sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Felicidade como fruto da boa vontade

1.1.              A Felicidade como fruto da boa vontade

Vimos, anteriormente, que o papel da boa vontade é tornar o homem sábio, pois este, segundo Santo Agostinho, é o único capaz de ser feliz. A partir de então iremos abordar a felicidade como furto da boa vontade.
Para se chegar à felicidade, o primeiro passo é a voluntariedade. Pois a boa vontade está disponivelmente nas mãos do homem. Logo, depende deste ser feliz ou não. Entretanto, além da voluntariedade, que é uma boa vontade, é necessário que o homem seja bom, porque "não tornaram tais só terem querido vida feliz, isto que os maus também o querem. Mais sim porque os justos querem com retitude, o que os maus não o querem" ( O livre - arbítrio).[1] Vê-se, portanto, que a retidão, a qual é uma boa vontade, juntamente com o querer levará o homem à tão desejada felicidade. Logo, a retidão deve ser uma constante na vida do homem que almeja a felicidade. Diante de tudo o que foi apresentado até o presente momento, surge uma indagação: o que é felicidade na perspectiva da boa vontade? Neste contexto felicidade é a conseqüência, a recompensa para um homem justo, reto, submisso à razão; para um homem virtuoso. Portanto, levar vida feliz implica viver justa e honestamente e isto acontece quando o homem acata a boa vontade como bem crucial. Neste sentido, quem vem a ser o homem feliz?
"É feliz o homem realmente amante de sua boa vontade e que despreza, por causa dela, tudo o que se estima como bem, cuja perda pode acontecer, ainda que permaneça à vontade de ser conservado” [2]. Já que a boa vontade é um pré-requisito para se alcançar à felicidade. O que o se deve fazer para conseguir a boa vontade? Santo Agostinho diz-nos que:

"se por nossa boa vontade amamos e abraçamos essa mesma boa vontade, preferindo-a  a todas as outras coisas, cuja conservação não depende de nosso querer, a conseqüência será, como nos indica a razão, que nossa alma esteja dotada de todas aquelas virtudes cuja posse constitui precisamente a vida conforme a retidão e acima de todos os bens passageiros da vida realiza conquista tão grande, com tanta facilidade que, para ele, e  o querer e o possuir serão um só e mesmo ato" .[3]
 "Desta maneira estaremos adquirindo tão grande bem, o qual elevará a alma na tranqüilidade, na calma e constância, e assim, constitui a vida que é dita feliz”.[4] Logo, a felicidade ou vida feliz é na sua essência fruto da boa vontade.


[1]
[2] Ibid. pg. I, 28, 60
[3] Ibid. pg. I, 29, 61
[4] Ibid. pg. I, 29, 61

A boa vontade e seu papel


2.1.               A boa vontade e seu papel

Cabe-nos agora, discorrer sobre a boa vontade e seu papel. Portanto, surge-nos um questionamento inicial: o que vem a ser a boa vontade? A boa vontade, na concepção de Santo Agostinho, “é a vontade pela qual desejamos viver com retidão e honestidade, para atingirmos o cume da sabedoria”.[1] Vemos, então, que a boa vontade tem o intuito de levar o homem a ser sábio; a se deixar guiar pela razão, evitando as paixões, que lhes desvirtuarão do caminho rumo à felicidade, que por sua vez, constitui-se como sendo sua finalidade maior. Logo, viver com retidão e honestidade, implica viver ordenado, dirigido pela razão, que é a essência da boa vontade e a quem o homem deve estar submisso. Esse, portanto, é o papel da boa vontade.
É, também, papel da boa vontade tornar-se boa. Logo, surge-nos um outro questionamento: Como e por que a vontade deve ser boa? Com base numa reflexão filosófica chegamos a conclusão de que o fato da vontade tornar-se boa deve-se a graça, que é um dom de Deus, e que por sua vez, “não tem o efeito de suprimir a vontade, mas sim de torna-la boa, pois ela se transformara em má”.[2] Logo, pela graça a vontade torna-se boa e fica, desse modo, estabelecido a relação vontade – graça, que resultará no bem. Pela graça a vontade torna-se boa e por isso confirma-se nesta, pois estando inserida nela, não podendo praticar o mal, atinge o ápice da liberdade.
Se o fim da boa vontade é fazer com que o homem seja sábio, pelo fato de ser o único homem capaz de ser feliz, então, “depende de nossa vontade gozarmos ou sermos privados de tão grande e verdadeiro bem”.[3] Vê-se, assim, a boa vontade é um tesouro para o homem e esta está ao seu alcance, basta que ele recuse as paixões, submeta-se à razão e acolha a boa vontade. Já que a boa vontade é um tesouro, como poderemos adquiri-la? A fim de que a possuamos é necessário que cultivemos o exercício das quatro virtudes cardeais. Cabe-nos agora, discorrer sobre estas.
A primeira das quatro é a força, que consiste em resistir à má vontade; em seguida vem a prudência, que é a obrigação de desejar o bem; a seguinte, trata-se da temperança, a qual implica na moderação das paixões e por final a justiça, que tem por finalidade dar a cada um o que lhe pertence.
Observamos, portanto, que o homem sábio, o qual é a meta da boa vontade, é também um homem virtuoso, pois vive retamente, ou seja, possui o hábito do bem agir, já que é submisso à razão. E este homem é o único que pode  ser feliz, porque a felicidade é a conseqüência, a recompensa para um homem virtuosos, aquele vive retamente, porém sem esperar recompensa por isso sim porque ama a lei eterna, os bens eternos e despreza os temporais.

