Comentário baseado no evangelho de Lc
15,3-7.
A festa do Sagrado
Coração de Jesus é a festa do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, por
toda a humanidade. Que o Senhor faça o nosso coração semelhante ao Seu:
compassivo, cheio de misericórdia.
O capítulo 15 do
evangelho segundo Lucas é composto de uma sucessão de três parábolas de
misericórdia. As parábolas são a resposta de Jesus à murmuração dos escribas e
fariseus: "Este homem recebe os pecadores e come com eles!". Na
tradição bíblica, Deus é o pastor (Sl 23[22]) que procura a ovelha que se
perdeu: "Procurarei as ovelhas perdidas, recolherei as desgarradas,
curarei as feridas e as doentes…" (Ez 34,16). Deus não desiste de ninguém
que ele criou à sua imagem: deixando em segurança as outras ovelhas, ele vai
atrás da que se perdeu até encontrá-la (cf. v. 4).
Já no capítulo quinto,
Jesus respondeu a questão semelhante: "... os sãos não têm necessidade de
médico e sim os doentes; não vim chamar os justos, mas os pecadores para que se
convertam" (5,31-32). A alegria de Deus é a conversão dos seres humanos.
Portanto, a atitude de Jesus de acolher bem os pecadores está fundamentada no
modo como Deus age. A parábola é ocasião de afirmar, como nos capítulos 5,31-31
e 19,10, a missão de Jesus.
A morte de cruz foi, na
vida de Jesus, a expressão consumada de seu amor pela humanidade pecadora e de
sua fidelidade ao Pai. Ela resumiu seu projeto de serviço ao Reino de Deus e
comprovou que sua vida estava totalmente centrada no Pai.
A cena do coração de
Jesus, transpassado pela lança com o conseqüente jorrar de água e sangue, foi
carregada de simbolismo sacramental. Do coração de Jesus, brotava a água do
Batismo, que purificaria o cristão do pecado e refaria seu relacionamento com
Deus. Pelo Batismo, o cristão se converteria ao amor e ao perdão, redescobriria
a importância da comunhão fraterna e passaria a fazer parte do povo novo, salvo
por Jesus. O sangue jorrado do coração de Jesus simbolizava a Eucaristia, em
que sua paixão e morte seriam revividas como memorial, recordando, sem cessar,
a presença de seu sacrifício redentor, na história humana.
O coração transpassado
não correspondeu à pura constatação de que Jesus, realmente, tinha chegado ao
fim. Pelo contrário, a abundância de água e sangue apontavam para a inauguração
de tempos novos. Do coração aberto nasceria a Igreja, cuja missão seria levar
adiante a obra redentora de Jesus e manter viva sua memória na consciência da
humanidade, mediante um testemunho de vida modelado em Jesus. Seu coração seria
um apelo aos cristãos para viverem o amor e manifestarem sua fidelidade ao Pai,
até o extremo.
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