Lucas 1,39-56
Muitas vezes me perguntei, o que teria Maria ido fazer na casa de sua parenta Isabel, cujo caminho montanhoso era íngreme e distanciava mais ou menos 40 km de sua casa. Ela não foi sozinha, provavelmente acompanhou alguma caravana que seguia para aqueles lados, pois sozinha seria muito arriscado. A catequese Lucana nos dá a entender que Maria foi para servi-la, preocupada com a situação delicada da sua parenta, avançada em anos. Mas prestemos muita atenção na conversa dessas suas mulheres, nesse roteiro catequético muito bem preparado e magistralmente produzido por Lucas.
Muitas vezes me perguntei, o que teria Maria ido fazer na casa de sua parenta Isabel, cujo caminho montanhoso era íngreme e distanciava mais ou menos 40 km de sua casa. Ela não foi sozinha, provavelmente acompanhou alguma caravana que seguia para aqueles lados, pois sozinha seria muito arriscado. A catequese Lucana nos dá a entender que Maria foi para servi-la, preocupada com a situação delicada da sua parenta, avançada em anos. Mas prestemos muita atenção na conversa dessas suas mulheres, nesse roteiro catequético muito bem preparado e magistralmente produzido por Lucas.
O que teria a ver essa
visita com a História da Salvação, e por que Lucas registrou em seu evangelho
essa conversa entre Maria e Isabel? Isabel, estéril e avançada em anos,
como nos diz o texto, é o resumo da História do Povo de Israel, que havia feito
uma grande caminhada na História, animados pelas promessas de Deus, mas até
aquele momento nada de especial tinham visto e mesmo os profetas, que eram os
porta-vozes de Deus, havia 300 anos que Deus não suscitava profetas no meio do
povo. Os mais céticos achavam que Deus havia se esquecido do seu Povo e não
faltava os mais incrédulos ainda que diziam ser tudo aquilo das Promessas
Divinas uma grande lorota. Podemos dizer que nesse encontro de Maria e Isabel,
Deus tomou a pena de novo para começar a reescrever a História, com o final do
tempo das promessas e a chegada dos templos da Plenitude.
Maria é uma menina, que
vai ser a primeira Discípula de Jesus, a primeira Cristã, a primeira Mulher do
Povo da Nova Aliança. É a portadora do Germe Divino que Deus havia prometido.
Podemos dizer que essa passagem é o epílogo de todo Antigo Testamento, e ao
mesmo tempo o início do Novo. De um ventre seco e do seio de uma Virgem, de
maneira prodigiosa Deus interfere com o seu Espírito e a Fertilidade
supera a esterilidade, o Possível Divino suplanta o impossível Humano.
Na resposta de Isabel ao
Shalom desejado por Maria, quando chegou a sua casa, encontramos o Antigo
Testamento, que exulta com o Novo. No vente de Isabel, João Batista, o último
dos profetas do Antigo Testamento, manifesta alegria pela presença do
Salvador. Aquela que acreditou nas promessas é Bendita, porque agora, não
só vai vê-las ser realizadas, mas terá o privilégio de participar delas. Quase
nada poderia a pobre serva fazer, para que se cumprissem as Promessas
Messiânicas feitas a seu Povo. Quem era ela afinal? Apenas uma
adolescente, moradora de um vilarejo montanhoso chamado Nazaré. Dela nada
poderia se esperar...
Também de nossas comunidades,
principalmente as mais simples e pequenas, não se pode exigir nenhum grande
empreendimento que mude os destinos da Humanidade. Mas é precisamente aí que
Deus mora, plantando o Germe Divino, fazendo a Encarnação acontecer de Novo,
trazendo uma grande e inexplicável alegria á nossa alma. Nos pequenos e nos
simples, que confiam e esperam, tudo se renova e recomeça, a cada momento, a
cada dia.
O relato da visita de
Maria à prima Isabel é a conclusão dos relatos das duas anunciações (Lc
1,5-25.26-38). Assim como a gravidez de Isabel é objeto de revelação a Maria,
do mesmo modo a de Maria é objeto de revelação a Isabel. A revelação de Isabel
vem do fato de a criança pular em seu ventre: “Quando Isabel ouviu a saudação
de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e ela ficou repleta do
Espírito Santo” (v. 41). A Isabel, pela graça do Espírito Santo, é dado
conhecer não somente que Maria está grávida, mas que o menino é o Messias:
“Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (v. 43). Pulando de
alegria no ventre de Isabel, João começa a realizar sua missão de precursor.
A cada uma das mães Lucas
atribui um cântico. A Isabel, o do v. 42: “Bendita és tu entre as mulheres e
bendito o fruto do teu ventre”. A Maria, o Magnificat (vv. 46-55), um hino de
louvor a Deus, composto com um mosaico de referências bíblicas.
A fé eclesial,
contemplando Maria a partir do Mistério Pascal de Jesus, professa que ela, no
término de sua caminha terrestre, foi elevada ao céu. A Igreja fala em
assunção, ou seja, Maria foi assumida por Deus e colocada na glória celeste.
Trata-se da ação de Deus fazendo grandes coisas na vida da mãe do Salvador. Não
uma ação isolada, e sim, o ápice de uma sucessão de graças na vida de quem foi
cheia de graça.
A assunção de Maria
brotou da Ressurreição de Jesus. É como se Maria tivesse seguido o caminho novo
de acesso ao Pai, aberto pelo Filho Jesus. Deus, de certo modo, antecipou em
Maria o que haveria de ser o destino de toda a humanidade. A Ressurreição de
Jesus foi penhor de ressurreição para todo ser humano. Em Maria, isto já se fez
realidade.
A assunção situa-se no
contexto da fé de Maria. Ela havia proclamado que Deus exalta os humildes e
destrói a segurança dos soberbos. Sua vida caracterizou-se pela humildade e
pelo espírito de serviço. Ela se sabia serva humilde do Senhor, transcorrendo
sua vida no escondimento. A condição de mãe do Messias não a tornou orgulhosa e
cheia de si. A Maria exaltada na assunção foi a mulher humilde e servidora.
Deus levou para junto de si a mulher cuja vida transcorrera em total comunhão
com ele. A assunção, por conseguinte, consistiu na radicalização de uma
experiência constante na vida de Maria.

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