“De onde se segue esta conclusão: todo aquele que quer viver conforme a retidão e honestidade, se quiser pôr esse bem acima de todos os bens passageiros da vida, realiza conquista tão grande, com tanta facilidade que, para ele, o querer e o possuir serão e só mesmo ato”.[4]


Observamos então que é voluntariamente que o homem merece a felicidade que é a recompensa de viver retamente, ou o castigo, o sofrimento, a desventura diante de uma vida pecadora.


[1] Ibid. pg. I, 12, 25
[2] Ibid. pg. 18, 9
[3] Ibid. pg. I, 26, 56
[4] Ibid. pg. I, 13, 29

O Conceito de Livre Arbítrio para Santo Agostinho


O Conceito de Livre Arbítrio para Santo Agostinho

Na concepção agostiniana, "O Livre - arbítrio" é um Dom de Deus, concedido às criaturas racionais que as permite agir livremente de acordo com a sua vontade. É  o uso consciente da liberdade. Esse Dom de Deus é guiado pela vontade destas criaturas, que pela razão o usarão, devidamente, proporcionando o bem e pela paixão o tornarão causador do mal, pois estarão privando-o e sua privação consiste no mal; já que ele é o bem. Mas como pode um bem concedido por Deus, que por sua vez é o Bem Supremo e criador de tudo o que existe no mundo, ser causa do mal?
O livre arbítrio torna-se causa do mal, por meio daqueles que o receberam, pois estes não o usaram devidamente, ou seja, privaram-no. Logo, se o mal é a privação do bem, e o livre  arbítrio sendo um bem, sua privação é causa do mal; é o mal.
Surge, então, uma outra questão, se a existência do pecado  deve-se ao livre arbítrio. Então, Deus, dando-nos o livre - arbítrio, concedeu-nos a possibilidade de pecar? A respeito desta problemática, Santo Agostinho diz-nos que:

"Se o homem carecesse de livre- arbítrio da vontade, como poderia existir esse bem, que consiste em manifestar a justiça, condenando os pecados e premiando as boas ações? Visto que a conduta desse homem não seria pecado nem boa ação, caso não fosse voluntária. Igualmente o castigo, como a recompensa, seria injusto, se o homem não fosse dotado de vontade livre. Ora, era preciso que a justiça estivesse presente no castigo e na recompensa, porque aí está um dos bens cuja a fonte é Deus. Conclusão, era necessário que Deus desse ao homem vontade livre" .[1]


Concluímos, portanto, que o livre - arbítrio, Dom de Deus concedido às criaturas racionais, é um bem, pois Deus é o Bem Supremo e do Bem Supremo só deve originar-se o bem. O Bem gera o bem e jamais o mal. E uso do bem regido pela razão continua sendo bem, quando privado desta torna-se mal. Assim sendo, "O livre - arbítrio" é a possibilidade que o homem, por intermédio da graça divina, que faz com que o livre - arbítrio queira e realize o bem, possui de escolher de acordo com a sua vontade como viver, que caminho seguir: o da retidão ou o do pecado.



[1] SANTO; Agostinho, O livre arbítrio, p. II, 1, 3

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Marcas da Experiência de Deus:



A primeira grande marca da experiência de Deus é que ela nos faz reler a vida a partir de algumas vivências fortes da presença amorosa de Deus, que vai dando um sentido novo à tudo que nos cerca. Neste sentido, eu me situo e assim me interpreto, buscando me entender de modo bem diferente diante do universo que me envolve. Nisso consiste afirmar que: a vida espiritual começa quando percebo que Deus me ama. Tal percepção supõe em mim uma disposição muito forte para reatar laços numa reconciliação consigo e com todos os seres. Nos leva também a recuperar o verdadeiro sentido do projeto da vida humana, que é, a maturidade do homem e da mulher. Nisto consiste saber que a convicção profunda do amor que Deus tem por nós, apaga os medos e destrói as máscaras que nos escondem.
 A Segunda marca é o conhecimento da vontade de Deus. Ou seja, é a experiência profunda de saber o lugar que eu ocupo no plano da salvação, em favor do outro. É sobretudo a abertura para a compreensão da missão. Daí, eu vou percebendo a surpreendente presença de Deus, mesmo nos caminhos tortos. O conhecimento da vontade de Deus, nos vai impulsionar a buscar e a encontrar Jesus em todas as coisas. É a experiência de vivenciar a espiritualidade de um Deus criador que continua trabalhando em cada um e em todos nós, bem como no hoje da nossa história. Daí então, vamos absolutizando valores já conhecidos, quando se percebe que tais valores são de fato assumidos pelo próprio Deus. A terceira marca dessa profunda e humanizante experiência de Deus, é a do encontro com este mesmo Deus que nos faz estremecer, ficarmos pasmos, maravilhados. O que nos faz afirmar com veemência, que a experiência que vivenciamos na espiritualidade, é como um horizonte, quanto mais caminhamos para ele, mais parece que ele afasta-se de nós. Porém, chegar à ele é na verdade, avançar sempre mais. Mas é justamente nisso, que consiste a nossa paz e a nossa esperança: saber que estamos sempre no caminho. Pois Deus é o inatingível, o não manipulável. Porém, a marca principal desta sede que nunca se sente satisfeita, é a paz interior.

