Assim como as ondas de rádio sofrem interferências que impedem uma boa sintonia, também podem apresentar-se obstáculos no campo da fé. Por vezes, as trevas podem afetar pessoas que vêm seguindo o Senhor há muitos anos e que ficam, por culpa própria ou não, desconcertadas ou como que perdidas, deixando de ver a alegria e a beleza da entrega.
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Nesses casos, tornam-se necessárias umas perguntas feitas com sinceridade na intimidade da alma: Desejo realmente voltar a ver? Estou disposto a concordar ao menos em que existem razões e acontecimentos que revelam a presença de Deus na minha vida? Deixo-me ajudar? E para isso exponho a minha situação com clareza, sem esconder-me por trás de teorias, sem maquiagens, sem paliativos?
Juntamente com a soberba, que é o principal obstáculo, podem apresentar-se outras dificuldades: o ambiente ávido de comodismo, que tende a rejeitar por princípio tudo o que implica sacrifício e cruz, e que pode armar laços sutis, cheios de razões humanas contrárias ao que Deus pede em determinado momento: um caminho cheio de alegria, mas mais árduo e íngreme que o de um ambiente carregado de hedonismo.
Será necessário então um esforço suplementar e mesmo heroico por desprender-se de todo o lastro das paixões, que arrastam para o pó da terra; será necessário purificar o coração dos amores desordenados para cumulá-lo do amor verdadeiro que Cristo oferece, pois dificilmente poderá apreciar a luz quem tem o olhar turvo.
A preguiça é outro obstáculo que pode interpor-se no caminho para Deus. Como todo o amor autêntico, a fé e a vocação implicam uma entrega da pessoa, que o amor nunca considera suficiente. A preguiça costuma traçar uns limites e defender uns direitos mesquinhos que entravam e atrasam a resposta definitiva a essa fé amorosa.
O Senhor pode também ocultar-se à nossa vista para que O procuremos com mais amor, para que cresçamos em humildade e nos deixemos orientar e guiar por quem Ele colocou ao nosso lado para levar a cabo essa missão. Se compreendemos nesses casos que é essa a vontade divina, sempre acabamos, sem exceção alguma, por descobrir o rosto amável de Cristo, mais claramente do que antes, com mais amor.
A palavra “fé” tem na sua raiz um matiz que vem a significar deixar-se conduzir por outra pessoa mais forte do que nós, confiar em que outro nos preste a sua ajuda. Confiamos fundamentalmente em Deus, mas Ele também quer que nos apoiemos nessas pessoas que colocou ao nosso lado para que nos ajudem a ver. Deus dá-nos frequentemente a luz através de outros.
O Senhor passa ao nosso lado com os suficientes pontos de referência para podermos vê-Lo e segui-Lo.
Peçamos à Virgem que nos ajude a purificar o olhar e o coração para que saibamos interpretar corretamente os acontecimentos de cada dia, descobrindo neles a presença de Deus.
Creio, Senhor, mas ajuda-me a crer com mais firmeza; espero, mas faz que espere com mais confiança; amo-Te, mas que eu Te ame com mais ardor.
Falar com Deus
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