A Bíblia nos ensina que Deus é três vezes santo, só Ele é santo. Deus
comunica a santidade, é um Deus santificador e deseja um povo santo: ”Sede
santos, porque eu, Javé, sou santo” (Levítico 19,2;20,26). A santidade
de Jesus é idêntica à santidade de seu Pai Santo (João 17,11). Jesus santifica
os cristãos; o Espírito Santo é o agente santificador dos cristãos. Jesus vai
recomendar: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito“
(Mateus 5,48). Portanto, a santidade é vocação de todo cristão: “A
vontade de Deus é esta: a nossa santificação” (1 Tessalonicenses 4,3).
Ser santo é cumprir a vontade de Deus em nossa vida. Santos são,
portanto, todos aqueles que vivem o Evangelho e, de forma toda especial, os que
já se encontram hoje na casa do Pai. Os santos não ocupam o lugar de Deus, não
são inventados pelos homens, não são deuses, mas criaturas de Deus, a quem Deus
privilegiou com um amor especial, e viu este amor ser correspondido. Eles só
são reconhecidos como santos porque foram amigos íntimos do único Deus que os
santificou. Os santos são heróis da fé vivida no amor, fé no único Deus
verdadeiro, o Deus revelado em Jesus Cristo.
Nenhum católico adora os santos, mas os respeita e venera como amigos de
Deus. Este respeito e veneração vêm da fé na ressurreição, pois os que
morrem no Senhor estão com Ele. Vêm da fé na “comunhão dos santos”: os santos
intercedem por nós diante de Deus. A Bíblia nos mostra que Deus opera milagres
pela intercessão dos santos. Um exemplo é a cura do coxo de nascença, operada
por São Pedro e São João, junto à porta do Templo: “Não tenho nem ouro
nem prata, mas o que tenho isto te dou. Em nome de Jesus Cristo Nazareno,
levanta-te e anda” (Atos 3,1-9). E a Bíblia apresenta outros inúmeros
exemplos afirmando que “Deus fazia não poucos prodígios por meio de Paulo”
(Atos 19,11-12). Jesus é nosso único mediador entre Deus e os homens, e Ele
disse: ”O Pai dará a vocês tudo o que pedirdes em meu nome” (João
15,16).
Um santo só opera em nome de Jesus, porque só em Jesus está a fonte da
graça e a força de Deus. Os santos não estão em oposição ao Senhor. Ao
contrário, colocam em evidência a glória e santidade de Jesus Cristo, cabeça da
Igreja e nosso único salvador. Pois foi Jesus mesmo quem afirmou: ”Eu
garanto a vocês: quem crê em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do
que estas, porque eu vou para o Pai” (João 14,12). Ninguém pode ser
santificado, sem entregar sua vida por Jesus e pelos irmãos. Honrar um santo
significa reconhecer a força transformadora da Palavra de Deus, que santifica
quem a aceita e a coloca em prática.
O santo é para os cristãos um exemplo de quem testemunhou sua fé no
seguimento de Jesus. Nós, católicos, temos a alegria de abrir nosso álbum de
família – a nossa família na fé – e contemplarmos uma fileira de heróis na fé,
os santos, nossos irmãos e amigos, que conseguiram servir a Deus com fidelidade
e, junto de Deus, pedem por nós. Santos e santas, rogai a Deus por nós!
Entre os santos de Deus está, em primeiro lugar, Maria, a mãe de
Jesus(Mateus 2,1; Marcos 3,32; Lucas 2,48; João 19,25).
Cônego Pedro Carlos Cipolini - Doutor em Teologia (Mariologia);
professor titular da PUC–Campinas; membro da Academia Marial de Aparecida
Nota:
Sobre o uso de imagens na Igreja, consultar:
JOÃO PAULO II, Duodecim Saeculum. Carta Apostólica sobre
a Veneração das Imagens, 1987. Petrópolis: Vozes, 1988.
PONTIFICAL ROMANO. Ritual da dedicação de igreja e de altar,
1977. São Paulo: Paulinas, 1984.
SCOMPARIM A. F., A iconografia na Igreja Católica. São
Paulo: Paulus, 2008.
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