Espiritualidade e Oração:

 Falar da experiência de Deus na vida espiritual da pessoa humana, leva-nos necessariamente, ao campo da mística e da oração. Por isso traçaremos agora, em poucas palavras, a relação que há entre a espiritualidade e a oração. Apontaremos também, a dimensão transformadora e o compromisso que há de brotar, de uma vida espiritual alicerçada na oração. Sem dúvida nenhuma, foi a tradição da vida religiosa, que privilegiou a oração como o lugar da experiência de Deus. Assim sendo, a missão era vista apenas, como o final do processo que começava com a oração. Esta por sua vez, motivava e alimentava a missão. A relação entre oração e missão, oração e ação, acontecia numa só direção, cujo ponto de partida era sempre a oração. No entanto hoje, vamos compreendendo a íntima relação que há entre a oração e a ação, nas duas direções. Portanto, a partir de uma espiritualidade encarnada no hoje de nossa história, é possível afirmar que
: “A oração leva ao compromisso e o compromisso leva de volta à oração”.
 A oração não pode ser, e nem deve ser alienada, ela deve sim, se converter em atitude vital, de maior qualidade. O que significa dizer, que a pessoa espiritual( pessoa na sua totalidade) ou de oração, deve e tem por missão, viver mais humanamente, criando relações humanas-humanizantes, respeitando e lutando sempre pela promoção da dignidade da pessoa humana. O documento de Puebla no número 727, se refere a uma oração que de fato leve a pessoa à um compromisso libertador, bem como, de uma vida também pautada em momentos fortes de oração, intimidade com Deus. Desse modo, a oração, continua sendo o centro da experiência de Deus. Hoje também somos atraídos à uma nova compreensão que diz:
É possível fazer uma profunda experiência de Deus, dentro do compromisso libertador, que se expressa como uma verdadeira contemplação na ação, oração na vida, contemplação ativa e compromisso contemplativo, no qual, Deus é encontrado, no coração da vida humana.
Nesse ponto, vemos que a vivência da realidade, não apenas exige de nós momentos fortes de oração, onde se encontra Deus e ao mesmo tempo se fortalece para a ação, sobretudo, torna-se o lugar privilegiado, da experiência de Deus. Na verdade, a vivência plena da espiritualidade, o encontro com Deus, acontece no próprio trabalho que pretende transformar a realidade, no compromisso com os crucificados da história, na solidariedade com os desfigurados de ontem e de hoje, na partilha de seus sonhos, na caminhada comum, a ponto de partilhar se necessário, até o seu destino no martírio o que na tradição Bíblica chamamos do culto à Deus, na prática da justiça. Nesse contexto, queremos enfatizar que o centro da experiência de Deus passa a ser a missão, entendida a partir do mistério de Jesus Cristo. Pois ele, sendo o enviado do pai, entrega-se totalmente à causa do reino, realizando a sua missão, em plena comunhão com o pai que o envia. É a luz do projeto de Deus, que Jesus contempla o mundo, a realidade do ser humano, comprometendo-se radicalmente e incondicionalmente, ao anúncio do reino. Dai ser a sua vida, a efetivação da chegada do reino, por isso ele afirmava:
” O reino de Deus já está entre vós”.
Tudo isso ele fazia imbuído de uma relação intrínseca com o pai. Relação essa, motivada por uma mística profunda, que o levava ao mesmo tempo ao encontro dos desfigurados da história. Esse diálogo intimo com o pai, brota do coração e do compromisso. Isso percebemos claramente, quando Jesus se retirava para orar, pois o conteúdo central da sua oração, é o reino, o plano de Deus sobre o mundo e sobre o destino humano, bem como, a sua fidelidade a esse plano. Assim a oração não é instrumento para a missão, mas na verdade ela expressa, a comunhão interior com Deus, que dá sentido e consistência não somente à nossa vida, mas também, à própria missão. Para concluir este tópico gostaríamos de frisar, que tanto a oração, quanto a espiritualidade, numa profunda experiência de Deus, são na verdade atitudes de vida. A espiritualidade e oração, consiste, em viver diante de Deus, contemplando e compreendendo a vida, à luz do seu projeto. A oração e a espiritualidade, são nesse sentido vistas, como atitudes de vida que não excluem a necessidade de momentos fortes do que chamamos de oração pessoal, silêncio interior, intimidade com o pai de Jesus e nosso pai. Na verdade, trata-se de rezar a vida e a história, de expor a existência pessoal e a missão, diante de Deus. É colocar diante do pai a própria vida, a vida do nosso povo, a vida do mundo, com toda a carga de sofrimentos, lutas, vitórias, desafios e conquistas. São momentos de louvor, agradecimentos, e súplicas, mas sempre algo muito concreto, humano e humanizante, que brota a partir de algo vivido, sofrido, partilhado, porém, carregado de sinais de esperança. É desse modo que aparece a experiência de Deus, a espiritualidade e sobretudo a oração, na Bíblia.
Com carinho todos vocês
Pe. Gilderlane

