Comentário do
Evangelho baseado em Lc 18-914
O Evangelho de hoje
nos mostra o que há por trás da Oração. Um salmo afirma que “A boca proclama
aquilo do qual o coração está cheio” e por isso, quem é arrogante e prepotente,
dominado pela soberba, não consegue tirar a “Carapuça” nem na hora de rezar, colocando-se
diante de Deus como uma pessoa Santa, Piedosa e Justa, comparada com as demais.
Eu cansei de ouvir certas invocações da Oração dos Fiéis, que foram elaboradas
por alguém que tem problemas de relacionamento com algum irmão, com o Padre,
Diácono, Ministro ou Catequista.
“Rezemos
pelo nosso padre, para que se converta verdadeiramente a Cristo, rezemos ao
Senhor” Por trás dessa fórmula está a denúncia de que o Padre tem algum
pecado público gravíssimo e ainda não é um convertido.
Rezemos
para que o Movimento tal se comprometa mais com o autêntico evangelho de
Cristo. Rezemos ao Senhor. Aqui o autor da oração está dizendo que o Movimento
tal não prega e nem vive o Evangelho.
Rezemos
para que aquela jovem do Grupo de jovens, que está grávida, acolha com amor a
criança e não busque no aborto a saída para o seu namoro que deu errado.
Rezemos ao Senhor. E só faltava a oração ser mais explícita, como essa “Rezemos
para que aquele Ministro Sem Vergonha, pare de agredir a esposa e deixe a
bebida. Rezemos ao Senhor...Em todas essas orações, o autor se julga Santo e
irrepreensível diante de Deus.
Eis
aí se repetindo a história da oração do Fariseu e do Publicano, que longe de
querer pedir ajuda Divina, em todos esses casos, o que faz na verdade é
denunciar publicamente os pecados dessas pessoas. Na minha comunidade isso já
ocorreu não de maneira explícita como aqui coloquei, mas de maneira velada...o
que é ainda pior.
Que
tipos de sentimentos tais orações despertam na assembleia? Certamente que os
piores possíveis, eu ouvi de alguém , após a celebração, essa afirmativa “Então
a menina do Grupo de jovens está grávida e tentando abortar, sempre soube que
ela era da “Pá Virada”, e ainda pousa de santinha na comunidade...”
O
evangelho deixa claro que orações assim não justificam a ninguém, e o que é uma
oração justificada? Aquela que em nosso coração temos a certeza de que Deus
ouviu. Por isso o Publicado, lá no último banco, de cabeça baixa e contrito, ao
reconhecer o seu pecado, tendo certeza de que Deus o ama apesar disso, clamou
por Misericórdia e foi atendido, voltando para casa satisfeito, por saber que a
sua oração chegou até o Céu.
Quanto
a oração do nosso amigo Fariseu, bem como as fórmulas da Oração dos Fiéis que
citei como exemplo, podem ter certeza de que “O Email voltou”...
Atitudes do homem diante de Deus
A parábola do fariseu
e do publicano é própria a Lucas. A parábola confronta duas atitudes do homem
diante de Deus. Os destinatários da parábola são aqueles que confiam em si
mesmos porque se julgam justos, e desprezam os outros (cf. v. 14).
O
fariseu retém na sua oração o motivo de sua justiça: jejuava duas vezes por
semana e pagava o dízimo de toda a sua renda (v. 12). Sabe que a observância
dos preceitos da Lei é dom de Deus, por isso agradece (cf. v. 11). A
contradição da sua justiça expressa na sua oração, que ele faz intimamente, é o
desprezo e o juízo dos outros que ele considera ladrões, desonestos, adúlteros;
nem o publicano, que rezava ao lado dele, escapou.
A
oração do publicano está centrada na sua falta, e ele se apresenta humilde
diante de Deus: ". ficou à distância e nem se atrevia a levantar os olhos
para o céu." (v. 13). A falta do fariseu é que ele se cria justo e a causa
de sua justiça era, segundo ele, mérito seu; quanto ao publicano, ele é
justificado porque se abre para o dom da salvação de Deus. A salvação que vem
de Deus não é mérito, é dom e, enquanto tal, deve ser recebida.
DOIS MODOS DE REZAR
O
contraste entre a oração do fariseu e a do publicano ilustra duas posturas
diante de Deus, o modo inconveniente e o modo conveniente de rezar.
O
fariseu encarna o modo inconveniente de se dirigir a Deus. Sua postura
empertigada deixa transparecer a consciência de ser estimado por Deus e gozar
de grande prestígio diante dele. Suas palavras denotam o grande conceito que
tinha de si mesmo. Sabia-se ser uma pessoa acima de qualquer suspeita, muito
diferente do resto da humanidade formada por ladrões, injustos e adúlteros.
Deus não tinha como fazer-lhe nenhuma censura, uma vez que era fiel no
cumprimento dos mandamentos, dentre os quais, o pagamento do dízimo.
A
oração revestida de tal soberba, de forma alguma pode ser agradável a Deus.
Quem se serve dela, terá a humilhação como resposta.
O
publicano situa-se no pólo oposto: mantém-se distante, de cabeça baixa, temendo
erguer os olhos para os céus, pois tinha consciência de ser pecador, carente da
misericórdia e do perdão divinos. Sem títulos de grandeza nem provas de
virtude, só lhe restava colocar-se, humildemente, nas mãos do Pai.
A
oração do humilde toca o coração de Deus e é atendida. Ele vem em socorro de
quem sabe reconhecer-se limitado e impotente para se salvar com as próprias
forças.
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