quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PERÍODO CLÁSSICO



PERÍODO CLÁSSICO

Não pretendemos fazer comparações entre os períodos que compõem a História da Filosofia, mas dá uma ênfase acerca da Natureza no pensamento antigo, e sobretudo ao que diz respeito a CRIAÇÃO.
Há alguns anos, ou melhor, desde a Antigüidade vemos a busca pelo conhecimento a fim de explicar a origem do universo, do homem, se Deus é imanente a criação do universo entre outros. Quando se fala da “Criação”, imediatamente pensamos nas questões relacionadas a Deus e a origem do mundo. Por isso, na tentativa de mostrar vias acerca desses questionamentos, partimos com a metafísica, como princípio.
Refletindo sobre a “Doutrina da Criação” e, levando em consideração a pergunta originária desde os primórdios da Filosofia, ou seja, o que dá sentido à realidade, perceberemos que aproximadamente 25 anos de existência da Filosofia, a metafísica sofreu grandes mudanças.
No primeiro momento voltemos à Antigüidade. A idéia do cosmos grego concebia a realidade como o TODO. Fundamentava o pensamento a partir da essência das coisas, independentemente da subjetividade.
Essa compreensão de que o universo era visto através de especulações cosmológicas, mais tarde foi criticado pelos modernos.
Deixemos claro que essas discussões sobre o universo numa perspectiva cosmológica, consequentemente influenciaram também na relação do homem com o universo, e posteriormente o modo de vida do homem inserido nesse mesmo universo.
Desde os antigos até os medievais, o pensamento acerca daquilo que poderia ser conhecido, só era possível graças a natureza (Physis). Nisso constituía o princípio da verdade e do bem, isso é, do saber e da ética, respectivamente.
Tendo como paradigma o “cosmos grego” como princípio da realidade, “possibilita-nos” a perguntar, ou até mesmo, responder sobre a “matéria”.
Se o cosmos era modelo de ser que dava sentido à realidade, e entendido como e imutável, nesse sentido a matéria é não-criada.
É próprio do pensamento humano tematizar a ordem como fundamento da ação humana. A ordenação só poderá ser compreendida racionalmente, ou seja, vê a essência, o “eidos”, pois conhecemos o objeto pela essência. “Mas se algo existe de eterno, imóvel e separável, é evidente que compete a uma ciência teórica conhecê-lo”.1
1 Cf. Aristóteles, Metafísica, p.141
2 Cf. Gn 1, 26-27; 9,3; Sb 9, 2-3
3 Cf. Sl 8,7 e 10
Porém na modernidade a subjetividade emerge como fonte de todo sentido e constituinte da ordem. Pergunta-se não mais pela essência, mas pelo sujeito do conhecimento, o homem que se revela como sujeito em relação a si mesmo e ao mundo. Essa experiência do pensamento moderno não fora percebido pelos antigos.
Com efeito, é importante salientar que durante a história da humanidade, encontramos muitas divergências quanto a reflexão acerca da Criação. Como já vimos, os antigos, por exemplo, preocupavam-se com o surgimento do mundo, enquanto que no pensamento medieval, vê-se a influência da ética. Os modernos, de certa forma influenciados pelo Iluminismo, passam a ter uma visão mecanicista do universo (com suas leis determinadas).
A partir daí se percebe um grande ponto que diverge os antigos dos modernos. A preocupação não está mais no que é o universo, mas como é o universo.
A concepção de Criação tida pelos escritores cristãos nos séculos I e II, baseava-se numa visão judaica-helenista, e até mesmo como encontramos no Antigo Testamento.
O homem, criado à imagem de Deus, recebeu o mandamento de dominar a terra com tudo o que ela contém e governar o mundo o mundo na justiça2 e, reconhecendo Deus como criador do universo, orienta-se a si e ao universo para ele; de modo que, estando todas as coisas sujeitas ao homem, seja glorificado em toda a terra o nome de Deus.3
Percebe-se, então uma louvação à beleza da criação e a ordem do cosmo, da qual deriva o sentido e valor de sua atividade.
Por isso, tornou-se evidente a relação entre a doutrina da criação dos primeiros teólogos cristãos e a cosmologia da filosofia contemporânea.
Nesse intuito, as principais linhas de pensamento nos primeiros séculos cristãos (Estoicismo, Epicurismo e Ceticismo), tentaram fundamentar o pensamento filosófico à prática da vida, e que por esse meio, o homem pudesse alcançar a “bem-aventurança” (eudaimonia)4
Encontramos uma tentativa de relacionar o pensamento cosmológico da criação à ética. Pois não basta apenas “louvar a obra do criador”, mas obter como resultado a realização do bem_ na vida prática. Podemos dizer que esse é o nexo encontrado entre a cosmologia e a ética.

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