PERÍODO CLÁSSICO



PERÍODO CLÁSSICO

Não pretendemos fazer comparações entre os períodos que compõem a História da Filosofia, mas dá uma ênfase acerca da Natureza no pensamento antigo, e sobretudo ao que diz respeito a CRIAÇÃO.
Há alguns anos, ou melhor, desde a Antigüidade vemos a busca pelo conhecimento a fim de explicar a origem do universo, do homem, se Deus é imanente a criação do universo entre outros. Quando se fala da “Criação”, imediatamente pensamos nas questões relacionadas a Deus e a origem do mundo. Por isso, na tentativa de mostrar vias acerca desses questionamentos, partimos com a metafísica, como princípio.
Refletindo sobre a “Doutrina da Criação” e, levando em consideração a pergunta originária desde os primórdios da Filosofia, ou seja, o que dá sentido à realidade, perceberemos que aproximadamente 25 anos de existência da Filosofia, a metafísica sofreu grandes mudanças.
No primeiro momento voltemos à Antigüidade. A idéia do cosmos grego concebia a realidade como o TODO. Fundamentava o pensamento a partir da essência das coisas, independentemente da subjetividade.
Essa compreensão de que o universo era visto através de especulações cosmológicas, mais tarde foi criticado pelos modernos.
Deixemos claro que essas discussões sobre o universo numa perspectiva cosmológica, consequentemente influenciaram também na relação do homem com o universo, e posteriormente o modo de vida do homem inserido nesse mesmo universo.
Desde os antigos até os medievais, o pensamento acerca daquilo que poderia ser conhecido, só era possível graças a natureza (Physis). Nisso constituía o princípio da verdade e do bem, isso é, do saber e da ética, respectivamente.
Tendo como paradigma o “cosmos grego” como princípio da realidade, “possibilita-nos” a perguntar, ou até mesmo, responder sobre a “matéria”.
Se o cosmos era modelo de ser que dava sentido à realidade, e entendido como e imutável, nesse sentido a matéria é não-criada.
É próprio do pensamento humano tematizar a ordem como fundamento da ação humana. A ordenação só poderá ser compreendida racionalmente, ou seja, vê a essência, o “eidos”, pois conhecemos o objeto pela essência. “Mas se algo existe de eterno, imóvel e separável, é evidente que compete a uma ciência teórica conhecê-lo”.1
1 Cf. Aristóteles, Metafísica, p.141
2 Cf. Gn 1, 26-27; 9,3; Sb 9, 2-3
3 Cf. Sl 8,7 e 10
Porém na modernidade a subjetividade emerge como fonte de todo sentido e constituinte da ordem. Pergunta-se não mais pela essência, mas pelo sujeito do conhecimento, o homem que se revela como sujeito em relação a si mesmo e ao mundo. Essa experiência do pensamento moderno não fora percebido pelos antigos.
Com efeito, é importante salientar que durante a história da humanidade, encontramos muitas divergências quanto a reflexão acerca da Criação. Como já vimos, os antigos, por exemplo, preocupavam-se com o surgimento do mundo, enquanto que no pensamento medieval, vê-se a influência da ética. Os modernos, de certa forma influenciados pelo Iluminismo, passam a ter uma visão mecanicista do universo (com suas leis determinadas).
A partir daí se percebe um grande ponto que diverge os antigos dos modernos. A preocupação não está mais no que é o universo, mas como é o universo.
A concepção de Criação tida pelos escritores cristãos nos séculos I e II, baseava-se numa visão judaica-helenista, e até mesmo como encontramos no Antigo Testamento.
O homem, criado à imagem de Deus, recebeu o mandamento de dominar a terra com tudo o que ela contém e governar o mundo o mundo na justiça2 e, reconhecendo Deus como criador do universo, orienta-se a si e ao universo para ele; de modo que, estando todas as coisas sujeitas ao homem, seja glorificado em toda a terra o nome de Deus.3
Percebe-se, então uma louvação à beleza da criação e a ordem do cosmo, da qual deriva o sentido e valor de sua atividade.
Por isso, tornou-se evidente a relação entre a doutrina da criação dos primeiros teólogos cristãos e a cosmologia da filosofia contemporânea.
Nesse intuito, as principais linhas de pensamento nos primeiros séculos cristãos (Estoicismo, Epicurismo e Ceticismo), tentaram fundamentar o pensamento filosófico à prática da vida, e que por esse meio, o homem pudesse alcançar a “bem-aventurança” (eudaimonia)4
Encontramos uma tentativa de relacionar o pensamento cosmológico da criação à ética. Pois não basta apenas “louvar a obra do criador”, mas obter como resultado a realização do bem_ na vida prática. Podemos dizer que esse é o nexo encontrado entre a cosmologia e a ética.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Doutrina Cristã do Pecado

