(Mateus 17,10-13)
Neste evangelho Jesus rasga o Verbo ao falar de
Elias e João Batista, é como se ele dissesse “Sou da mesma linha do Profeta
Elias e de João Batista”. É até bonito entendermos esse evangelho, pois Jesus
está dizendo a seus discípulos que ele não fugirá da “Raia” e que como seus
dois predecessores também será perseguido, torturado e morto, mas o anúncio
será feito á todas as categorias de pessoas, gente simples ou importante, ricos
e pobres, jutos e pecadores, pessoas que iriam se admirar dele e passariam a
ser seus seguidores, mas outros que passariam a odiá-lo até a morte na cruz.
A pregação do Evangelho de Cristo não é um show
como querem alguns, não são discursos e palavras bonitas para agradar algumas
pessoas, não são palavras para gerar emoção e lágrimas, como muitos gostam de
fazer, ao contrário, tem uma vertente profética que jamais pode ser deixada de
lado, uma linha dura que anuncia a Justiça e denuncia a Injustiça, que requer
uma mudança de vida e uma adesão ao Reino como uma opção radical. E diante de
perseguições, incompreensões que possam surgir, basta lembrar-se do modo de ser
daquele jovem jogador de truco “Somos seguidores de Jesus, Cristãos da “Gema”,
que traz a linha profética no sangue, na alma e no coração”.
Será Elias o percursor de Jesus?
Este diálogo dos discípulos com Jesus se dá ao
descerem da montanha, após a transfiguração de Jesus. Na transfiguração entrou
em cena a figura de Elias. Agora os discípulos querem se esclarecer sobre a
vinda de Elias, como precursor do Messias, conforme a doutrina que receberam
dos escribas. Esta doutrina tradicional fundamenta-se no apêndice final do
livro de Malaquias (Ml 3,23-24), segundo a qual Elias "fará voltar o
coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais...".
Seria o estabelecimento da paz escatológica. Os escribas associavam Elias com o
messias davídico glorioso que esperavam.
Jesus retifica esta falsa expectativa. Elias já
veio, na pessoa de João Batista, e as elites religiosas do Templo, em parceria
com Herodes, o ignoraram e o assassinaram. E este também será o futuro do Filho
do Homem, como se autodenomina Jesus. Identificando-se com João em seus sofrimentos
e perseguições, Jesus distingue-se do messias poderoso e glorioso. Esta
previsão do sofrimento decorre do fato de que o poder opressor não admite nada
que ameace sua estabilidade e reage com violência, empenhando-se na destruição
daqueles que, colocando-se a serviço da vida, se dedicam à libertação dos
pobres e oprimidos.
A VINDA DE
ELIAS
As expectativas messiânicas do tempo de Jesus
mesclavam-se com uma série de elementos, dentre os quais, a crença que, por
ocasião da vinda do Messias, o profeta Elias haveria de retornar. Era bem
conhecida a história do profeta arrebatado aos céus, num carro de fogo. Por não
ter morrido, como qualquer ser humano, difundiu-se a esperança de que Elias
voltaria no fim dos tempos, indicando, assim, que a vinda do Messias estava
próxima.
Jesus não negou esta tradição. Entretanto, ofereceu
uma pista para indicar que ela já se havia realizado na pessoa de João Batista.
A ação precursora dele em relação a Jesus correspondia àquela de Elias, em
vista do Messias vindouro. A conclusão era evidente: Jesus era o Messias
esperado por Israel. Deveria, pois, ser aceito e acolhido como tal.
Entretanto, o Mestre não se adaptou aos esquemas
messiânicos do povo. Se, por um lado, sua presença assinalava o fim de uma era,
por outro, introduzia, na história humana, um tempo novo. Ele superou a
agitação messiânica, propondo aos discípulos um ideal de fraternidade, fundado
na misericórdia e no serviço desinteressado aos irmãos.
Igualmente recusou-se a responder questões de
curiosidade a respeito do dia do fim do mundo e do número dos que seriam
salvos. Desta forma, rompeu com o messianismo popular, dando margem para que
seus discípulos assumissem sua vida e sua missão com mais seriedade.
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