Breve comentário do
Evangelho - Lc 1,67-79
A partir de alguns textos do Primeiro Testamento, Lucas compõe este cântico de
Zacarias, bem como o anterior cântico de Maria ("Magnifícat"), como
instrução teológica para suas comunidades. O núcleo da mensagem é a origem
divina de Jesus, o qual vem promover a libertação e comunicar a vida divina e
eterna aos homens e mulheres, tendo como precursor João Batista.
Zacarias, sacerdote
idoso no Templo de Jerusalém, de início é incapaz de compreender a novidade do
anúncio do anjo, e fica mudo. É a expressão do judaísmo, incapaz de abrir-se à
mudança. Agora, como pai e em casa, diante do recém-nascido que é vida nova,
recupera a fala e profetiza. Após proclamar o cumprimento da promessa de Deus
em enviar um salvador, retoma as palavras do anjo, reconhecendo em seu filho
"um profeta do altíssimo".
PROFETA DO
ALTÍSSIMO
Zacarias, em seu
canto de louvor, sintetizou a missão profética do filho recém-nascido,
explicitando sua correlação com Deus Pai e com o Salvador a ser enviado.
A missão do Batista
consistiria em ser profeta do Altíssimo, título aplicável tanto a Deus quanto a
seu Messias, posteriormente identificado com Jesus. Portanto, a existência do
Precursor estaria ligada, simultaneamente, a Deus altíssimo e ao povo, junto ao
qual seu profetismo seria exercido.
A glorificação de
Zacarias centra-se no desígnio libertador de Deus que defende seu povo da sanha
de seus inimigos e de quantos o odeiam. Ele não suporta que seu povo padeça a
opressão do inimigo. Por isso, vem libertá-lo. Dele Deus exige apenas que o
"sirva em santidade e justiça", sem se apartar de seus caminhos nem
um só dia da vida.
O desígnio
libertador de Deus expressa sua misericórdia, que jamais poderá faltar, pois a
relação com Israel está selada com uma Aliança santa, a ser observada com
fidelidade. Por conseguinte, quando o seu povo é oprimido, Deus suscita-lhe um
poderoso Salvador.
O maior de todos
eles será seu próprio Filho. A missão fundamental do Batista consistiu em
preparar-lhe os caminhos, anunciando ao povo que a salvação e a remissão dos
pecados jorrariam do "amor do coração de nosso Deus", por meio da
ação do Messias.
Zacarias não estava
em condições de identificar Jesus com o "poderoso Salvador",
suscitado pelo Senhor, Deus de Israel. Caberia a João reconhecê-lo como aquele
que tira o pecado do mundo, levando a cabo a obra divina da libertação.
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