    
Trataremos a seguir do pecado original e do pecado hereditário.
Na relação entre a antropologia cristã com o mundo, encontramos uma possibilidade do homem se dirigir ao bem, mas segundo o pessimismo ético de Agostinho no debate com Pelágio, assume a doutrina do "peccatum iriginale".
A priori, nitidamente, percebemos a existência do mal. Muitas vezes não sabemos o que nos leva à prática do mal, tampouco a quem empregar essa ação.
Segundo a tradição ética grega, o homem tem a convicção tanto do bem, quanto do mal, contudo nem sempre consegue impulsionar-se para o bem, e no entanto, acaba praticando o mal _ pecado. Nesse sentido o mal já está no homem, isto é, o pecado é original.
" Não entendo absolutamente o que faço: pois não faço aquilo que quero mas aquilo que detesto. (...) Mas então não sou eu que faço e sim o pecado que mora em mim. (...) Não faço o bem que quero e sim o mal que não quero".9 9 Cf. Rm 7, 15-19
10Cf. Dorothea Sattler/ Theodor Schneider, Doutrina da Criação, p. 167
No entanto, o homem não deve se conformar com o que vimos acima, mas servirá de incentivo para o ele, principalmente diante dos desafios que o mundo moderno oferece. Não que a explicação para a prática do bem venha do nada ou pelas capacidades humanas. Agostinho diz que "todo bem é obra da graça de divina".10 Embora percebamos o maniqueísmo e o pessimismo de Agostinho, vemos a boa maneira como ele expõe as ações éticas de Deus criador para a humanidade.
No "Livre Arbítrio", Agostinho fala a respeito do mal e faz referência à vontade. O homem desvia-se do bem, e a concepção de mal surge da liberdade humana, esse mal pode ser entendido como mal físico e moral.
A outra concepção vem do próprio original _ em Adão _ "
omnes homines pertransiit, omnes peccaverunt".
Per unum hominem peccatum intravit in mundum, et per peccatum mors et ita in E com isso, o pecado teria passado para toda a humanidade.11 A partir do pecado originário, Agostinho acredita que o homem deve estar sem querer sujeito o mal. O "peccatum originale" assumiu o princípio da concupiscência. Agostinho ver no prazer sexual do ser humano a causa da corrupção da natureza humana.
Influenciado pela tradição bíblica, Agostinho também vai dizer que todo mal _ poderá ser evitado com pela graça de Deus.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

OBSTÁCULOS NO CAMINHO

Assim como as ondas de rádio sofrem interferências que impedem uma boa sintonia, também podem apresentar-se obstáculos no campo da fé. Por vezes, as trevas podem afetar pessoas que vêm seguindo o Senhor há muitos anos e que ficam, por culpa própria ou não, desconcertadas ou como que perdidas, deixando de ver a alegria e a beleza da entrega.
Nesses casos, tornam-se necessárias umas perguntas feitas com sinceridade na intimidade da alma: Desejo realmente voltar a ver? Estou disposto a concordar ao menos em que existem razões e acontecimentos que revelam a presença de Deus na minha vida? Deixo-me ajudar? E para isso exponho a minha situação com clareza, sem esconder-me por trás de teorias, sem maquiagens, sem paliativos?
Juntamente com a soberba, que é o principal obstáculo, podem apresentar-se outras dificuldades: o ambiente ávido de comodismo, que tende a rejeitar por princípio tudo o que implica sacrifício e cruz, e que pode armar laços sutis, cheios de razões humanas contrárias ao que Deus pede em determinado momento: um caminho cheio de alegria, mas mais árduo e íngreme que o de um ambiente carregado de hedonismo.
Será necessário então um esforço suplementar e mesmo heroico por desprender-se de todo o lastro das paixões, que arrastam para o pó da terra; será necessário purificar o coração dos amores desordenados para cumulá-lo do amor verdadeiro que Cristo oferece, pois dificilmente poderá apreciar a luz quem tem o olhar turvo.
A preguiça é outro obstáculo que pode interpor-se no caminho para Deus. Como todo o amor autêntico, a fé e a vocação implicam uma entrega da pessoa, que o amor nunca considera suficiente. A preguiça costuma traçar uns limites e defender uns direitos mesquinhos que entravam e atrasam a resposta definitiva a essa fé amorosa.
O Senhor pode também ocultar-se à nossa vista para que O procuremos com mais amor, para que cresçamos em humildade e nos deixemos orientar e guiar por quem Ele colocou ao nosso lado para levar a cabo essa missão. Se compreendemos nesses casos que é essa a vontade divina, sempre acabamos, sem exceção alguma, por descobrir o rosto amável de Cristo, mais claramente do que antes, com mais amor.
A palavra “fé” tem na sua raiz um matiz que vem a significar deixar-se conduzir por outra pessoa mais forte do que nós, confiar em que outro nos preste a sua ajuda. Confiamos fundamentalmente em Deus, mas Ele também quer que nos apoiemos nessas pessoas que colocou ao nosso lado para que nos ajudem a ver. Deus dá-nos frequentemente a luz através de outros.
O Senhor passa ao nosso lado com os suficientes pontos de referência para podermos vê-Lo e segui-Lo.
Peçamos à Virgem que nos ajude a purificar o olhar e o coração para que saibamos interpretar corretamente os acontecimentos de cada dia, descobrindo neles a presença de Deus.

