João é o único evangelista a mencionar a ida de apenas Maria Madalena, sozinha, ao túmulo de Jesus, de madrugada. Encontrando a pedra que o fechava, removida, ela vai anunciá-lo, correndo, a Pedro e ao discípulo que Jesus mais amava. Os dois, também correndo, vão ao túmulo. Diante do túmulo vazio, mesmo sem qualquer aparição do ressuscitado, o discípulo amado vê e crê. Crê que Jesus está vivo e presente entre eles. A luz que faz este discípulo "ver" a nova realidade não é a de uma aparição, mas a luz do amor. Percebe a eternidade do amor manifestado por Jesus.
No
evangelho de João não aparece de modo algum o nome do discípulo João. Aparece
um discípulo incógnito, nomeado como "o outro discípulo" ou "o
discípulo amado". A tradição via neste discípulo o próprio autor do
evangelho, que seria João, irmão de Tiago. Há também a interpretação de que o
evangelista, na figura deste discípulo, esteja se dirigindo ao próprio leitor,
para levá-lo a crer e se reconhecer como amado por Jesus.
VER E CRER
A experiência do discípulo amado, na manhã da ressurreição, é modelar para quem quer seguir Jesus. Logo que tomou conhecimento do sepulcro vazio, ele correu para lá, seguido pelo apóstolo Pedro. Quando entrou no lugar onde o corpo do Mestre tinha sido colocado e não o encontrando, "viu e creu" que tinha ressuscitado.
A
visão que o levou à fé não podia ser puramente sensorial. Neste caso, ela
supera a visão humana e atinge uma profundidade só acessível ao coração. Assim,
toca-se o mais profundo da realidade. Trata-se de um ver teológico, dinamizado
pelo Espírito, que permite penetrar no mistério de Deus, na medida que a
limitação humana for capaz.
Partindo
deste requisito, compreende-se por que os adversários nunca superaram a simples
visão física de Jesus e de seus feitos e palavras. Incapazes de ir além, jamais
puderam reconhecer nele o Filho de Deus e chegar ao ato de fé..
O
discípulo amado estabelecera com Jesus uma relação de tamanha intensidade que,
ao ver o sepulcro vazio, pode dar o salto da fé. Não que o sepulcro vazio fosse
uma prova da ressurreição, e sim porque ao contemplá-lo pode compreender todo
mistério que envolvia o evento Jesus, chegando a atingir-lhe o âmago: o Filho
era objeto do amor do Pai, o qual não permitiria que ele experimentasse a
corrupção. A visão física, portanto, serviu de pretexto para algo muito mais
profundo.
João 20,2-8
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