Reflexão
Mc 2, 18-22
Jejum no contexto desse evangelho significa uma interiorização para aquilo que há de vir, significa guardar toda a alegria para exultar-se quando vier Aquele que o nosso coração sonha e alimenta a esperança. Na Bíblia, que conta a experiência de Vida de um Povo com seu Deus, vira e mexe se compara o Reino com um grande banquete. Para o povo simples de Israel, principalmente os mais pobres, que tinham apenas uma refeição principal ao dia, imaginar um banquete já trazia alegria no coração além de água na boca. Banquetear-se é comer "até ficar triste" como diz o povo. Pois o Reino era assim anunciado, muita comida e bebida, carnes gordas e vinhos nobres.
Não
podemos interpretar literalmente o texto Bíblico que faz essa comparação, senão
vamos pensar que o Deus Cristão é aquele que enche o nosso estômago. Não é
isso! Deus manifestado em Jesus é aquele que sacia toda nossa fome, preenche
totalmente todo nosso ser fazendo-nos realizar plenamente a ponto de não
sentirmos falta de nada nesta vida quando vivemos com ele a comunhão. Não é
assim que saimos de um banquete? Barriga cheia totalmente satisfeitos... Dizem
até que na cultura judaica, o convidado, em um gesto de gratidão e delicadeza
deveria, ao final da refeiçao "arrotar" demonstrando assim a sua plena
satisfação...
Pois
os discípulos de Jesus já estavam comendo e se arregalando em uma festança
danada de boa, com a presença entre eles, do próprio Senhor, o Messias esperado
por todos enquanto que os de João e os Fariseus ainda estavam á espera, fazendo
jejum á espera do noivo e assim perdendo o melhor da festa... Enquanto estes
vinham com o milho, os de Jesus já retornavam com o Fubá...
Por
que isso acontecia? Não é porque os discípulos de Jesus eram mais espertos ou
mais inteligentes mas sim porque abriram o coração para acolher com alegria o
Mestre Jesus que trazia algo de novo e inédito, que a velha religião não tinha
para oferecer. Crer em Jesus de Nazaré e tornar-se discípulo exigias um
despreendimento de todo pensamento antigo, da tradiçao religiosa do passado. E
daí, os que se julgavam muito entendidos em religião, os Fariseus, não queriam
abrir mão de suas convicções religiosas, era melhor ficar com o legalismo e o
religiosamente correto do que correr o risco de perder a salvação.
Hoje
o recado é muito válido a todos nós cristãos do segundo, a essência da
verdadeira relação com Deus é o amor, a busca da justiça e da igualdade, o
respeito e a valorização da vida humana, se não nos abrirmos e nos adequarmos
para o método novo de evangelização e de anuncio do Reino na pós modernidade,
ficando fechados em nossas velharias religiosas, com a mente e o coração
trancados para os que pensam diferente, estamos pregando retalho de pano novo
em roupa velha, o tecido não irá resistir.
A
essência do Cristianismo é sempre a mesma, anunciamos Jesus Cristo, o mesmo de
Ontem, de hoje e de sempre, mas precisamos usar os novos métodos nessa missão,
senão vamos todos "mofar" em nossas igrejas, pastorais e movimentos,
com nossas práticas espirituais que não levam a lugar nenhum repetindo assim o
comportamento farisaico...
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