Creio, Senhor, mas ajuda-me a crer com mais firmeza; espero, mas faz que espere com mais confiança; amo-Te, mas que eu Te ame com mais ardor.

Falar com Deus

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O SENTIDO DA VIDA


...sempre preocupou a humanidade. "Por que vivo?", "Qual a razão da vida?", "Qual o objetivo de viver?"
Mary Roberts Rinehart disse sobre o sentido da vida: "Um pouco de trabalho, um pouco de sono, um pouco de amor, e tudo acabou." • Edmund Cooke afirmou: "Nunca vivemos, mas sempre temos a expectativa da vida." • Colton: "A alma vive aqui como numa prisão e é liberta apenas pela morte." • Shakespeare: "Viver é uma sombra ambulante." • R. Campbell: "Viver é um corredor empoeirado, fechado de ambos os lados." • Rivarol: "Viver significa pensar sobre o passado, lamentar sobre o presente e tremer diante do futuro." Será que todas essas não são afirmações bastante amargas e desanimadoras sobre o sentido da vida? Parece que todos falam apenas de existir e não de viver verdadeiramente.
Jesus tocou no âmago da questão ao dizer: "Eu sou... a vida" (João 14.6). Por isso o apóstolo Paulo escreveu sobre o sentido da sua vida: "Porquanto, para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1.21). Por isso, também o apóstolo João começou sua primeira epístola com as palavras: "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada)" (1 João 1.1-2). Uma revista esportiva resumiu da seguinte forma a vida de um famoso ex-treinador e comentarista esportivo: Eu acreditava que 20 anos de fama bastariam... talvez ganhar três campeonatos e então, no auge, com 53/54 anos, parar... Depois eu pretendia recuperar tudo o que tinha perdido, por causa do muito tempo que estive viajando... Agora tudo parece tão sem sentido... Mas aquela ânsia incontrolável de conquistar o mundo não podia ser freada... Ao se ficar doente, chega-se à conclusão: "o esporte não significa mais nada" – esse pensamento é simplesmente terrível. Alguém disse certa vez: "Qual o significado da vida, quando ela se torna ‘antigamente’?" Sem Jesus, que é a vida em todo o seu significado presente e eterno, a vida na terra oferece no máximo

