toda a sua humanidade: “Tenho medo desta hora” e o medo era tão grande a ponto de fazer com que Ele suasse sangue. No Getsêmani, podemos achar a humanidade de Jesus no seu provar o medo. [...]
A solidão é com certeza um dos sentimentos e dos estados de ânimos mais normais e mais comuns, tanto em nós, padres, como nos leigos. Dizemo-lo muito claramente: a solidão é um estado de ânimo que todos, antes o depois, provamos e provaremos, hoje, especialmente em um mundo frenético, que corre sempre com mais pressa, que não tem tempo. De fato a o que mais dizemos é “Não tenho tempo!”.
Falta-nos tempo. Falta-nos tempo para o diálogo, falta tempo para escutar. Hoje são muitos os que reclamam de não ter ninguém a quem abrir a própria alma. Também nós, talvez, o sintamos.
Faço muitos retiros para freiras e todas reclamam da mesma coisa: “Não tenho ninguém para me comunicar, para me abrir!”, sejam elas de clausura ou de vida ativa! Os padres também: “Não tenho com quem me comunicar, o bispo não tem tempo para mim! Os superiores não têm tempo para mim e os irmãos todos entretidos nos seus afazeres”. Também no interior da família, muitas vezes, os pais não tem tempo para escutar os filhos.
E assim, nós todos sofremos a solidão. É uma realidade! Mas também Jesus sofria a solidão. E provavelmente o momento mais alto desta Sua solidão Ele o sofre no Getsêmani. Esse horto das Oliveiras nos revela, no grão maior, a figura humana, a humanidade de Jesus quando após, ter orado ao Pai, procura Pedro. Ele para a oração ao Pai para procurar Pedro! O que Pedro poderia dar-lhe? Mas Ele tinha necessidade daquele apoio. E Jesus reclama: “Então não pudeste vigiar uma hora comigo...” (Mateus 26, 40).
De novo, a humanidade de Jesus, a Sua solidão, sentida tão intensamente neste momento. [...]
A morte já está redimida, assim como o sofrimento. Jesus, quando enfrenta o sofrimento, o enfrenta quase com pânico. De verdade, suava sangue antes de poder falar: “Seja feita a Tua vontade!” (Lucas 22, 42-44). Hoje, encontramos tantas almas que enfrentam o sofrimento e o enfrentam com alguma serenidade. O sofrimento permanece, pode ser entendido, mas é enfrentado com alguma serenidade porque foi redimido através do sofrimento de Cristo!
E Jesus quer redimir o meu medo, a minha solidão, a minha tristeza, os meus sensos de culpa, a minha raiva, tudo que ainda é “uma ferida” no meu coração.
Portanto, o que nós temos que fazer? O ato de redimir de Jesus não foi somente na Cruz, mas toda a Sua vida foi redimível. De fato quando Jesus sente medo, ou quando Jesus sente solidão, etc., todos estes sentimentos humanos vividos por Ele são momentos que redimem; em todos estes momentos cumpria um ato redimível.
E os atos de Cristo são sempre atuais.
Atenção! O ato de redenção não está acabado! Tudo que Jesus fez, a remissão que Jesus nos deu, não é uma coisa histórica, mas é uma coisa que ainda esta acontecendo. Jesus, “me redimiu”, mas Jesus, “me redime hoje” não é uma coisa do passado, mais uma coisa de hoje! Portanto, Jesus, através do Seu medo, esta me salvando hoje. O que eu tenho que fazer é reconectar, conectar o meu medo como Seu medo. De fato, em outras palavras, quando eu tenho medo tenho que encontrar o Cristo com medo; quando eu vivo a solidão, eu devo encontrar o Cristo que Se sente sozinho.
Devemos viver, portanto, estes eventos de Jesus que ainda estão vivos: porque o Cristo que redime hoje, é vivo! E eu tenho que associar este meu estado de ânimo com o mesmo estado de ânimo que esteve também em Jesus.
Trecho do livro: Cura do Mal e Libertação do Maligno, Fr. Elias Vella, OFM
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