sábado, 13 de agosto de 2011

CONVERSÃO É GRAÇA DE DEUS

       O testemunho de Pedro no seu discurso produz uma inquietação no meio dos ouvintes (v.37); "o que devemos fazer, irmãos"1? Podemos dizer que esse é o primeiro efeito da Palavra, fazer a pessoa se questionar sobre suas atitudes e seu estado de vida. Mostra uma certa disposição interior para aceitar entrar nessa nova comunidade (16, 30). Novamente aparece a figura de Pedro como aquele que indica o caminho a seguir. A resposta de Pedro segue um esquema tradicional: conversão2 e batismo em nome do Senhor Jesus Cristo para o perdão dos pecados a fim de assim poder receber o Dom do Espírito Santo3.
(2,38,;3,19;5,31;8,22;11,18;13,24;17,30;19,4;20,21;26,20).
       Ele traz outro verbo para falar de conversão; epistrophein, tal verbo tem o sentido de voltar a traz, voltar, retornar. Esse verbo por sua vez aparece oito vezes em Atos (3,19;9,35;11,21;14,15;15,19;26,18.20;28,27). Percebemos que esse dois verbos andam muito juntos. E não sabemos colocar os verdadeiros limites entre "arrepender-se (metanoesate) e converter-se (epistrephate). Podemos dizer que a fé juntamente com o arrependimento constituem a conversão.
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       Ao mesmo tempo em que tem um embasamento tradicional, Pedro acrescenta a novidade do batismo cristã, receber o Dom do Espírito Santo. Lembremos que João Batista proclamava um batismo de conversão para o perdão dos pecados (Lc 3,3). E o mais interessante é que esse dom é para todos: judeus e gentios, os de perto e os distantes (v.39). Esse traz a expressão; "para quantos o senhor, nosso Deus, chamar". Faz referência ao profeta Joel (3,5c). Já referido na primeira parte do discurso. Os sinais que esse Dom chegou para os distantes é o batismo dos samaritanos (8, 15-17) e Cornélio, o centurião romano (10, 44-48).
       A aceitação à Palavra é conseqüência da proclamação do kerigma sob o impulso extraordinário do Espírito Santo. Lucas faz questão de deixar claro que esse processo é determinado pela força da Palavra de Deus proclamada por Pedro, "que „traspassa‟ o coração dos ouvintes, libertando-os interiormente e mostrando-lhe a beleza da vida segundo o evangelho e sua enorme diferença a respeito da existência da „geração perversa‟ à qual pertencem e da qual são chamados a distanciar-se"
       Temos que considerar outro aspecto, nem todos os ouvintes da Palavra de Deus dão uma resposta coerente a ela. Diante da Palavra se toma duas posições bem evidentes, ou aceitamos a Palavra e passamos pelo processo de adesão a mesma "Aqueles, pois, que acolheram sua palavra, fizeram-se batizar" (v.41) ou rejeitamos o anúncio e formamos o grupo daqueles que passam a perseguir "salvai-vos desta geração perversa" (v.40). Uma vez aceitando a autoridade da Palavra, formamos uma comunidade com alicerce no testemunho fraterno.

      Projeto para uma vivência fraterna em comunidade

       A aceitação à Palavra é conseqüência da proclamação do kerigma sob o impulso extraordinário do Espírito Santo. Esta adesão acontece de modo pessoal, cada um se apaixona por Cristo e é capaz de dizer a ele um sim. Entretanto, como esse projeto revela-se comunitariamente vem daí a formação das comunidades (2,42-47; 4, 32-37; 5, 12-16). Lucas usa estes três sumarios para falar de forma resumida, mas real da experiência das primeiras comunidades. De forma que nos dois sumários últimos vemos uma retomada do tema, mas mediante a intercalações com outros textos, com aplicação do tema abordado.
      A estrutura desses sumários apresenta para nós uma ligação de sentido dos problemas tratados neles. Cada sumário expressa uma conclusão do conteúdo anterior.
5 Cf
Cf. RICHARD, Pablo, O movimeto de Jesus depois da ressurreição, 44 CASALEGNO, Alberto, Ler os Atos dos Apóstolos, 121 4.Esta adesão acontece de modo pessoal, cada um se apaixona por Cristo, visto que a mensagem ouvida lhes tocou o coração, sendo assim são capazes de acolher a proposta de conversão. 5 Por outro lado serve para fazer a ligação temática que vem logo a seguir. O fim de cada sumário traz o problema abordado na perícope posterior.6 Podemos apresentar outras referências bíblicas as quais têm por objetivo apresentar um resumo de como viviam sua fé as primeiras comunidades. (6,7; 9,31; 12,24; 16,5; 19, 20).7
       Qual é o chão da vivência comunitária da fé? Como deve ser a vida dos que se comprometem com a causa de Jesus? Estas perguntas foram pertinazes no passado e continuam a nos instigar a tomar uma decisão bem clara referente a elas. Pois o lugar teológico por excelência é a comunidade

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8. É nesta realidade eclesial que se encontra o sitz in leben lucano. Lucas faz sua teologia olhando sempre para esta forma comunitária de viver a fé.
1 Essa mesma frase aparece nos lábios das multidões, dos publicanos e dos soldados que assistem à pregação de João Batista, no começo do evangelho (Lc 3, 10.12.14).
2 Mesmo no texto grego trazendo o verbo metanoesate, no sentido de arrependimento das suas ações cometidas, onde esse verbo vai aparecer sete vezes nos Atos

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