sábado, 13 de agosto de 2011

CONVERSÃO É GRAÇA DE DEUS

       O testemunho de Pedro no seu discurso produz uma inquietação no meio dos ouvintes (v.37); "o que devemos fazer, irmãos"1? Podemos dizer que esse é o primeiro efeito da Palavra, fazer a pessoa se questionar sobre suas atitudes e seu estado de vida. Mostra uma certa disposição interior para aceitar entrar nessa nova comunidade (16, 30). Novamente aparece a figura de Pedro como aquele que indica o caminho a seguir. A resposta de Pedro segue um esquema tradicional: conversão2 e batismo em nome do Senhor Jesus Cristo para o perdão dos pecados a fim de assim poder receber o Dom do Espírito Santo3.
(2,38,;3,19;5,31;8,22;11,18;13,24;17,30;19,4;20,21;26,20).
       Ele traz outro verbo para falar de conversão; epistrophein, tal verbo tem o sentido de voltar a traz, voltar, retornar. Esse verbo por sua vez aparece oito vezes em Atos (3,19;9,35;11,21;14,15;15,19;26,18.20;28,27). Percebemos que esse dois verbos andam muito juntos. E não sabemos colocar os verdadeiros limites entre "arrepender-se (metanoesate) e converter-se (epistrephate). Podemos dizer que a fé juntamente com o arrependimento constituem a conversão.
3
4
       Ao mesmo tempo em que tem um embasamento tradicional, Pedro acrescenta a novidade do batismo cristã, receber o Dom do Espírito Santo. Lembremos que João Batista proclamava um batismo de conversão para o perdão dos pecados (Lc 3,3). E o mais interessante é que esse dom é para todos: judeus e gentios, os de perto e os distantes (v.39). Esse traz a expressão; "para quantos o senhor, nosso Deus, chamar". Faz referência ao profeta Joel (3,5c). Já referido na primeira parte do discurso. Os sinais que esse Dom chegou para os distantes é o batismo dos samaritanos (8, 15-17) e Cornélio, o centurião romano (10, 44-48).
       A aceitação à Palavra é conseqüência da proclamação do kerigma sob o impulso extraordinário do Espírito Santo. Lucas faz questão de deixar claro que esse processo é determinado pela força da Palavra de Deus proclamada por Pedro, "que „traspassa‟ o coração dos ouvintes, libertando-os interiormente e mostrando-lhe a beleza da vida segundo o evangelho e sua enorme diferença a respeito da existência da „geração perversa‟ à qual pertencem e da qual são chamados a distanciar-se"
       Temos que considerar outro aspecto, nem todos os ouvintes da Palavra de Deus dão uma resposta coerente a ela. Diante da Palavra se toma duas posições bem evidentes, ou aceitamos a Palavra e passamos pelo processo de adesão a mesma "Aqueles, pois, que acolheram sua palavra, fizeram-se batizar" (v.41) ou rejeitamos o anúncio e formamos o grupo daqueles que passam a perseguir "salvai-vos desta geração perversa" (v.40). Uma vez aceitando a autoridade da Palavra, formamos uma comunidade com alicerce no testemunho fraterno.

      Projeto para uma vivência fraterna em comunidade

       A aceitação à Palavra é conseqüência da proclamação do kerigma sob o impulso extraordinário do Espírito Santo. Esta adesão acontece de modo pessoal, cada um se apaixona por Cristo e é capaz de dizer a ele um sim. Entretanto, como esse projeto revela-se comunitariamente vem daí a formação das comunidades (2,42-47; 4, 32-37; 5, 12-16). Lucas usa estes três sumarios para falar de forma resumida, mas real da experiência das primeiras comunidades. De forma que nos dois sumários últimos vemos uma retomada do tema, mas mediante a intercalações com outros textos, com aplicação do tema abordado.
      A estrutura desses sumários apresenta para nós uma ligação de sentido dos problemas tratados neles. Cada sumário expressa uma conclusão do conteúdo anterior.
5 Cf
Cf. RICHARD, Pablo, O movimeto de Jesus depois da ressurreição, 44 CASALEGNO, Alberto, Ler os Atos dos Apóstolos, 121 4.Esta adesão acontece de modo pessoal, cada um se apaixona por Cristo, visto que a mensagem ouvida lhes tocou o coração, sendo assim são capazes de acolher a proposta de conversão. 5 Por outro lado serve para fazer a ligação temática que vem logo a seguir. O fim de cada sumário traz o problema abordado na perícope posterior.6 Podemos apresentar outras referências bíblicas as quais têm por objetivo apresentar um resumo de como viviam sua fé as primeiras comunidades. (6,7; 9,31; 12,24; 16,5; 19, 20).7
       Qual é o chão da vivência comunitária da fé? Como deve ser a vida dos que se comprometem com a causa de Jesus? Estas perguntas foram pertinazes no passado e continuam a nos instigar a tomar uma decisão bem clara referente a elas. Pois o lugar teológico por excelência é a comunidade

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8. É nesta realidade eclesial que se encontra o sitz in leben lucano. Lucas faz sua teologia olhando sempre para esta forma comunitária de viver a fé.
1 Essa mesma frase aparece nos lábios das multidões, dos publicanos e dos soldados que assistem à pregação de João Batista, no começo do evangelho (Lc 3, 10.12.14).
2 Mesmo no texto grego trazendo o verbo metanoesate, no sentido de arrependimento das suas ações cometidas, onde esse verbo vai aparecer sete vezes nos Atos

domingo, 7 de agosto de 2011

A Experência de Deus na Espiritualidade.

    Para nós cristãos é fundamental Ter uma resposta para esta questão: Como podemos perceber a presença de Deus e como entrar em diálogo com ele? Ou seja: Como fazer uma expereiência de Deus?.sobretudo na sociedade moderna e grobalizada, cuja enfase está no individualismo exacerbado, no consumismo sem medida, no culto hedonista do corpo e na falta de sentido para com a vida, é que as questões acima levantadas tem um sentido profundanmente ontológico e existêncial.
      Frente a esses questionamentos, as respostas encontradas nunca nos satisfazem. há em nós uma sede insaciável, algo que está na raiz do meu ser: preciso relacionar-me com Deus. Parece que há uma atração irresistível exercida por ele(Deus) sobre cada um e todos nós. Isso é expresso de forma evidente na voz do salmista quando diz: “Para onde irei, para onde fugirei”(SL 138)
É baseado nesses questionamentos, assim como numa comprovação cada vez mais evidente em nossos dias, de que as pessoas buscam cada vez mais na transcendência, respostas para seus questionamentos, sobretudo a partir das mais variadas expressões religiosas existentes, que nós pretendemos nesse trabalho desenvolver de forma sintética, a questão da experiência de Deus no campo da Espiritualidade. Para tal tentaremos abordar esse assunto em cinco pequenos tópicos,.a saber:
1.1. toda experiência é expressão do crescimento humano.
1.2.Marcas da experiência de Deus.
1.3.Experiencia de deus transformadora.
1.4.Espiritualidade( conceito e vivência humana).
1.5.Espiritualidade do jovem cristão( uma abordagem prática e pessoal, a partir de trabalhos que realizei junto a PJMP- pastoral da juventude do meio popular.).
      A seguir veremos de forma sintética e precisa, os tópicos acima citados.
1.1.A Experiência como crescimento humano:
A própria gênese da palavra experiência já nos diz o que ela siginifica. Ou seja: experiência é sair do limite do próprio ser, o que implica um movimento constante. Nesse sentido, a experiência supõe tempo para assimilar o que se vai vivendo na sucessão de acontecimentos da vida. No entanto, só é possível viver, aquilo que assimilamos no coração, o que leva-nos a crer, que é algo que trata de um movimento interior e portanto tem tudo a ver com a sensibilidade.
    Geralmente quando falamos de expereiência, estamos nos referindo ao que já está interpretado e assimilado pelo tempo, o que supõe algumas vivências significativas acolhidas pela pessoa. Assim também acontece na experiência de Deus. A pessoa que faz essa experiência, relembra continuamente vivências comuns, significativas ou fortes, que foi assumindo, assimilando,e criando nela uma reação, um movimento vital e essencial do próprio ser da pessoa. Nesse sentido é importante reinterpretar as vivências fortes que faço no dia-a- dia, caso contrário
não faço uma profunda experiência de Deus. Pois a expereiência verdadeira de Deus nos fazem sentir impregnados por marcas profundas.

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domingo, 24 de julho de 2011

Jacques Rousseau - Pensamento Polis

   Neste trabalho monográfico pretendemos apresentar como Rousseau preparou a sociabilidade do homem que vivia no estado de natureza para conviver no estado civil. 


      Jean – Jacques Rousseau nasceu no dia 28 de junho de 1712, em Genebra, sendo filho de Isaac Rousseau, de uma família de relojoeiro por tradição, e de Suzanne Bernard, filha de pastor da localidade, Suzanne morreu de parto do menino Jean – Jacques. Ainda criança, o pai teve de ser expatriado pelo resto da vida, não participando mais do seu desenvolvimento. Rousseau ficou sobre a tutela de seu tio Bernard, partir de então começa uma grande aventura em sua vida, muitas viagens, conhecendo novas pessoas que futuramente influenciaria sua maneira de pensar, como a senhora de Warens, hume, entre outros, muitos estudos, como também algumas amantes. Durante a revolução francesa em 1778, no dia 02 de julho falece Jean – Jacques Rousseau, deixando para as gerações futuras um número considerado de obras, entre elas estão as mais destacadas, como também motivo de perseguição por autoridades de Genebra, as obras Emílio e o Contrato Social. É baseado nesta obra que iremos trabalhar. 
Rousseau começa por mostrar como era a liberdade e a maneira de viver do selvagem no estado de natureza, percebendo a sua estrutura física, como se desenvolveu do uso da palavra e o moral físico do amor. 

    No segundo capítulo Rousseau nos mostra como era a liberdade nas primeiras sociedades, como a família e o estado, e como viviam os homens em relação a esta liberdade. Perceberemos o inicio do processo de sociabilidade do selvagem, ou seja, aprendem a usar a razão mais do que o instinto. Como nem tudo é perfeito, teremos conseqüências não agradáveis, como o direito que se titula, o direito do mais forte. Será que um homem por ter poder tem direito sobre o outro homem? Rousseau mostra a diferenciação do senhor e do escravo. Vendo que tudo estar como um estado de guerra, Rousseau propõem o pacto social, que dará uma vida nova aos contratantes e este aliena sua liberdade para assegura a propriedade e conforto dentro da sociedade civil. 

      Já no terceiro capítulo, depois do pacto aparece a imagem do soberano que vem guiar a comunidade no bem comum, tendo em vista o bem da sociedade. Sabendo que a soberania é absoluta, logo é inalienável e indivisível, é também limitada por ser constituída de homens e que não pode visar o interesse próprio. Mostra-nos também como o nosso autor pensava sobre lei e qual a sua concepção, sabemos que a lei para Rousseau é universal. Vamos perceber a ação de todo o corpo governamental da sociedade a partir do pacto social, que nos propõe uma vida digna e de soberania, apresentando-nos as varias formas de governos, sendo eles democrático, aristocrático, monárquico e misto. Será possível também percebermos os limites do governo e as conseqüências que o povo sofrerá com um mau governo.

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